PORTUGUÊS PARA APRIMORAR A  LINGUAGEM  E A ESCRITA

                                              

                         (Já atualizado pela reforma ortográfica de 01-01-2009)       

                                     

                                                                                  Nivaldo Rocha                                                                                

 

CORES:

 

AZUL - CAPÍTULOS

VERDE - TÍTULOS

VERDE BRILHANTE - SUB-TÍTULOS

VERMELHO - TERMOS EM DESTAQUE

AMEIXA - TERMOS ERRADOS

 

CAPÍTULO I

 

VOCABULÁRIO GRAMÁTICO PRÁTICO

 

Acentuação: É o ato ou o modo de se acentuar, na fala ou na escrita.

Veja melhores informações no capítulo II  ACENTUAÇÃO.

 

Adjetivo: Palavra que modifica ou qualifica um nome (substantivo).

Ex.: duro - macia - leve - barato - caro - feio.

O professor foi muito duro com Maurício.

A carne estava macia.

Que a sua vida seja leve.

O tempo está feio.

Hoje em dia tudo está caro.

Comprei o carro porque achei barato.

 

Adjetivo pátrio: É aquele que se refere a um país, estado, cidade ou região.

Ex.: asiático - paraguaio - paulista - curitibano - sulista - nordestino.

O povo asiático tem cultura diferente.

O time paraguaio estava melhor em campo.

O Palmeiras venceu o campeonato paulista.

O povo curitibano compareceu em peso às urnas.

 

Adjetivo composto: É aquele que é formado por duas ou mais palavras. É um adjetivo qualificado por outro adjetivo.

Branco-gelo – azul claro – árabe muçulmano, roxo fúnebre, azul celeste, vermelho escarlate.

Comprei um automóvel branco gelo.

O vestido dela era azul claro.

Mohamad é árabe muçulmano.

 

Adjunto adnominal

 

É uma qualificação do sujeito, um anexo do sujeito principal.

Ex.: O professor de matemática faltou hoje. (Adjunto adnominal = de matemática).

Quanto à relação: vem sempre associado a um nome.

Quanto à forma: liga-se ao nome, com ou sem preposição, sem interferência do verbo.

Quanto ao valor: é um atributo que qualifica ou caracteriza o nome a que se refere.

Obs.: Ver melhores explicações no capítulo V SUJEITO E PREDICADO, nos Termos associados a nomes.

 

Advérbio: Palavra que modifica um verbo, adjetivo ou outro advérbio. Pode ser de tempo, lugar, modo, quantidade etc.

Ex.: Ele estava bem calmo.

        Saiu tarde.

        Saiu muito tarde.

Advérbios de lugar: lá, perto, longe.

Advérbios de modo: bem, calmamente, devagar, brandamente, rapidamente.

Advérbios de afirmação: sim, certo.

Advérbios de negação: Não, nunca.

Advérbios de dúvida: talvez, acaso.

Advérbios de inclusão: também, inclusive.

Advérbios de exclusão: apenas, somente.

Advérbios de intensidade: mais, pouco, menos, bastante.

Advérbios de tempo: hoje, amanhã, ontem, antes, depois.

 

Antônimos: São palavras que têm significados opostos.

 

Ex.: entrar — sair

        macio — duro

        pesado — leve

        bem — mal

        bom — mau

        certo — errado

        grande — pequeno

        mínimo — máximo.

 

Aposto: Elemento que caracteriza e dá ênfase a um substantivo ou um pronome. Geralmente se usa com nomes próprios.

 

Ex.: Rio, a Cidade Maravilhosa.

       São Paulo, terra da neblina.

       Minas, das alterosas.

       Ele, muito sábio, apresentou a seguinte sugestão…

       Paraná, das araucárias.

Obs.: ver maiores explicações no capítulo V SUJEITO E PREDICADO em Termos associados a nomes.

 

Artigo: Palavra de uma só sílaba, que precede o substantivo, indicando-o.

Artigo definido: Indica um objeto único entre outros da mesma espécie.

Ex.: o — os — a — as.

Artigo indefinido: Ao contrário do artigo definido, não especifica o substantivo.

Ex.: um, uns, uma, umas.

 

Coletivo: Substantivo que indica conjunto, reunião, embora seja escrito no singular.

Ex.: cardume (conjunto de peixes) — povo (conjunto de pessoas) — comboio (conjunto de carros ou caminhões ou vagões).

 

Complemento nominal

 

Quanto à relação: vem sempre associado a um nome de significação transitiva.

Quanto à forma: liga-se ao nome sempre através de preposição.

Quanto ao valor: indica o alvo ou o ponto sobre o qual recai a ação do nome.

Ex.: Os grevistas pleiteavam aumento de salários.

Obs.: Ver melhores esclarecimentos no capítulo V SUJEITO E PREDICADO em Termos associados a nomes.

 

Conjunção: Palavra invariável que liga duas orações ou dois termos da mesma classe numa oração.

Ex.: embora, mas, ou, porque, segundo.

       Tanto João como Paulo foram apóstolos.

       Deixei de falar, embora soubesse a resposta.

Conjunções coordenativas: Ligam duas orações coordenadas (que não dependem uma da outra) ou dois termos da mesma classe.

As conjunções coordenativas podem ser:

Aditivas: e, nem

Adversativas: mas, porém, contudo.

Alternativas: tal… tal, ou… ou.

Conclusivas: logo, pois, portanto.

Explicativas: por exemplo.

Conjunções subordinativas: Ligam orações subordinadas (que dependem uma da outra).

As conjunções subordinativas podem ser:

Causais: porque, por isso que.

Comparativas: como, tal, assim como.

Concessivas: embora, ainda que.

Condicionais: se, caso, desde que.

Conformativas: conforme, como.

Consecutivas: que.

Finais: a fim de que

Integrantes: enquanto

Temporais: quando, logo que, até que.

 

Consoantes: São todas as letras do alfabeto, com exceção das vogais, que são: a, e, i, o, u.

Ex.: b, c, d, f, etc.

OBS: na reforma ortográfica de 01-01-2009, foram acrescentadas as consoantes K, W e Y.

Crase: Diz-se da contração do artigo feminino a e a preposição a. Ver estudo completo no capítulo II ACENTUAÇÃO.

 

Derivada: É a palavra que deriva de outra.

Ex.: vagonete — deriva de vagão.

        alcoólatra — deriva de álcool.

        açucareiro — deriva de açúcar.

 

Desinência: É o elemento que, acrescentado ao radical dos substantivos e adjetivos, indica gênero e número. Nos verbos indica número e pessoa (1ª, 2ª, 3ª)

Ex.: belo — bela

        bonito — bonita

        perder — perderia.

Obs.: Radical é a parte invariável da palavra:

        bel — bon — perd.

 

Dígrafo: É o encontro de duas consoantes que muda o som da sílaba.

Ex.: ch — lh — nh — rr — ss.

 

Ditongo: É o encontro de duas vogais na mesma sílaba.

Ex.: loiro — chapéu — arpão — água.

Ditongo oral: É formado por fonemas orais.

Ex.: loiro — chapéu — água.

Ditongo nasal: É formado fonemas nasais (som nasal).

Ex.: — pão — órgão — muito — põe.

 

Encontro consonantal: É o encontro de duas ou mais consoantes numa palavra.

Ex.: bloco — greve — ritmo — observa.

 

Esdrúxulas: São as palavras cuja sílaba tônica é a antepenúltima. O mesmo que proparoxítonas. Todas estas palavras são acentuadas.

 

Formas rizotônicas e arrizotônicas: Rizotônicas são as formas verbais em que a vogal tônica está na raiz: São as seguintes: primeira, segunda e terceira pessoa do singular e terceira pessoa do plural do modo indicativo; presente do subjuntivo; imperativo positivo e imperativo negativo.

Todas as outras formas são arrizotônicas.

 

Frase: É o conjunto de palavras que formam um sentido completo. O mesmo que oração ou sentença.

 

Hiato: É o encontro de duas vogais em sílabas separadas.

Ex: — mi-a-do — ru-í-na — prote-í-na.

 

Homônimos: São palavras de pronúncia ou grafia igual ou quase igual.

Ex.: cheiro (odor)

        cheiro (verbo cheirar)

        basta (cheia)

        basta (verbo bastar)

Obs.: A palavra homônimo se usa mais para designar pessoas com nomes iguais.

Ex.: Antonio da Silva — José de Oliveira. (Há muitas pessoas com esses nomes — todos os Antonio da Silva são homônimos assim como os José de Oliveira).

 

Interjeição: Palavra usada para exprimir sentimento, surpresa, alegria. Quase sempre vem acompanhada do ponto de exclamação.

Ex.: Ah! Viva! Bah!

 

Modo: Forma do verbo para expressar o estado, a ação ou qualidade que ele indica.

Modo indicativo: Indica que a ação é exercida de forma definida.

Modo subjuntivo: Indica que a ação não está definida: depende de outra.

Modo imperativo: Indica uma ordem.

Modo imperativo afirmativo: Indica uma ordem ou pedido positivos.

Modo Imperativo negativo:  Indica uma ordem ou pedido negativos.

Formas nominais: São

     Infinitivo

     Gerúndio

     Particípio

 

Numeral: Adjetivo que indica quantidade.

 

Numeral cardinal: um, dois, três, quatro etc.

Numeral ordinal: Indica número de ordem: primeiro, segundo, terceiro, quarto etc.

Numeral multiplicativo: Indica número de vezes: duplo, triplo, quádruplo.

Numeral fracionário: Indica divisão, parte. Ex.: um terço, um quinto, um décimo etc.

 

Oração: É uma frase. Pode ser:

 

Oração absoluta: Isolada, com sentido absoluto por si só.

Ex.: Comprei um terreno anteontem.

       Hoje choveu no nordeste.

Oração coordenada: É aquela que vem ligada a outra por uma conjunção, mas não depende dela.

Ex.: Foi analisado o projeto, mas não foi aprovado.

       Comprei o carro, mas ainda não o experimentei.

Oração subordinada: É aquela que se liga a outra oração por uma conjunção subordinativa, e depende dessa outra para ter sentido.

Ex.: Não aprovei o plano, que me pareceu em desacordo com a lei.

 

Parônimos: Palavras de pronúncia e grafia parecidas.

Ex.: retificar (corrigir).

        ratificar (confirmar).

        taxa (imposto).

        tacha (prego curto).

 

Por que — porque — por quê — porquê:

 

Ver estudo completo no capítulo XVI DÚVIDAS, CORREÇÕES ESCLARECIMENTOS, em Outros Esclarecimentos.

 

Predicado: Na oração, é tudo o que se fala sobre o sujeito. É a ação.

Ex.: Ela usou um vestido vermelho na festa.

 

Predicativo: É o nome ou pronome que qualifica ou determina o sujeito ou o objeto e completa a significação do verbo.

Quanto à relação: vem sempre associado a um nome.

Quanto à forma: liga-se ao nome, com ou sem preposição, sempre através de um verbo.

Quanto ao valor: é um atributo que qualifica ou caracteriza o nome a que se refere.

Obs.: Ver melhores explicações no capítulo V SUJEITO E PREDICADO, em Termos associados a nomes.

 

Prefixo: Partícula que antecede a raiz de uma palavra, modificando o sentido deste.

Ex.: autodeterminação

        vice-presidente

        subdelegado.

        Autobiografia.

 

Preposição: É a palavra que faz a ligação entre outras palavras de funções diferentes e que subordina uma a outra.

Ex.: a, para, ante, por, perante, sem, sob, sobre, conforme, durante, entretanto.

       Foram julgados perante a justiça.

 

Primitiva: É a palavra que dá origem a outra.

Ex.: Pedra — pedreira, pedraria.

        Ferro — ferreiro, ferradura.

        Borracha — borracheiro, borracharia.

 

Pronome: Palavra que acompanha o substantivo (ou nome) ou que o substitui.

Ex: Vocês estão errados.

Os pronomes podem ser:

Pronomes pessoais: indicam pessoa. Podem ser:

Pronomes pessoais do caso reto: Eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas, você, vocês.

Ex.: Tu não tinhas o direito de apelar.

Pronomes pessoais do caso oblíquo: Me, mim, comigo, te, ti, contigo, se, nos, vos, lhe, lhes, o, a, os, as.

Ex.: Essas laranjas, eu as comprei na esquina.

        Eu lhe passei uma carta do baralho.

Pronomes possessivos: Indicam posse de alguma coisa: Meu, minha, teu, tua, seu, sua, nosso, nossa, vosso, vossa, dele, dela e os seus plurais.

Ex.: Encontrei-me com a sua sobrinha.

Pronomes demonstrativos: Indicam a posição de alguma coisa em relação a alguém. Apontam alguma coisa: Este, estes, esta, estas, esse, esses, essas, aquele, aqueles, aquela, aquelas, isso, isto, aquilo.

Ex.: Não concordo com aquele comportamento.

Pronomes interrogativos: São aqueles usados em frases interrogativas: Que? Qual? Quem?

Ex.: Qual é a metade de três vezes vinte?

        Quem foi ao encontro?

Pronomes indefinidos: Não definem a pessoa ou coisa: Algum, alguém, ninguém.

Ex.: Ninguém se apresentou para receber o prêmio.

Pronomes relativos: Substituem um pronome ou substantivo que vêm antes deles: Que, o qual, cujo.

Ex.: O homem de cujo curriculum lhe falei é este.

 

Sinônimos: São palavras que se escreve de maneira diferente, mas têm o mesmo significado.

Ex.: suave = macio

        calmo = tranquilo

        bonito = belo.

      

Substantivo: É a palavra que dá nome a coisas e pessoas.

 

Substantivo próprio: Dá nome a pessoas, países, estados, cidades etc. Escreve-se sempre com a inicial maiúscula.

Ex.: Pedro, México, São Paulo, Caraguatatuba.

Substantivo comum: Dá nome a coisas em geral.

Ex.: mesa, janela, religião, firma.

Substantivo concreto: Dá nome a algo que pode ser percebido pelos sentidos.

Ex.: garfo, casa, terreno, árvore.

Substantivo abstrato: Nomeia uma qualidade, estado ou ação, algo que não pode ser percebido pelos sentidos.

Ex.: ciência, religião, superstição, lei.

Substantivo composto: É formado por duas ou mais palavras, ligadas ou não por hífen.

Ex.: carrochefe, capitão-de-corveta.

 

Sufixo: É a partícula colocada depois da raiz para formar uma palavra.

Ex.: feio + ura = feiura

        ferro + eiro = ferreiro

 

Tempo: Indica a época em que se dá a ação do verbo.

 

Tempos simples: Conjuga-se apenas com o verbo, sem auxiliar.

Modo indicativo:

Presente: Ex.: Ela vem me visitar hoje.

Pretérito: Indica passado.

Pretérito perfeito: A ação já ocorreu.

Ex.: Deixei a escola há dois anos.

Pretérito imperfeito: A ação é anterior à época em que se fala, mas contemporânea a outro fato passado.

Ex.: João estava caminhando quando tropeçou.

Pretérito mais que perfeito: refere-se a fato ocorrido em época anterior à que se fala.

Ex.: Ocorreu a ele que já estivera naquele lugar.

Futuro do presente: Indica ação futura.

Ex.: Ele fará o que for necessário.

Futuro do pretérito: Indica ação futura condicionada ao passado.

Ex.: Eles comprariam se tivessem dinheiro.

Modo subjuntivo:

Presente:

Ex. Não é necessário que você chegue muito cedo.

Imperfeito:

Ex.: Se eles tivessem o dinheiro, comprariam.

Futuro:

Ex.: Quando me ouvirem, deixarão de cometer erros.

Modo imperativo afirmativo.

Ex.: Compre agora que está mais barato.

Modo imperativo negativo.

Ex.: Não faça dívidas.

Formas nominais:

Gerúndio: Ex.: Estou fazendo uma coleta de assinaturas.

Infinitivo impessoal: Ex. Fazer essa coleta de assinaturas é uma necessidade.

Infinitivo pessoal: Ex.: Para eles irem à igreja, precisam do carro.

Particípio: Ex. Isto é fato consumado. Ele foi demitido.

Tempos compostos: São conjugados com o verbo e um auxiliar. São conjugados em todos os modos, como nos tempos simples: indicativo, subjuntivo, imperativo etc.

Ex.: Tenho estado muito ocupado.

       O remédio lhe teria feito muito bem.

       Se você tivesse tomado o remédio já estaria curado.

       Deve haver uma explicação para tudo.

 

Tritongo: É o encontro de três vogais na mesma sílaba.

Ex.: saguão — jiboia.

Tritongo oral: Ex.: dispneia.

Tritongo nasal: Ex.: Quão.

 

Verbo: É a palavra que exprime a ação. O verbo é a parte da oração que apresenta a maior variedade de formas, pois varia de acordo com a conjugação, de acordo com o modo, tempo, pessoa e voz.

São três as conjugações:

Da primeira conjugação são os verbos terminados em ar: dançar, andar, flertar.

Da segunda conjugação são os verbos terminados em er e or : ter, descer, tecer, pôr.

Da terceira conjugação são os verbos terminados em ir: sair, partir, vir.

Obs.: Os verbos terminados em or, (pôr e seus derivados) estão incluídos na segunda conjugação porque são derivados do latim poere.

Verbo regular: Segue um modelo de conjugação, mantendo o radical e a desinência.

Ex.: andar, prender, partir.

Verbo irregular: Não segue um modelo certo de conjugação. Mantém o radical, mas muda a desinência.

Ex.: Perder — eu perco, tu perdes.

       Vir — eu venho, tu vens, ele vinha.

Verbo anômalo: Altera o radical e a desinência durante a conjugação.

Ex.: Ser: eu sou, ele é, ele foi, ele era.

       Ir: ele vai, nós fomos, eles iam.

Verbo indefectivo: É conjugado em todas as pessoas de todos os tempos.

Ex.: Vender, cair, andar.

Verbo defectivo: Não pode ser conjugado em todas as pessoas de todos os tempos.

Ex.: Chover

        Gear

        Nevar

Verbo intransitivo: Tem significação por si só. Não exige complemento.

Ex.: As crianças correm.

Verbo transitivo: Exige complemento.

Verbo transitivo direto: Pede, como complemento, objeto direto.

Ex.: Ela saiu cedo.

Verbo transitivo indireto: Pede, como complemento, objeto indireto, quer dizer, exige uma preposição.

Ex.: Irei ao encontro sozinho.

Verbo transitivo direto e indireto: Pede os dois complementos: direto e indireto.

Ex.: Entrego a encomenda em suas mãos.

Verbo de ligação: Liga o sujeito a uma qualidade dele próprio.

Ex.: ser, estar, permanecer, ficar.

Eu serei rico.

Ela ficou envergonhada.

Ele permaneceu calado.

 

Vírgula: Ver o capítulo X USO DA VÍRGULA ENTRE OS TERMOS DA ORAÇÃO.

 

Vocativo: É a pessoa ou coisa a quem se chama.

Ex.: Meus amigos, sejam bem vindos.

        Mãe, vem cá.

       Você, João, vá à padaria.

 

Vogais: São as letras que flexionam o som das sílabas. São elas: a, e, i, o, u.

 

Vozes verbais:

 

Voz ativa: O sujeito pratica a ação.

Ex.: O indivíduo respondeu mal às perguntas do delegado. (Sujeito: indivíduo, verbo: respondeu.

Voz passiva: O sujeito recebe a ação.

Ex.: As perguntas foram mal respondidas pelo indivíduo. (Sujeito: as perguntas, verbo: foram.

Voz reflexiva: O sujeito pratica e recebe a ação.

Ex.: Ele esvaiu-se em lágrimas. (Sujeito: ele. Verbo: esvaiu-se).

 

CAPÍTULO II

 

ACENTUAÇÃO

 

— Classificação das palavras quanto à tonicidade.

Sílaba tônica — é a sílaba onde recai o som mais forte numa palavra. Quando você pronuncia uma palavra, uma sílaba tem mais intensidade. É a sílaba tônica dessa palavra.

Vocábulos monossílabos podem ser tônicos ou átonos.

Tônicos: vê — crê — vá — dá — dê.

Átonos: de — um — da — a — em  — te — se.

Os monossílabos tônicos são fortes. Os átonos são fracos.

É de se observar que os monossílabos átonos, sem o acompanhamento de outras palavras, não têm significado: de (preposição) — um (artigo) — da (de + a) — te (pronome pessoal).

Já os monossílabos tônicos têm significação própria, sem serem acompanhados de outras palavras: vê (verbo ver) — vá (verbo ir) — dê (verbo dar).

Esses conceitos são importantes para se entender as regras de acentuação.

Vocábulos polissílabos são aqueles que possuem mais de uma sílaba: dedo — anel — girafa — perpendicular.

Os polissílabos são classificados de acordo com a sílaba tônica.

Oxítonos: a sílaba tônica é a última. Ex.: ideal, café, jacarandá, jornal.

Paroxítonos: a sílaba tônica é a penúltima. Ex.: forte — fraco — todos — bala.

Proparoxítonos: a sílaba tônica é a antepenúltima. Ex.: último — tímida — ótimo — pânico.

OBS.: As palavras proparoxítonas também podem ser chamadas de esdrúxulas.

 

AS REGRAS

 

Acentua-se:

* Todas as palavras proparoxítonas.

Ex.: círculo — árabe — tônica — gostávamos — chegávamos — informática.

Alguns autores incluem nessa categoria as palavras paroxítonas que terminam em ditongos. Nós já preferimos que essas palavras entrem em outra regra:

* Todas as palavras paroxítonas terminadas em ditongos.

Ex.: luxúria — ganância — falência — delícia — área — conferência — órgão — órfão.

* As palavras oxítonas terminadas em:

— A — E — O, seguidas ou não de s.

Ex.: sofá — sofás — café — jiló — ipê — carajás — amá-la — comê-los — dendê.

— EM — ENS.

Ex.: também — convém — reféns — parabéns.

* Os monossílabos (vocábulos de uma sílaba só) tônicos terminados em A — E — O, seguidos ou não de s.

Ex.: — pó — fé — cá — dê — cós — pós — pá.

* Os polissílabos (vocábulos com mais de uma sílaba) paroxítonos terminados em:

— N.

Ex.: glúten — pólen — hífen.

— L.

Ex.: útil — amável — agradável.

— R.

Ex.: açúcar — caráter — cárter — mártir.

— X.

Ex.: ônix — tórax — látex.

— UM — UNS.

Ex.: álbum — fórum — quórum — álbuns.

— Ã — ÃO — ÃS — ÃOS.

Ex.: acórdão — órfã — ímã.

— I — U — IS — US.

Ex.: lápis — grátis — júri.

As sílabas com as letras o — e — a, com som fechado são acentuadas com acento circunflexo.

Ex.: bônus — cândi — tênis.

 

DITONGO ORAL CRESCENTE, seguido ou não de S.

 

— Ditongo é o encontro de duas vogais: ao — ai — ui — ia — uo. Oral: que tem som claro, não é nasal (ao, ai, por exemplo). Crescente: o som mais aberto vem depois:— ia — ua.

Ex.: ágeis — jóquei — língua — égua.

* As palavras em que o I ou U forem tônicos e estiverem formando um hiato com a vogal anterior: saí — caí — baú — prejuízo — balaústre.

HIATO — é quando duas vogais estão juntas, mas em sílabas diferentes. Os exemplos acima já servem.

— quando precedidos de um ditongo, isto é, um hiato, precedido de um ditongo.

Observe esta regra que pega muita gente desprevenida: o I ou o U, tônicos, quando a palavra é oxítona, não precisam ser acentuados, quando seguidos das letras L — M — N — R — Z. Ex.: ruim — juiz — ainda — construir — anil

Obs.: A regra acima só predomina quando o I ou U, seguidos das letras indicadas, não estão separados num hiato. Nos ditongos não são acentuadas Ex.:

Juiz (não se acentua) — Juiz — ditongo

Juíza (acentua-se) — Ju-í-za — hiato

Juízes (acentua-se) — Ju-í-zes — hiato

Ruim (não se acentua) — Ruim — ditongo

Ruína (acentua-se) — Ru-í-na — hiato.

Também não serão acentuadas as vogais referidas acima (I — U), num hiato, quando seguidas do dígrafo NH. Ex: rainha — ventoinha — fuinha.

* — Os ditongos tônicos ÉI, ÓI, ÉU, com som aberto seguidos ou não de S..

Ex.: herói — coronéis — chapéu — paranóico.

É de se observar que os mesmos ditongos referidos acima, com som fechado, não são acentuados.

Ex.: boi — rei — madeixa — Tadeu — Deus.

OUTRA: Os ditongos IU — UI, tônicos, não são acentuados, mesmo que precedidos de outra vogal I ou U.

Ex.: caiu — atraiu — contribuiu, distribui, distribuiu.

OBS.: Entretanto, quando são precedidos das outras vogais, A — E — O, são acentuadas.

Ex.: Caía, distribuía.

 

USA-SE O ACENTO DIFERENCIAL NAS SEGUINTES PALAVRAS:

 

pôde (passado)                  pode (presente)

pôr (verbo)                         por (preposição)

 

O que se quer diferenciar neste caso, não é o fato de uma palavra ter o som fechado e outra ter o som aberto. Trata-se apenas de diferenciar o O  fechado bem pronunciado do O brando (em Portugal e em muitas regiões do Brasil a preposição é pronunciada pur).

 

ACERTE NA GRAFIA

 

Sobre os verbos TER — VIR — VER e seus derivados.

Tem = terceira pessoa do singular do indicativo do verbo TER.

Têm = terceira pessoa do plural do indicativo do verbo TER.

Vem = verbo VIR — terceira pessoa do singular do indicativo.

Vêm = verbo VIR — terceira pessoa do plural do indicativo.

Vê = verbo VER — terceira pessoa singular do indicativo.

Veem = verbo VER — terceira pessoa plural do indicativo.

Os verbos derivados dos acima citados seguem a mesma regra:

Intervêm — detêm.

Crê = verbo crer — terceira pessoa singular do indicativo.

Creem = verbo crer — terceira pessoa plural do indicativo

Dê = verbo dar — terceira pessoa singular do indicativo.

Deem = verbo dar — terceira pessoa plural do indicativo.

Lê = verbo ler — terceira pessoa singular do indicativo.

Leem = verbo ler — terceira pessoa plural do indicativo.

 

CRASE

 

É a fusão (a contração) da preposição a com o artigo definido feminino a. a + a = à.

Se você escrever fui ao circo, você está dizendo:

Fui a + o circo.

Se você quer dizer:

Vou a + a farmácia

deve escrever:

Vou à farmácia.

Regra básica: o a craseado pode ser usado antes de palavra feminina. Nunca antes de palavra masculina ou de verbo.

Ex: Fui às compras.

      Vou à escola.

      Não vou à aula hoje.

O a craseado também é usado antes de palavra masculina, quando está oculta uma palavra feminina antes da palavra masculina (não se trata de exceção).

Ex.: Corte de cabelo à Pelé. (à moda de Pelé).

       Joelho de porco à Fasano. (à moda do Fasano).

       Escapou de fininho à Miguel (à moda de Miguel).

OBSERVE-SE QUE O A CRASEADO É USADO ERRONEAMENTE EM CARTAZES DE RESTAURANTES E NO COMÉRCIO EM GERAL. USA-SE ERRADAMENTE, REPITO, O A PREPOSIÇÃO SIMPLES COM CRASE, OU AINDA OUTROS ERROS INCRÍVEIS, COMO POR EXEMPLO:

Vou à Curitiba.

Vou à Sertãozinho.

     

Outro erro incrível, sempre visto na televisão e nos jornais:

De segunda à Sábado. Ou De segunda à sexta.

Erradíssimo: O certo é: De segunda a sábado. Ou De segunda a sexta.

UM ERRO TRIPLO:

A CRASE TAMBÉM PODE OCORRER NA FUSÃO DA PREPOSIÇÃO A COM OS PRONOMES DEMONSTRATIVOS AQUELE, AQUELES, AQUELA, AQUELAS, AQUILO.

Ex.: Fui àquele teatro que você me indicou ontem à noite.

       Não prestei atenção àquilo que o professor disse.

       Não voltei mais àquelas paragens.

O mesmo que:

       Fui a aquele teatro…

       Não prestei atenção a aquilo…

       Não voltei mais a aquelas…

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

Nunca se usa crase antes de verbo.

Ex.: Começou a chover forte.

       Encontrei meu amigo a caminhar no pátio.

       Voltei a comprar a mesma marca de automóvel.

Nunca se usa crase antes de pronomes pessoais definidos, indefinidos, e de tratamento.

Ex.: Disse a ele para não voltar lá.

       Devo chegar amanhã a qualquer hora depois das quatro da tarde.

       Quero mostrar a Vossa Excelência os fatos.

Não se usa também a crase antes do artigo indefinido.

Ex.: Entreguei a encomenda a um funcionário.

       Vou a um bar comprar cigarros.

Não confundir com o numeral:

Ex: Chegarei à uma hora.

(No caso acima o a leva crase porque uma é adjetivo numeral.)

Não ocorre também antes de palavras masculinas.

Ex.: Bife a cavalo.

OBS.: Como já observado antes, pode ocorrer a crase antes de palavra masculina, quando estiverem subentendidos ocultamente as expressões à maneira de, à moda de.

Não se trata de exceção. Apenas, o fato é que há uma palavra feminina oculta.

Ex.: Macarronada à Giordano (Macarronada à moda do Giordano).

       Cobrou o escanteio à Ronaldinho (Cobrou o escanteio à maneira de Ronaldinho).

 

ÚLTIMAS RECOMENDAÇÕES:

 

Pode-se crasear ou não antes dos pronomes possessivos: sua, tua, minha (só no singular).

Ex.: Entreguei a tua classe os formulários.

        Entreguei à tua classe os formulários.

        Fui a sua casa e não encontrei ninguém.

        Fui à sua casa e não encontrei ninguém.

        Confiei o recado à minha memória.

        Confiei o recado a minha memória.

Todos os exemplos acima estão certos.

 

CAPÍTULO III

 

ORTOGRAFIA — ORTOEPIA

 

Ortografia é a parte da gramática que estuda a grafia das palavras, isto é, como se escreve.

Ortoepia é a parte da gramática que estuda a maneira correta de se pronunciar as palavras.

 

1 — Uma regra básica.

As palavras derivadas obedecem à grafia das palavras primitivas que lhe deram origem.

Ex.: Luz — luzeiro — luzir.

       Gás — gasolina — gasoduto — gaseificado.

       Juiz — juíza — juízes — juizado.

2 — Escreve-se com Z:

 As palavras constituídas de sufixos que indiquem aumentativo ou diminutivo.

Ex.: sozinho (de só).

       homenzarrão (de homem).

       copázio (de copo).

       cafezinho (de café).

Entretanto, se a palavra primitiva for escrita com a letra S na sílaba final, os aumentativos e diminutivos conservarão o S.

Ex.: pires — piresinho.

 As palavras em que o Z funcionar como elemento de ligação entre o radical e a terminação.

Ex.: café + z + al = cafezal.

        pá + z + ada = pazada.

 Os verbos terminados com som de zer ou zir.

Ex.: fazer — franzir — jazer — cerzir.

Exceção: Coser (costurar). É diferente de cozer (cozinhar)

OBS.: Entende-se por palavras derivadas de outras, as que têm S na sílaba final:

Ex.: análise — analisar.

        pesquisa — pesquisar.

        aviso — avisar.

Os adjetivos derivados de substantivos terminados em CIA ou CIDADE.

Ex.  Velocidade — veloz.

        audácia — audaz.

Os verbos derivados de palavras terminadas em IZ.

Ex.: Cicatriz — cicatrizar.

        Matiz — matizar.

        Raiz — enraizar.

Os substantivos abstratos derivados de adjetivos por meio dos sufixos EZ e EZA.

Pobre — pobreza.

nobre — nobreza.

belo — beleza.

macio — maciez.

3 — Escreve-se com S.

— As partículas ÊS e ESA.

— Em adjetivos pátrios.

Ex.: português — portuguesa

        francês — francesa

        dinamarquês — dinamarquesa.

— Em todos os substantivos que indicam títulos ou profissões.

Ex.: poetisa — marquês — marquesa — gaulês — gaulesa.

— Em adjetivos derivados de substantivos.

Ex.: burguesia — burguês (derivados de burgo).

— Depois do ditongo.

Ex.: pausa — lousa — Neusa.

— As formas dos verbos QUERER, PÔR e derivados.

Ex.: quiseste — puseste — quisera — quis.

— As derivadas de palavras escritas com D.

Ex.: defesa — surpresa — evasão (de defender — surpreender — evadir).

— Nos adjetivos terminados em OSO ou OSA.

Ex.: guloso — gostoso — teimosa — saborosa.

4 — Escreve-se com X.

— Depois de ditongo.

Ex.: baixa — desleixo — rouxinol — encaixe.

— Depois das sílabas iniciais ME — GRA — BRU — EN — ou final L seguida de vogal.

Ex.: mexer — mexerico — graxa — bruxa — enxada — enxame.

Exceções:

Mecha — mechar — enchova — encher (e reflexões desse verbo).

5 — Escreve-se com CH.

— As palavras derivadas de outras iniciadas com CH.

Ex.: enchapelar (de chapéu).

        encharcar (de charco).

A maioria das palavras da língua portuguesa apresenta CH em vez de X, tanto na sílaba inicial como nas sílabas do meio.

Ex.: cheiro — chapéu — chave — chicote — chupeta — mochila — chalé — facho — cacho.

Raramente se começa uma palavra com X. As exceções são os nomes próprios e a palavra xale (agasalho).

6 — Escreve-se com Ç.

— Quando representam som de SS antes das letras A, O e U.

Ex: cabeça, começo, babaçu

Uma regra básica: Nunca se usa o Ç antes de E ou I.

Ex.: cocei — docinho.

Também nunca se começa uma palavra com Ç.

7 — Escreve-se com SS.

Em substantivos derivados de verbos terminados em CEDER, MIR, TIR, DIR.

Em palavras formadas por prefixo terminado em vogal + palavra iniciada em S.

Exemplos:

Interceder — intercessão

ceder — cessão

conceder — concessão

remir — remissão

imprimir — impressão

demitir — demissão

admitir — admissão

agredir — agressão

seguro — resseguro

soar — ressoar.

 

8 — Quando se escreve com Z, X ou S?

Para se saber exatamente quando se deve escrever com as consoantes acima, seria necessário o estudo do Latim e do Grego, de onde se derivam a maioria de nossas palavras. Entretanto, há algumas regras, com exceções naturalmente, que estudaremos abaixo.

O som entre vogais iniciais pode ser representado por:

Z — quando a primeira vogal (antes do Z) for A.

Ex.: azar — azedo, azarão — azia — azul.

Entretanto há várias exceções:

asa — asilo — asilar.

X — quando a primeira vogal (antes do X) for E.

Ex.: exercício — exato — exílio — exemplo.

As exceções: esoterismo — esôfago e derivados.

S — quando a primeira vogal (antes do S) for I, O, U.

Ex.: Isento — usurário — formosa.

Exceções: ozônio — ozena.

 

9 — Quando se escreve com G ou J?

Como foi visto acima, nossas palavras derivam-se do Latim e do Grego. Entretanto, pode-se afirmar com certeza, as palavras indígenas são escritas com J, pois não há o G no alfabeto tupi-guarani.

Ex.: canjica — Moji-Mirim — jiboia — caju — jenipapo — pajé.

Só muita leitura leva alguém a ficar familiarizado com o uso dessas letras, ou ainda a consulta ao dicionário, que deve ser um hábito constante do estudioso.

Algumas palavras escritas com G ou J:

agitar — jeito — gíria — estrangeiro — sugestionar — agir — cajado.

Fala-se aqui das palavras onde o J ou G vêm antes das vogais E ou I.

Quando vêm antes de A, O ou U, o som já está definido. O G tem o som de guê.

Ex.: gaita — seguro — goma — goteira.

 

10 — A seguir relacionamos palavras que se escreve com:

 

X:

 

Exterior — extenso — expedir — expedição — extinto — expectador — explícito — exceção — extremo — expectorante — expensas — expelir — expoente — externo — exterminar — extrato — extravagância — extrovertido.

Obs.: Externo = de fora.

          Esterno = osso do corpo humano.

          Expectador = aquele que espera.

          Espectador = aquele que assiste (à televisão, espetáculo etc.).

 

11 — Palavras com duas ou mais formas de se escrever e pronunciar.

 

Há várias palavras em nossa língua, que podem ser escritas e faladas de duas formas e até mais. Vejamos abaixo:

cousa                             — coisa.

louro                             — loiro.

assobio                         — assovio.

bêbado                         — bêbedo.

levantar                        — alevantar.

costumar                     — acostumar.

carroçaria                    — carroceria.

chipamzé                     — chimpanzé.

cotidiano                      — quotidiano.

diferenciar                   — diferençar.

infarto                           — enfarte — infarte.

mobiliar                       — mobilar.

porcentagem               — percentagem.

quota                             — cota.

surrupiar                      — surripiar.

transpassar                   — traspassar — trespassar.

 

Obs.: Adquira sempre o hábito de consultar o dicionário. Não fique na dúvida.

 

CAPÍTULO IV

 

SEMÂNTICA

 

É o estudo do significado da palavra, que nos explica a origem e as variações da significação vocabular. O mesmo que semasiologia, sematologia ou semiologia.

 

1 — Homófonos

 

São os vocábulos que têm o mesmo som, grafias diferentes e significado diferente.

Ex.:

Seção (departamento, setor, divisão): Procure ternos e camisas na seção de confecções.

Sessão (espaço de tempo): Assisti ao filme na sessão das dez. — A reunião com o tenente foi uma sessão de balística.

Cessão (do verbo ceder): O escritor fez uma cessão de direitos em benefício da mulher e dos filhos.

Essas palavras são homófonas. Há que se prestar atenção no sentido, no significado da palavra, para se escrever corretamente. Outros exemplos:

Censo (alistamento geral da população): O censo, este ano, vai se atrasar.

Senso (ato de raciocinar): Ele não teve bom senso suficiente ao escolher seus comandados.

Trás (adv. e prep., após, depois): Não percebeu o que havia por trás da proposta.

Traz (do verbo trazer): Ela sempre traz sua Bíblia, quando vem à igreja.

Conserto (do verbo consertar): O mecânico consertou o carburador muito mal.

Concerto (sessão musical, harmonia): A orquestra filarmônica promoveu ontem um concerto grátis.

Sexta (relativo ao seis): A sexta nota musical é o Lá.

Cesta (utensílio de vime ou palha para transporte): Ela deixou cair a cesta por causa do susto que levou.

 

2 — Homógrafos

 

São vocábulos que têm a mesma grafia,  significados diferentes e pronúncias diferentes.

Alguns exemplos:

Acordo (do verbo acordar, despertar): Eu sempre acordo às oito (aqui a palavra tem o som aberto).

Acordo (contrato verbal): O acordo não foi satisfatório para as partes (aqui o vocábulo tem o som fechado).

Cerca (do verbo cercar — o e é pronunciado com som aberto): Ela cerca todas as probabilidades.

Cerca (tapume, muro — o e é pronunciado com som fechado): Ele pulou a cerca para fugir do touro.

Obs.: Há vocábulos, ainda, que são homógrafos e homófonos ao mesmo tempo. São as palavras que são escritas com a mesma grafia, são pronunciadas da mesma maneira, mas têm o sentido diferente. Exemplos:

Rodeio (do verbo rodear): Eu sempre rodeio o circo, mas não tenho coragem de entrar.

Rodeio (competição de peões com cavalos e touros): Quem compete num rodeio tem que ter muita coragem.

 

3 — Parônimos

 

São vocábulos de pronúncia parecida, com grafia e sentidos diferentes.

Alguns exemplos:

Cumprida (do verbo cumprir): Considero cumprida a tarefa.

Comprida (referente ao tamanho): Ela tem a língua comprida.

Descrição (relato): A descrição que ele fez não estava muito clara.

Discrição (discernimento, agir com circunspeção, modéstia): Ele não agiu com muita discrição.

Tráfego (referente ao trânsito): O tráfego da Via Anchieta está sempre congestionado.

Tráfico (referente ao comércio, negócio indecoroso): Aquele sujeito está envolvido com o tráfico de escravas brancas.

 

CAPÍTULO V

 

SUJEITO E PREDICADO

 

Considerações gerais — Conceito

 

Sujeito: é o termo da oração que pratica a ação declarada pelo predicado.

Predicado: é o termo da oração que, através de um verbo, declara uma ação sobre o sujeito.

Ex.: A moça do balcão me atendeu sem avental e com as mãos sujas.

Sujeito: A moça do balcão.

Predicado: me atendeu sem avental e com as mãos sujas.

Os critérios para se localizar o sujeito de uma oração são os seguintes:

concordância: o verbo está sempre na mesma pessoa e número que o sujeito.

Ex.: Eu pretendo viajar hoje.

posição: o sujeito quase sempre vem antes do verbo, mas mesmo que venha depois, pode ser transposto para antes.

Ex.: Queria eu que não chovesse hoje (Eu queria que não chovesse hoje).

troca: quando o núcleo do sujeito é um substantivo, pode ser trocado pelos pronomes ele, ela, eles, elas.

Ex;: O carro estava na contramão (Ele estava na contramão).

 

Tipos de sujeito

 

Sujeito determinado: quando está bem claro na oração, e pode ser localizado.

Ex.: Ele não se interessou pela proposta.

O sujeito determinado pode ser ainda:

simples: tem apenas um núcleo.

Ex.: As frutas estavam maduras.

composto: tem mais de um núcleo.

Ex.: Os abacaxis e as bananas não estavam bons.

O sujeito determinado pode não estar explícito na oração, mas mesmo assim ele pode ser reconhecido. Costuma-se chamar de sujeito implícito, ou sujeito elíptico ou ainda sujeito oculto.

Ex.: Convertei-vos, ó infiéis (o sujeito é vós, implícito e reconhecido pela desinência verbal).

Sujeito indeterminado: quando sabemos que existe um sujeito, mas não podemos identificar quem é.

Ex.: (?) Fizeram de tudo para demover o suicida de seu propósito.

Ocorre que, às vezes, o verbo está na terceira pessoa do plural, referindo-se a elementos de uma oração anterior. Neste caso o sujeito é considerado determinado implícito pela desinência verbal.

Ex.: Os metalúrgicos recusaram a proposta dos patrões. Acharam o reajuste muito baixo.

No exemplo acima o sujeito, na segunda oração, é  eles (os metalúrgicos).

 

O SE como partícula apassivadora

 

O pronome se funciona como partícula apassivadora. Isso quer dizer que o verbo, na terceira pessoa do singular ou plural, passa para a voz passiva.

A condição para que isso ocorra:

— o verbo vem na terceira pessoa do singular ou plural.

— pronome se.

— um substantivo ou palavra equivalente não vem precedido de preposição.

— é possível formar-se a frase com o verbo ser.

Ex.: Discutiu-se a proposta.

A proposta foi discutida.

Sujeito determinado simples: a proposta.

Verbo na terceira pessoa: foi discutida.

 

O SE como índice de indeterminação do sujeito

 

Neste caso ocorre a seguinte estrutura:

— verbo na terceira pessoa do singular.

— pronome se.

— não há um substantivo sem preposição que possa ser colocado como sujeito do verbo na voz passiva analítica.

Ex.: Discordou-se da proposta.

Sujeito: indeterminado.

Verbo na voz ativa: discordou.

Neste último caso o sujeito é indeterminado. A diferença, nos exemplos apresentados está só na preposição de + a = da (contração).

 

Sujeito inexistente: ocorre quando não existe elemento ao qual o predicado se refere.

O verbo que não tem sujeito chama-se impessoal. Os mais comuns são: ser, haver, chover, trovejar etc.

Ex.: Era tarde da noite.

        Choveu bastante esta tarde.

        Houve poucas ausências no vestibular.

        São três horas.

        Trovejou muito.

 

Termos associados ao nome e ao verbo

 

Considerações gerais — conceito

 

Considera-se núcleo do sujeito a palavra principal, geralmente um substantivo.

O núcleo do predicado é o verbo.

Ex.: O noivo não compareceu ao altar.

Sujeito: O noivo.

Predicado: não compareceu ao altar.

Núcleo do sujeito: noivo.

Núcleo do predicado: compareceu.

No exemplo acima há termos associados ao verbo. Mas pode haver casos em que a oração tem só o núcleo do sujeito e do predicado.

Ex.: Assaltos ocorreram.

O núcleo do sujeito é assaltos e o núcleo do predicado é ocorreram.

Entretanto, as orações, geralmente, não são tão simples assim, e, para se fazer uma análise sintática, temos que considerar:

— termos associados a nomes.

— termos associados a verbos.

A partir disso, dividimos as palavras da oração em nomes e verbos.

Para se distinguir os nomes dos verbos deve-se levar em consideração que o verbo pode ser flexionado em gênero, número e tempo, enquanto que o nome só pode ser flexionado em gênero e número.

Vamos dar novo exemplo, mais complexo:

Ex.: Graves assaltos a bancos ocorreram neste fim de semana no Rio de Janeiro.

Nota-se que, tanto no sujeito como no predicado, qualquer palavra da oração está associada a outra. Assim é que:

Graves, está associada a assaltos. Assaltos, está associada ao termo a bancos.

No predicado, ocorreram está associada a neste fim de semana, e no Rio de Janeiro, está associada a ocorreram.

Um termo ou vem associado a um verbo ou vem associado a um nome.

Quando um termo vem associado a um nome, desempenha uma das seguintes funções:

adjunto adnominal

predicativo

complemento nominal

aposto.

 

Adjunto adnominal

 

— Quanto à relação: vem sempre associado a um nome.

— Quanto à forma: liga-se ao nome, com ou sem preposição, sem a mediação do verbo.

— Quanto ao valor: é um atributo que qualifica e caracteriza o nome a que se refere.

Ex.: Os bons alunos saíram da escola.

Os = adjunto adnominal.

Bons = adjunto adnominal.

alunos = nome.

 

Predicativo

 

— Quanto à relação: vem sempre associado a um nome.

— Quanto à forma: liga-se ao nome, com ou sem preposição, sempre através do verbo.

— Quanto ao valor: é um atributo que qualifica e caracteriza o nome a que se refere.

Basicamente o predicativo difere do adjunto adnominal apenas quanto à forma: enquanto que o adjunto adnominal não precisa da mediação do verbo, o predicativo precisa ser caracterizado pelo verbo.

Ex.: Os alunos saíram da escola bons.

Nome: alunos.

Verbo: saíram.

Predicativo: bons.

No exemplo do adjunto adnominal, o bons é entendido como qualidade própria dos alunos: os alunos já eram bons quando entraram na escola.

Já no exemplo do bons como predicativo, note-se que, de acordo com o verbo, subentende-se que os alunos não entraram na escola bons.

Obs.: como o predicativo se liga ao nome sempre através do verbo, faz uma atribuição marcada pelo tempo verbal.

Exemplos:

a) Os alunos saíram da escola bons.

b) Os alunos sairão da escola bons.

No exemplo a, a qualidade bons ocorre no momento em que saíram da escola, enquanto que no exemplo b a qualidade bons vai ocorrer aos alunos quando saírem (no futuro).

Repasse bem essas duas lições, adjunto adnominal e predicativo, para entender bem a diferença entre os dois.

 

Tipos de predicativo

 

Predicativo do sujeito: é aquele que, sempre através de um verbo, faz uma atribuição ao sujeito da oração.

Ex.: A ré permanecia em silêncio.

Sujeito: A ré.

verbo: permanecia.

predicativo do sujeito: em silêncio.

 

Predicativo do objeto: é aquele que, através de um verbo, faz uma atribuição ao objeto.

Ex.: O Estado Maior julgou incompetente o bravo capitão.

Sujeito: O Estado Maior.

Verbo transitivo direto: julgou.

Predicativo do objeto: incompetente.

Adjuntos adnominais: o bravo.

Objeto direto: capitão.

Obs.: Para se ter um bom artifício para reconhecer o predicativo, basta passar o exemplo acima para a voz passiva: neste caso o predicativo do objeto se transforma em predicativo do sujeito.

Ex.: O bravo capitão foi julgado incompetente pelo Estado Maior.

Adjuntos adnominais: o bravo.

Núcleo do sujeito: capitão.

Verbo transitivo direto na voz passiva: foi julgado.

Predicativo do sujeito: incompetente.

Agente da voz passiva: pelo Estado Maior.

 

Complemento nominal

 

Quanto à relação: vem sempre associado a um nome de significação transitiva.

Quanto à forma: liga-se ao nome sempre através de preposição.

Quanto ao valor: indica o alvo ou o ponto sobre o qual recai a ação do nome, do adjetivo ou do advérbio.

Obs.: Note-se que aí está a diferença entre o adjunto adnominal e o complemento nominal. O adjunto adnominal só se liga a um nome.

Exemplos de complemento nominal:

— Os grevistas protestavam contra a poluição da cidade.

Nome de significação transitiva: poluição.

Complemento nominal: da cidade. (Indica sobre quem recaiu a poluição).

 

Aposto

 

— Quanto à relação: vem sempre associado a um nome.

— Quanto à forma: liga-se ao nome sem preposição, a não ser que uma preposição faça parte do próprio aposto.

— Quanto ao valor: identifica ou apelida o nome a que se associa, estabelecendo uma relação de equivalência.

Ex.: O ladrão, useiro e vezeiro, foi preso outra vez.

Ex.: Os pracinhas brasileiros, em guarda da pátria, foram homenageados.

 

Termos associados ao verbo

 

Quando um termo vem associado a um verbo, desempenha uma das seguintes funções:

— objeto direto

— objeto indireto

— agente da voz passiva

— adjunto adverbial.

Termos associados ao verbo

Para se ter noção dos termos associados ao verbo é preciso antes se conhecer a transitividade e a intransitividade dos verbos.

Verbo transitivo: é aquele cuja ação transita de um agente para um paciente ou um destinatário.

Ex.: As ondas avançaram o calçadão.

— As ondas — agente.

avançaram — ação transitiva.

— o calçadão — paciente.

Ex.: Os terroristas atacaram o prédio.

— Os terroristas — agente.

atacaram — ação transitiva.

— o prédio — paciente.

Pré-requisitos para o verbo transitivo: um agente de um lado e um paciente ou destinatário de outro.

Verbo intransitivo: é aquele que não transita, não passa de um polo para outro. Não há ação em oposição entre agente e paciente. Não requer objeto direto nem indireto.

Ex.: O trem apitou.

— O trem — agente.

— apitou — ação intransitiva.

— não há paciente ou destinatário.

A partir dessas noções podemos definir os termos associados ao verbo.

Os termos a seguir serão definidos em função de três critérios:

Quanto à relação: a que termo da oração um elemento está associado.

Quanto à forma: de que maneira um termo está associado a outro (com preposição, sem preposição etc.).

— Quanto ao valor: qual o papel que um determinado termo está desempenhando na frase (caracterização, explicação, complementação etc.)

 

Objeto direto

 

Quanto à relação: vem sempre associado a um verbo transitivo direto.

Quanto à forma: liga-se ao verbo sem preposição exigida por este.

Quanto ao valor: indica o paciente, o alvo ou o elemento sobre o qual recai a ação do verbo.

Ex.: Os bois de raça comem ração.

Sujeito: Os bois de raça.

Verbo transitivo direto: comem.

Objeto direto: ração.

 

Objeto indireto

 

Quanto à relação: vem sempre associado a um verbo transitivo indireto.

Quanto à forma: liga-se ao verbo através de preposição obrigatoriamente exigida por este.

Quanto ao valor: indica o paciente ou o destinatário da ação verbal.

Ex.: O chefe gostou do relatório.

Sujeito: O chefe.

Verbo transitivo indireto: gostou (ação transitiva).

Objeto indireto: do relatório (paciente da ação).

Outro ex.:

Os pássaros voaram para longe.

Sujeito: Os pássaros.

Verbo transitivo: voaram (ação transitiva).

Objeto indireto: para longe (destinatário da ação).

 

Agente da voz passiva

 

Quanto à relação: vem sempre associado a um verbo transitivo na voz passiva.

Quanto à forma: liga-se ao verbo sempre através de preposição (por, pelo, pela).

Quanto ao valor: indica o elemento que executa a ação verbal.

Ex.: Os carros foram consertados pelo mecânico.

Sujeito: Os carros.

Verbo transitivo: foram consertados (na voz passiva).

Agente da voz passiva: pelo mecânico (executor da ação verbal).

 

Adjunto adverbial

 

Quanto à relação: vem associado a verbo, adjetivo ou advérbio e pode também referir-se a todo o conjunto da oração.

Quanto à forma: liga-se a esses elementos com ou sem preposição.

Quanto ao valor: indica circunstância aos elementos a que se refere (lugar, tempo, modo).

Não é o agente nem o alvo do processo verbal.

Ex.: Edgar pagou o empréstimo no vencimento.

Edgar: Sujeito.

Pagou: verbo transitivo.

O empréstimo: objeto direto.

Adjunto adverbial: no vencimento (tempo).

 

CAPÍTULO VI

 

CONCORDÂNCIA VERBAL

 

Concordância verbal é a concordância que se faz entre o sujeito e o verbo, ou entre o verbo e o predicado.

Sujeito é aquele que pratica a ação.

Verbo é a ação.

Predicado é aquilo que se fala sobre o sujeito.

 

1 —  Regra principal

O verbo tem que concordar com a pessoa e número (singular ou plural) com o sujeito.

Ex.: Eu gosto de frutas (sujeito: eu, verbo: gosto).

        A convenção não será adiada (sujeito: a convenção, verbo: será).

        O presidente vetou o projeto (sujeito: o presidente, verbo: vetou).

        As irmãs fundaram um asilo (sujeito: as irmãs, verbo: fundaram).

Como se vê acima, o verbo sempre concorda em número e pessoa com o sujeito.

 

2 —  Sujeito composto

É quando há mais de um sujeito.

2.1 — Quando os elementos do sujeito forem sinônimos ou de significado semelhante, o verbo vai para o plural.

Ex.: Preguiça e desânimo eram uma constante.

2.2 — Quando os elementos do sujeito estão separados por vírgulas, indicando uma gradação, o verbo concorda com o último elemento.

Ex.: Chuva, vento, nebrasca ou a escuridão não impediu que ele saísse.

2.3 — Quando o sujeito for uma sequência seguida por um pronome indefinido (tudo, nada, ninguém, alguém), o verbo fica no singular, concordando com o pronome.

Ex.: Destroços, desânimo, feridos, tudo apresentava um quadro triste.

No caso do exemplo acima, o sujeito passou a ser tudo. Entretanto, se não houvesse a palavra tudo, seria diferente:

Ex.: Destroços, desânimo, feridos, eram o quadro que se apresentava.

 

Para que se aprenda a falar e escrever corretamente, lembre-se sempre que a leitura é o melhor meio. Leia tudo que puder: livros, revistas, jornais etc.

 

CAPÍTULO VII

 

CONCORDÂNCIA NOMINAL

 

1 — Regra primordial

 

O adjetivo, o artigo ou o pronome, concorda sempre com o substantivo em gênero e número.

Ex.: Parede vermelha.

        Bar escuro.

        Casa deserta.

        O restaurante.

        A solidão.

        Os seresteiros.

        As verbas.

        Bares escuros.

        Paredes amarelas.

        Casas cheias.

 

Há adjetivos em que o masculino e feminino são iguais, mesmo no plural.

Ex.: igual — iguais — fácil — fáceis — difícil — difíceis — pobre — pobres:

       Minha casa é igual à do vizinho.

       Esta é uma tarefa fácil.

       Essa gente pobre.

       Os cadernos eram todos iguais.

       As tarefas são difíceis.

       Os livros eram distribuídos aos deficientes pobres.

 

CAPÍTULO VIII

 

VERBOS

 

Do ponto de vista semântico, verbo é a classe de palavras que designa um processo ou um estado.

Ex.: O feirante vendeu tudo (processo).

        Hoje choveu mais do que ontem (processo).

        Ela estava muito bonita com aquela roupa (estado).

Do ponto de vista sintático, verbo é a palavra pela qual se realizam atribuições ao sujeito da oração. É indispensável a qualquer ato de predicação.

Ex.: A casa velha    desmoronou de uma vez.

        Sujeito              predicado (desmoronou — verbo)

Do ponto de vista morfológico, o verbo apresenta desinências típicas que indicam pessoa, número, tempo e modo.

Ex.: Quiséssemos —  sse   =   desinência que indica tempo imperfeito do modo  subjuntivo. — mos  =  desinência que indica primeira pessoa do número — plural.

O verbo é a única classe gramatical que se enquadra na categoria tempo.

 

Subclassificação do verbo

 

Regular: É o verbo cujo radical não se altera e cujas terminações segue o modelo da conjugação a que pertence.

Ex.: Verbo andar:

Tempo presente:    Radical             terminação

                                   and                        o

                                   and                        as

                                   and                        a

                                   and                        amos

                                   and                        ais

                                   and                        am

 

Tempo perfeito:     and                         ei

                                   and                         aste

                                   and                         ou

                                   and                         amos             

                                   and                         astes

                                   and                         aram.

Quando o verbo for regular no presente e no perfeito do indicativo, será regular nas demais formas.

Irregular: É o verbo cujo radical se altera ou cujas terminações não obedecem o modelo da conjugação a que pertence.

Ex.: Verbo ouvir — ouço, ouves, ouve etc.

Há verbos que, ao contrário do verbo ouvir que só se altera no radical da primeira pessoa do singular do presente do indicativo, altera-se na terminação.

Ex.: Verbo estar. Neste caso, no presente do indicativo, o radical não se altera, mas a terminação sim: Estou, estás, está etc.

Verbo anômalo: É aquele onde se alteram os radicais e as terminações.

Ex.: Verbo ser — sou, és, é, somos, sois, são. (Como se nota, variam o radical e as terminações. No perfeito: fui, foste, foi. No imperfeito: era, eras, era.

Verbo defectivo: É aquele que não pode ser conjugado em todas as pessoas.

Ex.: Abolir — não pode ser conjugado na primeira pessoa do singular. Estão ainda nessa categorias seguintes: chover, nevar, banir, colorir, demolir e outros.

Não dá para se dizer, por exemplo: Eu, como presidente, abulo essa lei (errado).

Neste caso, há que se apelar para um truque de linguagem. Por exemplo: Eu, como presidente, resolvi abolir  essa lei.

Eu coloro, também não é possível. Então:  Eu vou colorir essa gravura.

 

Verbo auxiliar: É o verbo que é desprovido total ou parcialmente de sentido próprio. Neste caso tem que se juntar a outro para formar uma unidade de significado. Forma, assim, uma locução verbal.

Entram nessa categoria os verbos ir, ser, estar, haver, vir, começar, acabar.

Ex.: Já vou chegando.

        vou partir.

        Ele vai falar.

        Ele ficou zangado.

        Eu já tinha falado.

        Eu já havia falado.

        Começa a chover.

        Continua chovendo.

Note-se, pelos exemplos, que o verbo auxiliar é conjugado, enquanto que o verbo principal (aquele que dá sentido à locução verbal) permanece sempre no gerúndio, infinitivo ou particípio.

 

Verbo abundante: É o verbo que, em algumas pessoas pode apresentar formas diversas.

Ex.: vós haveis ou vós heis.

A abundância se revela principalmente no particípio: um particípio regular, terminado em do; outro irregular.

Ex.:          Verbo                Regular                   Irregular

                 acender             acendido                 aceso

                 benzer               benzido                    bento

                 entregar            entregado                entregue 

                 enxugar             enxugado                enxuto

                 isentar               isentado                   isento

                 incorrer             incorrido                 incurso

                 ganhar               ganhado                  ganho

                 morrer               morrido                   morto

                 pagar                 pagado                     pago

                 submergir         submergido            submerso

 

Formas rizotônicas

São aquelas cuja sílaba tônica está no radical.

Ex.: Fal-o.

        fal-as.

        fal-a.

        fal-am.

Formas arrizotônicas

São aquelas cuja sílaba tônica está fora do radical, na desinência.

Ex,: Fal-amos.

        fal-ais.

 

Conjugação verbal

 

Conjugar um verbo é flexionar esse verbo em seus tempos, modos, pessoa e número.

Na conjugação do verbo, certas formas dão origem a outras. Assim distinguem-se as formas primitivas e as formas derivadas.

O presente do indicativo, por exemplo, é um tempo primitivo, pois dele deriva outros.

Presente do indicativo

                                     Exemplos

Desinências              andar                comer                    partir.

       o                           and-o                com-o                    part-o.

       s                            anda-s               come-s                  parte-s.

       -                            anda                  come                      parte.

       mos                      anda-mos         come-mos             parti-mos.

       is                          anda-is              come-is                  part-is.

       m                         anda-m              come-m                 parte-m.

Entre o radical ocorrem vogais temáticas, designando a primeira, segunda e terceira conjugação.

— A — para os verbos da primeira conjugação (ar).

— E — para os verbos da segunda conjugação (er).

— O — para os verbos da segunda conjugação (or).

— I — para os verbos da terceira conjugação (ir).

Obs.: — A vogal temática pode sofrer alterações de natureza fonética. No caso do verbo partir. Por exemplo, o I se alterna com o E.

          — O presente do indicativo é o único tempo verbal, onde a desinência da primeira pessoa do singular é O, sendo isso uma marca para distingui-lo dos demais.

          — A terceira pessoa do singular não tem desinência, sendo por isso chamada desinência zero.

São poucos os verbos que não vêm marcados pela desinência O, na primeira pessoa do presente do indicativo.

Ex.:    Dar                 dou

           estar               estou

           haver              hei

           ir                     vou

           ser                  sou

           saber              sei.

 

Tempos derivados do presente do indicativo

 

Presente do subjuntivo

 

É formado, substituindo-se a desinência O da primeira pessoa do presente do indicativo, pelas terminações próprias do presente do subjuntivo.

Terminações do presente do subjuntivo:

e, es, e, emos, eis, em — para os verbos da primeira conjugação (ar).

a, as, a, amos, ais, am — para os verbos da segunda e terceira conjugação (er — ir).

Nas terminações do presente do subjuntivo, incluem-se:

— desinência de tempo e modo: e ou a.

— desinência de pessoa e número: Zero - s — zero - mos — is (ou des) - m.

Ex.:              Andar                 vender                    partir

                     and-e                   vend-a                    part-a

                     and-es                 vend-as                   part-as

                     and-e                   vend-a                    part-a

                     and-emos            vend-ais                  part-ais

                     and-em               vend-am                  part-am

Obs.: Alguns verbos não seguem esse esquema. É o caso dos seguintes: dar, estar, haver, ir, saber, ser.

 

Imperativo

 

— As segundas pessoas, do singular e do plural, vêm das mesmas pessoas do presente do indicativo, subtraindo-se o s.

— As demais pessoas, sem alteração, provêm do presente do subjuntivo.

 

Imperativo negativo

 

É igual ao presente do subjuntivo, precedido de negação (não).

Os verbos ser, dizer, trazer, fazer, têm formas diversas à regra, alguns apresentando até duas formas.

Ex.: tu

        sede vós

        diz tu ou dize tu

        traz tu ou traze tu.

(Na Bíblia se vê muito essa segunda forma: sede, dize, traze).

 

Apenas como exercício de fixação, damos abaixo a conjugação de alguns verbos, no infinitivo impessoal, presente do indicativo e perfeito do indicativo.

 

Abençoar

Presente ind.: abençoo, abençoas, abençoa, abençoamos, abençoais, abençoam.

Perfeito ind.: abençoei, abençoaste, abençoou, abençoamos, abençoastes, abençoaram.

Da mesma forma conjugam-se também os verbos perdoar, voar, enjoar.

Abolir

Presente ind.: tu aboles, ele abole, nós abolimos, vós abolis, eles abolem

Perfeito ind.: aboli, aboliste, aboliu, abolimos, abolistes, aboliram.

Obs.: Esse verbo (defectivo) não possui a primeira pessoa do singular do presente do indicativo. Não terá também nenhuma forma do presente do subjuntivo, nem do imperativo negativo. Do imperativo afirmativo, terá apenas as segundas pessoas, que se derivam do presente do indicativo.

Da mesma forma que o verbo abolir, conjugam-se os verbos banir, demolir, exaurir, extorquir, colorir, emergir, urgir.

Aderir

Presente ind.: aderes, adere, aderimos, aderis, aderem.

Perfeito ind.: aderi, aderiste, aderiu, aderimos, aderistes, aderiram.

Da mesma forma que o verbo aderir, conjugam-se os verbos digerir, repelir, aferir, diferir, sugerir, interferir.

Agir

Presente ind.: ajo, ages, age, agimos, ages, agem.

Perfeito ind.: agi, agiste, agiu, agimos, agistes, agiram.

Obs.: O verbo agir não é irregular. Apenas há necessidade de se mudar o g para j antes de a ou o.

Da mesma forma que o verbo agir, conjugam-se os verbos afligir, erigir, ungir, restringir, coagir, refulgir, transigir, surgir.

Agredir

Presente ind.: agrido, agrides, agride, agredimos, agredir, agridem.

Perfeito ind.: agredi, agrediste, agrediu, agredimos, agredistes, agrediram.

Como o verbo agredir, conjugam-se os verbos progredir, regredir, transgredir.

Aguar

Presente ind.: águo, águas, água, aguamos, aguais, águam.

Perfeito ind.: aguei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram.

Seguem a mesma linha os verbos minguar, desaguar, enxaguar.

Arguir

Presente ind.: arguo, argúis, argúi, arguimos, argúis, argúem.

Perfeito ind.: argui, arguiste, arguiu, arguimos, arguístes, arguiram.

Atrair

Presente ind.: atraio, atrais, atrai, atraímos, atraís, atraem.

Perfeito ind.: atraí, atraíste, atraiu, atraímos, atraístes, atraíram.

Como atrair, conjugam-se os verbos abstrair, cair, subtrair, sair, esvair-se.

Atribuir

Presente ind.: atribuo, atribuis, atribui, atribuímos, atribuís, atribuem.

Perfeito ind.: Atribuí, atribuíste, atribuiu, atribuímos, atribuístes, atribuíram.

Da mesma forma se conjugam os verbos afluir, destituir, excluir, concluir, estatuir, instruir, usufruir, substituir, destruir.

Averiguar

Presente ind.: averiguo (ú), averiguas (ú) , averigua (ú), averiguamos, averiguais, averiguam (ú).

Perfeito ind.: averiguei, averiguaste, averiguou, averiguamos, averiguastes, averiguaram.

Assim também se conjuga o verbo apaziguar.

Caber

Presente ind.: caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis, cabem.

Perfeito ind.: coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes, couberam.

Cear

Presente ind.: ceio, ceias, ceia, ceamos, ceais, ceiam.

Perfeito ind.: ceei, ceaste, ceou, ceamos, ceastes, cearam.

Todos os verbos terminados em ear conjugam-se da mesma forma: passear, falsear, arrear, frear, rodear etc.

Comerciar

Presente ind.: comercio, comercias, comercia, comerciamos, comerciais, comerciam.

Perfeito ind.: comerciei, comerciaste, comerciou, comerciamos, comerciastes, comerciaram.

Da mesma forma se conjugam os verbos terminados em iar: anunciar, anuviar, evidenciar, licenciar, iniciar, arriar.

Obs.: Há cinco verbos que terminam em iar que não seguem o modelo acima, mas os dos verbos terminados em ear.  São os seguintes: mediar, ansiar, remediar, incendiar e odiar.

Crer

Presente ind.: creio, crês, crê, cremos, credes, creem.

Perfeito ind.: cri, creste, creu, cremos, crestes, creram.

Imperfeito ind.: cria, crias, cria, críamos, críeis, criam.

Dar

Presente ind.: dou, dás, dá, damos, dais, dão.

Perfeito ind.: dei, deste, deu, demos, destes, deram.

Presente subjuntivo: dê, dês, dê, demos deis, deem.

Distinguir

Presente ind.: distingo, distingues, distingue, distinguimos, distinguis, distinguem.

Perfeito ind.: distingui, distinguiste, distinguiu, distinguimos, distinguistes, distinguiram.

Da mesma forma se conjuga o verbo extinguir.

Dizer

Presente ind.: digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem.

Perfeito ind.: disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram.

Os derivados deste verbo também se conjugam da mesma forma: predizer, desdizer etc.

Fazer

Presente ind.: faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem.

Perfeito ind.: fiz, fizeste, fez, fizemos, fizestes, fizeram.

Ficar

Presente ind.: fico, ficas, fica, ficamos, ficais, ficam.

Perfeito ind.: fiquei, ficaste, ficou, ficamos, ficastes, ficaram.

Como ficar conjugam-se os verbos abdicar, verificar, retificar.

Haver

Presente ind.: hei, hás, há, havemos, haveis, hão.

Perfeito ind.: houve, houveste, houve, houvemos, houvestes, houveram.

Presente subjuntivo: haja, hajas, haja, hajamos, hajais, hajam.

Ir

Presente ind.: vou, vais, vai, vamos, vais, vão.

Perfeito ind.: fui, foste, foi, fomos, fostes, foram.

Presente subjuntivo: vá, vás, vá, vamos, vades, vão.

Medir

Presente ind.: meço, medes, mede, medimos, medis, medem.

Perfeito ind.: medi, mediste, mediu, medimos, medistes, mediram.

Da mesma forma conjugam-se pedir, expedir, despedir.

Ouvir

Presente ind.: ouço, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem.

Perfeito ind.: ouvi, ouviste, ouviu, ouvimos, ouvistes, ouviram.

Poder

Presente ind.: posso, podes, pode, podemos, podeis, podem.

Perfeito ind.: pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam.

Obs.: O acento em pôde é exceção. Só se usa na terceira pessoa do singular do perfeito do indicativo, para distinguir de pode, com som aberto, da terceira pessoa do singular do presente do indicativo.

Pôr

Presente ind.: ponho, pões, põe, pomos, pondes, põem.

Perfeito ind.: pus, puseste, pôs, pusemos, pusestes, puseram.

Imperfeito ind.: punha, punhas, punha, púnhamos, púnheis, punham.

Como pôr, conjugam-se todos os verbos terminados em por: depor, antepor, repor, dispor, indispor, predispor, justapor, supor, pressupor, compor, recompor, expor, descompor, opor, transpor, propor, decompor etc.

Obs.: O verbo pôr e seus derivados pertencem à segunda conjugação, em virtude de ter sua origem do latim poere.

Precaver-se

Presente ind.: só se conjuga na primeira e segunda pessoas do plural: precavemo-nos, precaveis-vos.

Perfeito ind.: precavi-me, precaveste-te, precaveu-se, precavemo-nos, precavestes-vos, precaveram-se.

É um verbo defectivo. Não se conjuga no subjuntivo nem no imperativo negativo. No imperativo afirmativo, só possui a segunda pessoa do plural.

Numa ginástica de linguagem, pode-se substitui-lo por precatar-se, acautelar-se ou prevenir-se.

Prover

Presente ind.: provejo, provês, provê, provemos, provedes, proveem.

Perfeito ind.: provi, proveste, proveu, provemos, provestes, proveram.

Obs.: Esse verbo, derivado de ver, não o segue no perfeito do indicativo, onde é regular. A terceira pessoa do singular é proveu mesmo, embora possa parecer diferente.

Reaver

Presente ind.: reavemos, reaveis (só possui a primeira e segunda pessoas do plural).

Perfeito ind.: reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouveram.

Requerer

Presente ind.: requeiro, requeres, requer, requeremos, requereis, requerem.

Perfeito ind.: requeri, requereste, requereu, requeremos, requerestes, requereram.

Ser

Presente ind.: sou, és, é, somos, sois, são.

Perfeito ind.: fui, foste, foi, fomos, fostes, foram.

Imperfeito ind.: era, eras, era, éramos, éreis, eram.

Presente subjuntivo: seja, sejas, seja, sejamos, sejais, sejam.

Imperativo afirmativo: é, sê, seja, sejamos, sede, sejam.

Ter

Presente ind.: tenho tens tem, temos, tendes, têm.

Perfeito ind.: tive, tiveste, teve, tivemos, tivestes, tiveram.

Imperfeito ind.: tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham.

Trazer

Presente ind.: trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem.

Perfeito ind.: trouxe, trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes, trouxeram.

Valer

Presente ind.: valho, vales, vale, valemos, valeis, valem.

Perfeito ind.: vali, valeste, valeu, valemos, valestes, valeram.

Presente subjuntivo: valha, valhas, valha, valhamos, valhais, valham.

Ver

Presente ind.: vejo, vês, vê, vemos, vedes, veem.

Perfeito ind.: vi, viste, viu, vimos, vistes, viram.

Futuro do subjuntivo: vir, vires, vir, virmos, virdes, virem.

Como o verbo ver conjugam-se os verbos antever, entrever, prever, rever etc.

Vir

Presente ind.: venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm.

Perfeito ind.: vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram.

Imperfeito ind.: vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham.

Da mesma  forma conjugam-se os verbos avir-se, convir, desavir-se, intervir, provir, sobrevir, revir.

Tempos derivados do perfeito do indicativo

Do tema do perfeito do indicativo derivam-se o mais-que-perfeito do indicativo, o imperfeito do subjuntivo e o futuro do subjuntivo.

Consegue-se o tema do perfeito do indicativo, tirando-se a desinência ste da segunda pessoa do singular.

Tema do perfeito do verbo andar = anda.

Tema do perfeito do verbo vender = vende

Tema do perfeito do verbo partir = parti.

Acrescentando-se ste a esses temas, obtém-se a segunda pessoa do singular do perfeito do indicativo: anda-ste, vende-ste, parti-ste.

As terminações do mais-que-perfeito do indicativo são: ra, ras, ra, ramos, reis, ram. Daí, acrescentando-se ao tema, temos:

andara, andaras, andara, andáramos, andáreis, andaram.

vendera, venderas, vendera, vendêramos, vendêreis, venderam.

partira, partiras, partira, partíramos, partíreis, partiram.

As terminações do imperfeito do subjuntivo são: sse, sses, sse, ssemos, sseis, ssem.

Ex.: comprasse, vendesse, partisse, andasse.

As terminações do futuro do subjuntivo são: r, res, rmos, rdes, rem.

Ex.: andar, andares, andar, andarmos, andardes, andarem.

       vender, venderes, vender, vendermos, venderdes, venderem.

       Partir, partires, partir, partirmos, partirdes, partirem.

Infinitivo impessoal

O infinitivo impessoal, em qualquer verbo , tem a desinência r.

Ex.: anda-r, vende-r, parti-r, pôr.

Tempos derivados do infinitivo pessoal

Futuro do presente: acrescenta-se ao infinitivo impessoal as desinências: ei, ás, á, emos, eis, ão.

Ex.: partirei, venderei, andarei etc.

Futuro do pretérito: acrescenta-se ao infinitivo impessoal as desinências ia, ias, ia, íamos, íeis, iam.

Ex.: andaria, venderia, compraria, partiria.

Obs.: Os verbos dizer, fazer e trazer, são exceção, e seguem outra linha:

direi, farei, trarei — diria, faria, traria.

Imperfeito do indicativo

É formado do radical do infinitivo impessoal mais as terminações típicas do imperfeito do indicativo.

Na primeira conjugação as terminações são: va, vas, va, vamos, veis, vam.

Ex.: andava, andavas, andava, andávamos, andáveis, andavam.

Para os verbos das segunda a terceira conjugações as terminações são: a, as, a, amos, eis, am.

Ex.: vendia, vendias, vendia, vendíamos, vendíeis, vendiam.

        partia, partias, partia, partiam, partíeis, partiam.

Obs. Alguns verbos irregulares não seguem essa linha.

Ex.: verbos pôr, ser, ter, vir.

Gerúndio

É formado a partir do infinitivo impessoal. Troca-se o r final por ndo.

Ex.: falar = falando.

        partir = partindo.

        olhar = olhando.

        cair = caindo.

        perder = perdendo.

Particípio

Também é formado a partir do infinitivo pessoal. Troca-se o r final por do. No caso dos verbos da segunda conjugação, troca-se er por ido.

Ex.: cantar = cantado.

        andar = andado.

        perder = perdido.

        ir = ido.

        partir = partido.

        comprar = comprado.

Obs. Há exceções, como prender = preso, morrer = morto, escrever = escrito.

Infinitivo pessoal

Acrescenta-se ao infinitivo impessoal as desinências de pessoa.

Ex.: cantar, cantares, cantar, cantarmos, cantardes, cantarem.

        partir, partires, partir, partirmos, partirdes, partirem.

        prender, prenderes, prender, prendermos, prenderdes, prenderem.

 

Tempos verbais compostos

São formados conjugando-se os verbos ter ou haver, mais o particípio.

Perfeito: indicativo

               tenho falado.

               tenho andado.

               tenho vendido.

               tenho partido.

               Subjuntivo

               tenha falado.

               tenha andado.

               tenha vendido.

Mais que perfeito — indicativo

               tinha falado.

               tinha comprado.

               havia partido.

               havia escrito.

               subjuntivo

               houvesse falado.

               tivesse escrito.

               tivesse partido.

Futuro do presente — indicativo:

               terei falado.

               terás escrito.

               terá partido.

               subjuntivo

               houver falado.

               tiver falado.

               tiveres partido.

               houveres partido.

Futuro do pretérito — indicativo

               haveria feito.

               teria feito.

               terias comprado.

               teriam partido.

Gerúndio

               tendo feito.

               tendo comprado.

               tendo falado.

 

TEMPOS VERBAIS: COMO USAR

 

Os processos verbais podem situar-se basicamente em três tempos:

Tempo presente: indica que o processo verbal ocorre ao mesmo tempo em que se fala.

Ex.: Estou chegando de Brasília.

O tempo presente do verbo, pode ser usado em ocasiões especiais, para indicar um fato ocorrido no passado. Na literatura ou na história se vê muitos casos assim.

Ex.: A nove de julho de 1932, os paulistas levantam armas em defesa da Constituição.

Pode ocorrer também indicando futuro.

Ex.: No mês que vem eu penso no caso.

Pode ocorrer ainda, indicando um ciclo, um fato que se repete.

Ex.: O sol se põe, a lua se levanta.

Tempo passado (pretérito): indica que o fato ocorreu antes da época em que se fala.

Ex.: Saí de Brasília às quatorze horas.

O passado tem três formas.

Pretérito perfeito: Como o próprio nome indica, trata-se de um passado já concluído, perfeito.

Ex.: Já tratei dos negócios da herança.

Pretérito imperfeito: O processo ainda não está totalmente terminado.

Ex.: Eu tratava dos negócios da herança, quando você chegou.

Em usos cotidianos o pretérito imperfeito pode ser usado como futuro de pretérito.

Ex.: No seu lugar eu comprava logo esse imóvel.

Pretérito mais que perfeito: O processo pertence a um passado anterior a outro também passado.

Ex.: O plenário apreciou o projeto que já estivera em pauta.

Em alguns casos também se usa o mais-que-perfeito, como futuro do presente ou como imperfeito do subjuntivo.

Ex.: Quem havera de saber.

Não fora ele e eu não ficaria sabendo.

Tempo futuro: indica que o fato ainda está para ocorrer.

Ex.: Às dezoito horas irei para São Paulo.

O futuro tem duas formas:

Futuro do presente: indica um processo futuro, a partir de um fato presente concreto.

Ex.: Amanhã eu escreverei o artigo.

Pode ocorrer o uso do futuro do presente, em casos especiais, para indicar dúvida, ou ainda com valor imperativo.

Ex.: Esse terreno terá no máximo quinhentos metros quadrados. (Nesse caso terá tem o mesmo valor que deve ter).

Ex.: Respeitarás o seu cônjuge, até que a morte os separe.

Futuro do pretérito: indica um processo futuro que depende de uma condição do passado para que ocorra esse futuro.

Ex.: Eu escreveria o artigo para o seu jornal, se fosse bem pago.

Infinitivo impessoal: Não tem indicação de pessoa. Tem caráter universal.

Ex.: sair — prender — entrar — comprar — jogar. (Não é conjugado)

Ex.: Desistir agora seria tolice. (Não indica quem poderia desistir).

— Usa-se o infinitivo impessoal quando um outro verbo já é flexionado. É o caso da locução verbal.

Ex.: Vamos ver se você é capaz de correr.

Ex.: Teremos que receber muitas palmas.

— Usa-se o infinitivo impessoal quando o sujeito é indefinido, é impessoal.

Ex.: Matar ou morrer, essa era a situação.

Ex.: Ser ou não ser, eis a questão.

— Afinal, o uso do infinitivo impessoal é sempre imperativo, quando há um só sujeito.

Os exemplos acima já servem, mas daremos mais alguns:

— Posso ser cego mas não burro.

— É proibido pisar na grama.

— Vamos sair agora para voltar mais cedo.

Infinitivo pessoal: Tem caráter personalizado. Indica quem, ou de quem se está falando.

Ex.: Passe logo mais em casa para conversarmos a respeito.

Ex.: Para eu lhe vender esta casa, temos que combinar no preço.

O infinitivo pessoal é sempre alvo de erros na linguagem e na escrita. Por isso é importante que estudemos com mais profundidade. Faça muitos exercícios com o infinitivo pessoal, para não cair em erro.

Como regra básica, o infinitivo pessoal só é usado quando o sujeito da oração é diferente do sujeito da oração principal. Exemplos:

— Quando for necessário pagar, é melhor pagarmos. (Neste caso o sujeito da primeira oração é indefinido, e o sujeito da segunda oração é nós).

— Pensaram sermos nós os investidores. (Sujeito da primeira: eles; sujeito da segunda oração: nós.

— Sem que eles soubessem estarmos presentes, cochichavam a nosso respeito. (Eles é o sujeito da primeira oração; nós é o sujeito da segunda).

Sempre que o sujeito é o mesmo, trata-se de uma locução verbal. Nesse caso o infinitivo é impessoal. Não cometa erros como esse, por exemplo: Acreditamos sermos os primeiros a chegar: e-r-r-a-d-o.

O certo: Acreditamos ser os primeiros a chegar.

 

CAPÍTULO IX

 

REGÊNCIA VERBAL

 

Definição

 

Por regência verbal entende-se a relação que existe entre um verbo e seu complemento.

 

Verbos intransitivos

 

São os verbos que não exigem complemento; têm sentido por si só.

Exemplos: morrer, voar, amanhecer, correr, caminhar, andar, faltar etc.

— O cliente do quarto 402 morreu.

— O passarinho voou.

— O dia amanheceu.

— O menino corre.

— Ele estava caminhando.

— Hoje eu não vou andar.

— O professor faltou.

Em todos os casos acima os verbos não pedem complemento, porque já têm significado próprio. Entretanto, pode-se acrescentar um complemento, sem que o verbo deixe de ser intransitivo.

Ex.:

— O cliente do quarto 402 morreu de insuficiência respiratória.

— O passarinho voou para bem longe.

— O dia amanheceu chuvoso.

— O menino corre pelo parque.

— Ele estava caminhando pela passarela.

— Hoje eu não vou andar de bicicleta.

— O professor faltou para corrigir provas.

 

Verbos transitivos

 

São os verbos que não têm significação por si próprios. Exigem um complemento, para que venham a ser entendidos dentro da oração.

Ex.: Comprei o televisor.

       Deixei o carro no estacionamento.

       

Verbos transitivos diretos

 

São aqueles que requerem um objeto direto. Indicam uma ação que passa diretamente a uma pessoa ou coisa.

Ex.: Vendi o carro. (A ação de vender recai sobre o objeto, que é o carro, sem necessidade de nenhuma preposição entre o verbo e o complemento).

Para que se saiba se o verbo é transitivo direto, faz-se a pergunta o quê?, em relação a ele.

Ex.:

Vendi o quê? —> o carro.

Comprei o quê? —> uma bicicleta.

Bebi o quê? —> um refrigerante.

Ele abriu o quê? —> a porta.

Todos os verbos acima são transitivos diretos.

 

Verbos transitivos indiretos

 

São aqueles que exigem um objeto indireto. A ação se passa, entre o verbo e o complemento, por intermédio de uma preposição.

Nesse caso, a pergunta deveria ser: de quê?, por onde? de quem? a quem?

Eles gostavam de quê? —> de doces.

Ela amava a quem? —> a Deus.

Ele obedeceu a quê? —> às ordens estabelecidas.

Nós saímos para onde? —> para a rua.

Exemplos::

— Pensei em deixar a Universidade.

— Nós gostamos de viajar.

— Vamos sair para um passeio.

— Obedeça às ordens.

 

Verbos transitivos diretos e indiretos

 

São verbos que, além de um objeto direto, acrescenta-se ainda um objeto indireto.

Ex.: Comprei picanha (objeto direto) para o churrasco (objeto indireto).

— Os complementos dos verbos transitivos se chamam objeto direto e objeto indireto.

Objeto direto —> é o complemento do verbo transitivo direto. Não precisa de preposição.

Objeto indireto —> é o complemento do verbo transitivo indireto. Precisa de uma preposição. Vem acompanhado de uma preposição.

Há verbos que, dependendo de como são empregados, podem ser intransitivos, transitivos diretos, transitivos indiretos ou ainda transitivos diretos e indiretos ao mesmo tempo. É o caso do verbo acusar, por exemplo.

— O réu foi acusado (intransitivo).

— O réu foi acusado justamente (transitivo direto).

— O réu foi acusado de homicídio (transitivo indireto).

— O réu foi acusado justamente de homicídio (transitivo direto e indireto).

Outro caso — verbo chover.

— Ontem choveu (intransitivo).

— Ontem choveu granizo (transitivo direto).

— Ontem choveu em São Paulo (transitivo indireto).

— Ontem choveu granizo em São Paulo (transitivo direto e indireto).

O estudo das regras na regência dos verbos é um pouco complicada no Português, porque as palavras, os verbos, têm às vezes vários sentidos. É sempre de bom alvitre consultar um bom dicionário para saber qual é a regência do verbo, quando for empregar. O dicionário Aurélio esclarece quanto à regência do verbo.

Entretanto, para fins de informação, damos abaixo a relação de alguns verbos, que podem deixar dúvida.

Aspirar (esperar, desejar) — transitivo indireto.

Ex.: Paulo aspirava a um cargo melhor.

Aspirar (respirar para dentro, cheirar) transitivo direto.

Ex.: Ela aspirou profundamente o ar perfumado.

Assistir  (comparecer, ver) — transitivo indireto.

Ex.: Não vamos assistir ao jogo hoje.

Assistir (dar assistência, socorrer) — transitivo direto.

Ex.: A enfermeira assistiu o médico na operação.

Atender (acatar, aceitar) — transitivo direto.

Ex.: Atendam a voz da consciência.

Atender (dar atenção) — transitivo indireto.

Ex.: Elas atenderam prontamente ao chamado.

Atingir (alcançar) — transitivo direto.

Ex.: Atingir aquela meta, era o que ele mais queria.

Chamar (trazer para perto) — transitivo direto.

Ex.: Chamei o carteiro outra vez.

Chamar (dar nome) — transitivo indireto.

Ex.: Chamaram de Frederico o filho recém nascido.

Compartilhar (tomar parte) — transitivo indireto.

Ex.: Ela compartilhava de todas as brincadeiras.

Cumprimentar — transitivo direto.

Ex.: Cumprimentei Pedro pelo aniversário.

Custar (ser difícil) — transitivo indireto.

Ex.: Custou-me (a mim) afastar-me da festa.

Obs.: Esse verbo, nesse sentido, é impessoal. Só é conjugado na terceira pessoa do singular.

Custar (valer, avaliar) — intransitivo.

Ex.: Quanto custa o televisor? (O televisor é o sujeito).

Implicar (acarretar, trazer consequências, resultar) — transitivo direto.

Ex.: A construção do parque implicou altas despesas ao erário público.

Obs.: Nunca diga: implicou em altas despesas...

Implicar (provocar, amolar) — transitivo indireto.

Ex.: O marido implicava sempre com o cachorro.

Obedecer — transitivo indireto.

Ex.: Ele obedecia sempre às ordens do comandante.

Prejudicar — transitivo direto.

Ex.: Você está prejudicando o andamento do serviço.

Visar (ter como meta, mirar) — transitivo direto.

Ex.: O treinador só visava o gol.

Visar (colocar o visto) — transitivo direto.

Ex.: O encarregado visava os passaportes.

Visar (pretender, ter em vista) — transitivo indireto.

Ex.: Ao escrever a carta, ele só visou à melhoria dos trabalhos.

OBS.: Às vezes o verbo transitivo direto vem seguido de uma preposição. Isso acontece ao se relatar fatos históricos, por exemplo:

O exército pegou das armas para se defender do inimigo. (Neste caso o de do termo das armas, pode ser até ser suprimido; só é usado por questão de elegância).

Ex.: Ele pegou da espada e feriu o adversário.

 

Verbo de Ligação

 

É aquele que, sempre com o significado de estado ou mudança de estado, serve para estabelecer um tipo de ligação entre o atributo do sujeito e o sujeito.

São eles: ser, estar, ficar, permanecer etc.

Ex.: As ondas do mar são suaves (Estado permanente).

        As ondas do mar estão suaves (Estado transitório — pode mudar)

        As ondas do mar ficaram suaves (Mudança da estado).

 

CAPÍTULO X

 

USO DA VÍRGULA ENTRE OS TERMOS DA ORAÇÃO

 

Ordem direta: uma oração está em ordem direta quando seus termos estão na seguinte progressão: sujeito —> verbo —> complementos do verbo —> adjunto adverbial.

Ex.: O diretor comercial abrirá a reunião às oito horas.

Sujeito: O diretor comercial.

Verbo: abrirá.

Objeto direto (complemento do verbo): a reunião.

Adjunto adverbial: às oito horas.

 

Ordem inversa: quando se inverte a ordem prevista acima.

Ex.: Às oito horas, o diretor comercial abrirá a reunião.

(Observe-se que, dado que o adjunto adverbial passou para a frente, ficou separado com uma vírgula).

Não havendo inversão na ordem dos termos, conforme visto acima, não há necessidade de se usar vírgula (só se for para separar uma oração de outra).

Usa-se a vírgula, também, para se intercalar uma explicação.

Ex.: O jumento, animal teimoso, empacou na subida.

Os pré-requisitos para se colocar a vírgula, dentro de uma oração, são os seguintes:

Não se usa vírgula: separando termos que, do ponto de vista sintático, ligam-se entre si:

— entre sujeito e predicado.

— entre o verbo e seus complementos.

— entre o nome e adjunto adnominal.

Exemplos:

— O prefeito vetou o projeto.

— O projeto custou muitas horas de trabalho aos vereadores.

— O veto do prefeito ao projeto causou repulsa entre os vereadores.

As três orações acima estão escritas na ordem direta e os termos se ligam entre si, portanto não há porque se colocar vírgula.

 

Usa-se a vírgula:

— Para marcar intercalação do aposto, do adjunto adverbial, da conjunção e das expressões explicativas ou corretivas.

Exemplos:

— Chacrinha, o velho guerreiro, ficou doente (aposto).

— O café, devido à queda internacional, caiu de preço (adjunto adverbial).

— Ele estava atento, entretanto, desviou a conversa (conjunção).

— Ele estava atento, mesmo assim, perdeu o assunto principal da reunião (expressão corretiva).

— Os preços estavam altos, isto é, proibitivos aos pobres.

Usa-se a vírgula ainda:

— nas datas.

Ex.: Salvador, 18 de fevereiro de 1998.

— para separar elementos coordenados.

Ex.: A polícia procurava um homem branco, cabelos pretos, alto e magro.

— para marcar a omissão (elipse) do verbo.

Ex.: Eu estou falando de pedras e você, de paus.

— para isolar o vocativo.

Ex.: Vocês, ó justos, alcançarão o reino dos céus.

 

CAPÍTULO XI

 

PERÍODO — CLASSIFICAÇÃO

 

Oração — período — frase

 

Oração: é um enunciado linguístico, de sentido completo ou não, constituído de sujeito e predicado, ou apenas de predicado.

Ex.: O povo foi às urnas (oração).

Sujeito: O povo

Predicado: foi às urnas.

Outro ex.: Chove lá fora (oração).

Sujeito: inexistente.

Predicado: Chove lá fora.

 

Período: é um enunciado linguístico com sentido completo, constituído de uma oração ou mais, com elementos combinados entre si de acordo com as regras sintáticas da língua.

Um período começa com letra maiúscula e termina com ponto final, ponto de interrogação ou ponto de exclamação.

Obs.: Quando se quer dar a entender que poderia ser dito algo mais, o período pode terminar com reticências.

Exemplos:

— Nicanor vai à escola.

— Nicanor foi à escola?

— Nicanor foi reprovado; que humilhação!

— Ele estava pensativo, mergulhado em suas lembranças...

Frase: é uma oração, mesmo sem sentido completo.

Ex.: Arre! Nossa... Viva! Silêncio.

A frase, então, embora tenha pontuação, depende de outro período para ter sentido.

Ex.: Viva! Chegamos a tempo para ver o jogo!

 

Classificação do período

 

Período simples: aquele com uma só oração. A oração que constitui o período simples é denominada oração absoluta.

Ex.: O luxo da realeza levou o império à ruína.

 

Período composto: aquele com duas ou mais orações.

Ex.: O luxo da realeza levou o império à ruína, pois foi conquistado por outro império.

No período composto pode ocorrer três tipos básicos de oração: principal, subordinada e coordenada.

 

Oração principal — oração subordinada

 

Observe o seguinte exemplo:

— A mãe deixou que ele saísse.

Sujeito: A mãe.

Verbo transitivo direto: deixou.

Objeto direto: que ele saísse.

Nesse caso, o período é composto, pois contém duas orações.

A segunda oração (que ele saísse), está encaixada na primeira oração (a mãe deixou), funcionando como objeto direto do verbo.

Dizemos, então, que a primeira oração é principal e a segunda é subordinada.

Oração principal: é aquela na qual se encaixa uma subordinada.

Oração subordinada: é aquela que se encaixa em outra oração (a principal), desempenhando função sintática com relação a esta.

As orações subordinadas podem ser:

substantivas: aquelas que desempenham função sintática própria do substantivo.

adjetivas: aquelas que desempenham função sintática própria do adjetivo.

adverbiais: aquelas que desempenham função sintática própria do advérbio.

 

Oração subordinada substantiva

Para entender como a oração subordinada substantiva desempenha função de um substantivo, vamos comparar as duas frases a seguir:

— Todos aplaudiram sua chegada.

Sujeito: Todos.

Verbo transitivo direto: aplaudiram.

Objeto direto: sua chegada.

O período acima, com uma só oração, pode ser substituída por outro período com duas orações:

— Todos aplaudiram que ele chegasse.

Oração principal: Todos aplaudiram.

Oração subordinada substantiva: que ele chegasse.

Sujeito: Todos.

Verbo transitivo direto: aplaudiram.

Função de objeto direto (substantivo): que ele chegasse.

Conforme visto acima, a segunda oração desempenha o papel de objeto direto do verbo (aplaudiram) da primeira oração. A função do objeto direto é uma função substantiva, assim a segunda oração é classificada como:

subordinada: porque está encaixada em outra, funcionando como um termo desta.

substantiva: porque está desempenhando uma função própria do substantivo (objeto direto).

 

Classificação da oração subordinada substantiva

 

Se uma oração subordinada substantiva vem ligada ao verbo da oração principal, teoricamente pode funcionar como:

Sujeito —> substantiva subjetiva.

Objeto direto —> substantiva objetiva direta.

Objeto indireto —> substantiva objetiva indireta.

1 — Oração subordinada substantiva subjetiva

É aquela que funciona como sujeito do verbo da oração principal.

Ex.: Admira-me que você renuncie.

Oração principal: Admira-me.

Oração subordinada substantiva subjetiva: que você renuncie.

A segunda oração funciona como sujeito da oração principal.

Obs.:

— o verbo da oração principal está sempre na terceira pessoa do singular (admira).

— não há sujeito dentro dos limites da oração principal, neste caso o sujeito é a própria oração subordinada.

2 — Oração subordinada substantiva objetiva direta

É aquela que funciona como objeto direto do verbo da oração principal.

Ex.: Os pescadores não deixam que os peixes se reproduzam.

Oração principal: Os pescadores não deixam.

Oração subordinada substantiva objetiva direta: que os peixes se reproduzam.

Obs.:

— a oração subordinada substantiva objetiva sempre se liga ao verbo da oração principal sem preposição, pois esse verbo é transitivo direto.

— indica o alvo sobre o qual recai a ação do verbo.

3 — Oração subordinada substantiva objetiva indireta

É aquela que funciona como objeto indireto do verbo da oração principal, que é transitivo indireto.

Ex.: Assistia-se a uma partida de tênis que estava sendo televisada..

Oração principal: Assistia-se

Oração subordinada substantiva objetiva indireta: a uma partida de tênis que estava sendo televisada..

Obs.:

— liga-se ao verbo da oração principal por uma preposição.

— indica o alvo ou o destinatário do processo verbal.

 

Oração subordinada adverbial

 

É aquela que se encaixa na oração principal, funcionando como adjunto adverbial.

Analisemos a seguinte oração:

— Os escoteiros voltaram ontem.

É uma oração absoluta.

Adjunto adverbial: ontem.

Mas, o adjunto adverbial pode se constituir por uma oração inteira.

Ex.: Os escoteiros voltaram quando haviam previsto.

Verbo: voltaram

Adjunto adverbial: quando haviam previsto.

Já no último caso o período é composto por duas orações. A segunda oração encaixa-se como adjunto adverbial do verbo da primeira oração (voltaram). Neste caso então a segunda oração é:

subordinada: porque está encaixada em outra, funcionando como um termo desta.

adverbial: porque está desempenhando a função de um advérbio.

Obs.:

A oração subordinada adverbial liga-se ao verbo da oração principal através de conjunção subordinativa (quando) que não seja a conjunção integrante (que). No último caso a oração seria subordinada substantiva.

Classificação das orações subordinativas adverbiais

As orações subordinativas adverbiais classificam-se, assim como os advérbios, de acordo com as circunstâncias que exprimem:

— causal

— consecutiva

— condicional

— concessiva

— conformativa

— comparativa

— final

— temporal

— proporcional

— modal.

 

Orações subordinadas adjetivas    orações reduzidas

 

Oração subordinada adjetiva é aquela que se encaixa na oração principal, funcionando como adjunto adnominal.

Essas orações se ligam ao objeto da primeira oração e não ao verbo.

Ex.: O juiz julgou a queixa inaceitável.

É um período simples, a oração é absoluta.

Objeto direto: a queixa.

Adjunto adnominal: inaceitável.

Outro ex.: O juiz julgou a queixa, que não podia ser aceita.

Período composto de duas orações.

Oração 1: O juiz julgou a queixa (oração principal).

Oração 2: que não podia ser aceita (funciona como adjetivo de queixa — é um adjunto adnominal do objeto direto queixa).

Neste caso a segunda oração se classifica como subordinada, porque está encaixada em outra, funcionando como um termo desta; também é adjetiva, porque está desempenhando uma função própria de adjetivo.

— A oração adjetiva sempre se liga a um nome da oração principal.

— Vem introduzida por um pronome relativo (que, quem, o qual etc.).

 

Classificação das orações subordinadas adjetivas

 

Adjetivas restritivas: aquelas que fazem uma restrição com referência ao nome a que se referem, ou melhor, particularizam uma parte dentro de um conjunto.

Ex.: O concurso só é destinado a candidatos que tenham formação universitária.

Oração principal: O concurso só é destinado a candidatos.

Segunda oração: que tenham formação universitária (subordinada adjetiva restritiva).

Adjetivas explicativas: dão uma explicação ao nome, mas não restringe um grupo.

Ex.: Os petroleiros, que prestam serviço perigoso, recebem um acréscimo de periculosidade.

Oração principal: Os petroleiros recebem um acréscimo de periculosidade.

Oração subordinada adjetiva explicativa: que prestam serviço perigoso.

As vírgulas que separam a oração subordinada adjetiva explicativa fazem pressupor que o acréscimo de periculosidade é paga a toda a classe dos petroleiros, justamente porque prestam um serviço perigoso.

— A subordinada adjetiva explicativa vem sempre entre vírgulas, representando uma pausa na fala. Seria o mesmo que colocá-la entre parêntesis.

Ex.: Os petroleiros (que prestam serviço perigoso) recebem um acréscimo de periculosidade.

 

Orações subordinadas reduzidas

 

Além das formas já descritas, as orações subordinadas podem ocorrer sob a forma de orações reduzidas.

Particularidades:

— Não se iniciam por conjunção ou pronome relativo.

— Apresentam o verbo sempre no infinitivo, particípio ou gerúndio (ser, sido, sendo).

Ex.: Percebido o engano, foi corrigido na hora.

Oração principal: foi corrigido na hora.

Oração subordinada reduzida: percebido o engano.

Ex.: Dado o mau tempo, o jogo foi adiado.

Oração principal: o jogo foi adiado.

Oração subordinada reduzida: dado o mau tempo.

Como todas as orações subordinadas, também as reduzidas podem ser substantivas, adverbiais e adjetivas.

Substantiva: O louco pensava ouvir sinos.

Adverbial: Perdeu a prova do vestibular por estar atrasado.

Adjetiva: Vimos a menina dançando na chuva.

 

Orações coordenadas — oração intercalada

 

Oração coordenada é aquela que não se liga a outra oração: tem função própria.

Ex.: A mulher atendeu o vendedor à porta e foi arrumar a cozinha.

Oração 1: A mulher atendeu o vendedor à porta.

Oração 2: e foi arrumar a cozinha.

As duas orações são coordenadas, porque cada uma delas têm sentido próprio. Nenhuma delas está ligada à outra. Neste caso não há oração principal.

 

Classificação das orações coordenadas

 

Coordenadas assindéticas

 

São aquelas que não vêm introduzidas por conjunção coordenada.

Ex.: Ser feliz, sofrer desencantos, assim é a vida.

3 orações: as três são coordenadas assindéticas.

 

Coordenadas sindéticas

 

São aquelas que vêm introduzidas por conjunção coordenativa.

Ex.: Ou você se emenda, ou perde a credibilidade.

No exemplo acima as duas orações são coordenadas alternativas.

 

Subclassificação das coordenadas sindéticas

 

As coordenadas sindéticas podem ser aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas ou explicativas, conforme as conjunções que as ligam.

Aditiva: quando estabelece uma relação de acréscimo, soma, adição.

Ex.: Ele entregou o jornal e foi embora.

Adversativa: quando estabelece uma relação de contradição, de adversidade, de oposição.

Ex.: Ela queria terminar o namoro, mas não se decidia.

Alternativa: quando estabelece uma relação de alternância. Há várias opções.

Ex.: Você pode ir ao baile comigo ou ficar dormindo.

Conclusiva: quando estabelece uma relação de conclusão, isto é, esclarece um dado já pressuposto num dado anterior.

Ex.: O menino ainda está no pré-primário, portanto ainda não conhece matemática.

Explicativa: quando estabelece uma relação de explicação. É diferente da conclusiva, pois a conclusiva apenas esclarece um fato que já é sabido. A explicativa explica a ideia apresentada.

Ex.: Eu digo que geou porque as plantas estão levemente queimadas.

 

Oração intercalada

 

É aquela oração, sintaticamente independente, que se intercala numa outra, a título de esclarecimento, ressalva, advertência, opinião. Pode vir entre vírgulas, entre parêntesis ou entre travessões.

Exemplos:

— Ela vinha — pelo menos é o que me parecia — de uma experiência desagradável.

— Até que enfim (valha-me Deus) você chegou!

— A situação, mesmo que você não reconheça, está preocupante.

 

CAPÍTULO XII

 

COLOCAÇÃO DOS PRONOMES

 

De acordo com sua colocação, os pronomes são classificados em:

Próclisequando colocados antes do verbo.

Mesóclisequando colocados no meio do verbo.

Ênclisequando colocados depois do verbo.

Embora se use, na linguagem coloquial, o pronome iniciando frases ou orações, é um erro. Se você fala assim, pelo menos não escreva.

Me dá um café. (Errado).

— Dê-me um café. (É o certo).

Se você achar erudito demais para você, pode fazer uma maquiagem no modo de falar.

— Quer me dar um café, por favor?

Primeira regra: não se começa frase com pronome oblíquo.

— Ele se entregou à polícia. (Se entregou à polícia — estaria errado).

Segunda regra: Palavras que atraem o pronome oblíquo:

— Pronomes do caso reto.

Ex.: Ele se esforçou, mas de nada adiantou (próclise).

       Esforçou-se ela, mas de nada adiantou (ênclise).

— Pronomes indefinidos tudo, nada, alguém.

Ex.: Nada o incomodava (próclise).

       Alguém me traga o relatório (próclise).

— Advérbios de negação não, nunca, ninguém, jamais.

Ex.: Não se preocupe com isso agora (próclise).

       Nunca se sabe quem vai chegar (próclise).

       Ninguém me disse (próclise).

       Jamais nos  encontramos (próclise).

— Pronomes relativos que, quem, qual, cujo.

Ex.: Quem me disse foi você mesmo (próclise).

 

Mesóclise

 

A mesóclise é usada com o verbo no futuro do presente ou futuro do pretérito, principalmente para se iniciar frase.

Ex.: Preocupar-me-ei mais tarde.

       Procurá-lo-ia, se fosse necessário.

Isso não quer dizer que a mesóclise deve ser regra quando se emprega o futuro do presente ou o futuro do pretérito.

Ex.: Eu não me preocuparia, se fosse você (próclise). (o não atrai o pronome)

Entretanto, nunca empregamos a ênclise nesses tempos de verbo.

Ex.: Eu não preocuparia-me com isso (errado).

A ênclise também é usada para não se colocar o pronome no início das orações.

Ex.: Agradeço-lhe as congratulações e envio-lhe o meu abraço (ênclise).

        Comprou-lhe bombons, convidou-a para jantar e não se preocupou mais. (ênclise, ênclise, próclise).

 

Como se usar os pronomes pessoais

 

Pessoas do discurso

 

São uma das três pessoas gramaticais que podem ocorrer no ato da fala ou do discurso.

Primeira — aquela que se refere à pessoa que fala: eu, me, mim, meu etc.

Segunda — aquela que se refere à pessoa com quem se fala: tu, te, ti, teu, tua etc.

Obs.: Você. V.Exª, V.Sª, etc., são pronomes de segunda pessoa, pois indica a pessoa com quem se fala. Entretanto comportam-se como se fossem da terceira, na forma gramatical.

Ex.: Você diz isso porque não sabe a verdade.

        V.Sª. deve confirmar o seu pedido.

Terceira — aquela que se refere à pessoa de quem se fala: ele, ela, se, si, sua etc.

Os pronomes, do ponto de vista mórfico, se flexionam em gênero, número e pessoa:

Em gênero: meu — minha.

Em número: meus — minhas.

Em pessoa: meu — teu — seu.

Do ponto de vista sintático, o pronome, na oração, pode funcionar como:

pronome adjetivo, quando modificam um substantivo.

Ex.: Nossos convidados se atrasaram.

pronome substantivo, quando desempenha função própria do substantivo.

Ex.: Nós fomos.

 

Pronomes pessoais

 

São aqueles que designam uma das três pessoas do discurso: eu, tu, ele etc.

Os pronomes pessoais podem ser:

Do caso reto: funcionam na oração como sujeito.

Ex.: Eles estavam de pé.

Do caso oblíquo: funcionam na oração como complemento (objeto direto, indireto).

Ex.: Disseram-me que você estava aqui (objeto indireto = a mim).

Oblíquos átonos: são aqueles que não têm acento tônico, isto é, não têm a pronuncia forte. Estes nunca vêm precedidos de preposição. São eles: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes.

Ex.: Comporte-se na igreja.

Oblíquos tônicos: têm pronúncia forte; vêm sempre precedidos de preposição, como, a, para, de, em, por etc.

Ex.: A ti, com carinho, ofereço essas rosas.

Obs.: Quando precedidos da preposição com, os oblíquos tônicos combinam-se, dando as seguintes formas: comigo, contigo, consigo, conosco, convosco.

 

Uso dos pronomes pessoais

 

— Os pronomes do caso reto não funcionam como objeto.

É errado dizer: Vejo você depois.

O certo é: Vejo-o depois, ou, depois o vejo.

Obs.: Pode ocorrer o uso do pronome do caso reto, como objeto, quando precedido de ou todo (e suas variações).

Ex.: Encontrei só ele na rua.

       As moças que se apresentaram tinham boa aparência. Foram contratadas todas elas.

— Os pronomes eu  e tu não podem vir regidos de preposição.

Ex.: O trato fica só entre mim e ti.

É errado dizer: O trato fica só entre eu e ti.

— Quando os pronomes eu e tu são regidos por um verbo, é correto ser precedido de preposição.

Ex.: Traga-me o relatório para eu ler (a preposição para está regendo o verbo).

É errado dizer: Traga-me o relatório para mim ler (fica parecendo linguagem de índio nos filmes).

— Os pronomes me, te, lhe, nos, vos, em função de objeto indireto, podem combinar-se com o, a, os, as, que são objeto direto. Sendo assim, tomam as seguintes formas: mo, ma, mos, mas, no-lo, no-la, vo-lo, vo-la, lha, lho, lhas, lhos.

Ex.: Já paguei a dívida a ele ontem = Já lha paguei ontem.

        Ele negou ao cliente o empréstimo = Ele lho negou.

 

Pronomes de tratamento

 

São os pronomes usados para tratar as pessoas.

Os pronomes de tratamento são:

— Tu — tratamento informal com pessoas íntimas, amigos ou familiares.

— Você — tratamento informal com pessoas íntimas, amigos, conhecidos ou familiares (O antigo tratamento era vossa mercê, depois vosmecê e depois você).

— Senhor, Senhora — para pessoas mais velhas, superiores ou pessoas que ainda não conhecemos.

— Vossa Senhoria — tratamento usado em correspondência comercial.

— Vossa Excelência — para autoridades do governo (prefeitos, vereadores, deputados, senadores, presidente da república etc.) ou das forças armadas, diplomatas, juízes (O juiz também é chamado por Meritíssimo).

— Vossa Majestade — para reis, rainhas e imperadores.

— Vossa Alteza — para príncipes e duques.

— Vossa Reverendíssima — para bispos.

— Vossa Eminência — para cardeais.

— Vossa Santidade — para o Papa.

— Vossa Magnificência — para reitores de universidades.

Obs.: o pronome você é considerado terceira pessoa do singular, e vocês, terceira pessoa do plural. Por conseguinte, o verbo fica na 3.ª pessoa e os pronomes que acompanham também (seu, sua, suas, seus, o, a, os, os, lhe, lhes.

Ex.: Você já comprou sua passagem?

Tu é segunda pessoa do singular.

São pronomes de tratamento usados na terceira pessoa do singular, portanto seguindo a mesma regra de você, os seguintes;

Vossa Senhoria, Vossa Excelência, Vossa Magnificência e Vossa Reverendíssima, Meritíssimo.

Outra regra importante:

— Verbos transitivos diretos pedem objeto direto, portanto: o, a, os, as.

— Verbos transitivos indiretos pedem objeto indireto, portanto: lhe, lhes.

O pronome lhe sempre pode ser substituído por a ele.

O pronome lhes sempre pode ser substituído por a eles.

Ex.: O pai doou-lhes a casa.

       Os vereadores outorgaram-lhe o título de cidadão paulistano.

 

Pronomes demonstrativos

 

São este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquele, aquilo.

Este, esta, isto: indicam objetos ou pessoas que estão próximas à pessoa que fala.

Ex.: Este televisor está com defeito.

        Esta casa não me serve.

        Seria bom que isto fosse verdade.

Esse, essa, isso: indicam pessoas ou objetos que estão próximas à pessoa com quem se fala.

Ex.: Gostei desse seu terno (desse = de + esse).

       Essa sua mania já está me cansando.

       Não sei nada disso (disso = de + isso).

Aquele, aquela, aquilo: indicam pessoas e objetos distantes dos dois: da pessoa que fala e da pessoa com quem se fala.

Ex.: Aquela ideia do Fernando não foi nada boa.

        Não sei por que ele comprou aquele computador com capacidade limitada.

       Só podia acontecer aquilo.

Obs.: Estes pronomes em estudo podem formar contrações com as preposições de e em.

Ex.: deste, desta, disto, desse, dessa, disso, daquele, daquela, daquilo, neste, nesta, nisto, nesse, nessa, nisso, naquele, naquela, naquilo.

As regras para estas contrações são idênticas às estudadas acima. 

 

CAPÍTULO XIII

 

REDAÇÃO

 

Redação, assunto a ser estudado aqui, quer dizer: ato de redigir. No dicionário você verá que a palavra redação significa também local de trabalho de redatores; mas não é o nosso caso.

Como redação se entende todas as formas de escritos. Serão estudadas aqui as seguintes formas:

 

— artigo

— ata

— bilhete

— carta pessoal

— carta comercial

— conto

— crônica

— edital

— editorial

— memorando

— ofício

— relatório

— telegrama

 

Estrutura de uma redação

 

Uma redação, de qualquer espécie, precisa de uma estrutura com uma sequência lógica, ou seja, precisa ter um começo, um meio e um fim.

O erro clássico do estudante é não saber dar essa sequência. Às vezes também vemos filmes, no cinema ou na televisão, em que o produtor se perde na sequência lógica. Nesse caso a história fica ininteligível.

Há casos, como veremos a seguir, em que a sequência não tem que ser seguida à risca: você pode escrever um conto, por exemplo, começando pelo fim; ou ainda, às vezes, se vê os escritores entremearem suas histórias com trechos que vão esclarecendo o leitor aos poucos. Isso é para dar suspense e prender o leitor. Entretanto todas as redações devem ter um começo, um meio e um fim, mesmo que não estejam necessariamente nesta ordem.

Mas, estudaremos aqui como se pode escrever melhor sem ser um craque no assunto, ou um profissional.

Use, de preferência, orações curtas sem enfeitar demais o assunto.

Períodos muito longos ficam difíceis de entender. Para exemplificar, veja o texto abaixo.

A verba, que já havia sido proposta no recinto do plenário uma quantidade enorme de vezes, e que seria para beneficiar as cidades de todos os Estados desse nosso Brasil, foi proposta mais uma vez na última sexta-feira, quatro de maio, e foi novamente recusada a sua aprovação.

Não há necessidade de se  “encher linguiça”. Fica melhor dizer assim:

A proposta sobre a verba para beneficiar os municípios do Brasil foi reapresentada em plenário na última sessão do dia quatro de maio. Foi indeferida.

Evite termos muito batidos pela imprensa. Às vezes um político usa uma expressão uma vez e a imprensa repassa a seus leitores repetidamente.

Ex.: O trânsito está engarrafado (termo usado e abusado pelos âncoras das Tvs.).

Fica melhor: O trânsito está congestionado.

Um ministro, uma vez, usou a expressão elenco de medidas, e as pessoas passaram a usá-la a toda hora, como se a achasse linda. Não está errada a expressão, mas a palavra elenco é mais cabível para designar a relação de atores de um filme, de uma peça de teatro, os jogadores de um time de futebol, artistas de um circo etc. O mais correto seria um conjunto de medidas.

Evite palavras como economês, portunhol etc.

Os lugares comuns também são detestáveis.

Ex.: Veio a ocorrer o óbito. Diga claramente: morreu.

         Genitora. Diga logo: mãe.

Há expressões que formam um cacófato. Não vá escrever numa carta, por exemplo, minha cara Bina. Ou ainda: Foi rateado o prejuízo por cada um dos presentes. Fica melhor assim: Querida Bina. — O prejuízo foi rateado por todos os presentes.

Evite o uso de palavras estrangeiras.

Com frequência ouvimos falar record mundial, quando o correto é recorde mundial. Usa-se a palavra em inglês erradamente, acentuando a primeira sílaba: está errado.

 

Linguagem literária

 

No texto literário, ou seja, romances, contos etc., o escritor não se atém a regras ou recomendações da boa escrita, com exceção da gramática, é claro. Entretanto não há necessidade de ter um começo, um meio e um fim, nessa ordem. Muitas vezes, mesmo pela necessidade de uma trama, o romance começa pelo fim, passando pelo começo, voltando para o meio, e em seguida indo para o fim novamente.

Textos literários são contos, romances, histórias de ficção, novelas etc. Mais adiante daremos um exemplo de um conto.

 

Linguagem não literária

 

Nos textos não literários já há a necessidade de se seguir as regras. Não se justifica escrever uma carta, um memorando, um ofício ou outro documento desse tipo sem que se siga as regras de redação. Também daremos mais adiante alguns exemplos.

 

Linguagem contábil

 

Nessa, já há até a necessidade de se errar propositadamente, para dar clareza ao assunto. Vamos dar alguns exemplos.

A palavra três, em cheques, escreve-se treis: Treis mil reais.

O artifício se apega ao fato de que, escrevendo-se três, pode-se alterar para treze, dando assim margem a uma fraude.

A palavra um, também em cheques, se escreve humum pode ser adulterado para cem, com facilidade, principalmente quando escrito no começo da frase. Ex. Hum mil reais..

Dez, pode ser alterado para dezenove, dezesseis, dezessete etc.; por isso, ao se preencher o valor por extenso em um cheque escreve-se déis.

 

Tipos de redação

 

Conforme foi relacionado no início deste capítulo, vamos agora estudar os vários tipos de redação.

 

Artigo

 

É um escrito de um jornal ou revista, em que o autor aborda assuntos de momento ou datas históricas. Deve ser assinado pelo autor. Artigo de fundo é como se chama o artigo escrito pelo redator chefe e que geralmente vem impresso na primeira página.

Exemplo:

 

                                                        PROFESSOR: PARA QUÊ?

 

                                                                                                                Nivaldo Rocha

 

       À entrada do terceiro milênio surgem  os questionamentos em todas as áreas.

       Graham Bell nem sonharia que haveria comunicação por telefone via satélite, nem Thomas Edison poderia imaginar que a humanidade ficaria refém da eletricidade.

       E, chegada a era dos computadores, quem poderia prever que em poucas décadas haveríamos de conseguir tamanho progresso na informática? O computador hoje controla praticamente todas as nossas atividades, desde a indústria, comércio, comunicações até a agricultura. E o que se dizer, então, da Educação?

       A Televisão possibilitou um processo de educação em massa. Pode-se hoje adquirir um diploma por intermédio de telecursos. Pela Internet, via satélite, podemos nos comunicar com museus, órgãos governamentais como IBGE, por exemplo, que pode nos fornecer quaisquer dados geográficos ou estatísticos, bolsas de valores etc. e com instituições internacionais inimagináveis.

       Isto posto, surge então a questão: Onde é que entra o professor nisso tudo? Como é que fica a profissão "Professor" diante de tanto avanço tecnológico e cultural dos últimos anos?

       Antes de mais nada é preciso se dizer que os telecursos são organizados e orientados por PROFESSORES! Os dados que acessamos pela Internet são fornecidos por PROFESSORES e técnicos!

       Mesmo que os alunos não vejam hoje o professor com o respeito que lhe é devido, como o era há algumas décadas, o mestre é quem orienta o aluno em sua vida futura. É ele que lhe mostra como estudar os assuntos que lhe interessam e o influencia na futura profissão. O autodidata pode chegar ao conhecimento que pretende adquirir, entretanto, com o auxílio e orientação do professor ele pode chegar ao fim desejado com mais rapidez e facilidade.

       O advogado, o jornalista de hoje, sempre se lembrará do professor de Português que o influenciou ontem, assim como o engenheiro, o arquiteto, terá sempre na lembrança o professor de matemática que o inspirou na escolha da profissão.

      

DISCIPLINA

   

       A disciplina dentro da sala de aula vem sendo a cada dia mais difícil de se manter, isto por causa da falta de respeito dos alunos.

       Não se quer dizer aqui que todos os alunos são mal educados, mas, a falta de respeito referida acima vem de casa. As crianças e os jovens sentem uma falta de pulso dentro de casa: os pais, muitas vezes ausentes, deixam a educação dos filhos aos educadores profissionais, que são os professores.

       Essa é a dificuldade que os professores enfrentam no seu dia a dia com os alunos: não são respeitados pela maioria dos alunos, e assim sendo torna-se mais difícil manter a disciplina e, por conseguinte, ensinar se torna também mais difícil.

       A tática que os professores têm aplicado para manter os alunos interessados pelas aulas é a psicologia: motivação é a arma. Todas as aulas têm que ser motivadas para que os alunos prestem atenção ao assunto em pauta. A simpatia do professor também conta.

       Entretanto, a maneira mais eficaz de se manter o aluno disciplinado é o medo: medo do castigo.

       Em outros tempos a escola aplicava corretivos que iam desde a advertência até a suspensão e expulsão. Não creio que isso ainda tenha grande eficácia.

       Mas, uma sugestão, que me foi dada por um amigo, é a aplicação de multa. Ao aluno indisciplinado aplicar-se-ia uma multa. A multa pesa no bolso! Como é o pai dele que vai pagar, é claro que esse aluno voltaria de casa com mais vontade de estudar!...

 

       EM QUE MEDIDA SE PODE AFIRMAR QUE A FUNÇÃO DA ESCOLA É TRANSMITIR A HERANÇA CULTURAL?

 

       Antes de entrar no tema sugerido é necessário definir o que é cultura. Cultura é a soma de todos os conhecimentos que o homem adquiriu através dos tempos. Tudo que foi acrescentado pelo homem, desde que foi criado, é cultura, seja boa ou má.

Se a mãe ensina a filha a fazer tricô, ela está transmitindo um conhecimento que ela adquiriu anteriormente, assim como o sapateiro aprendeu sua profissão por intermédio de alguém; ao que ele aprendeu, ele acrescenta algo que ele mesmo cria. Todos nós acrescentamos algum conhecimento ao mundo. Essa herança cultural nós tanto recebemos como transmitimos.

       Dentro dessa definição ampla um homem culto é aquele que acumula o maior número de conhecimentos que nossos antepassados deixaram. Isso se adquire muito pouco na Escola e muito através da leitura e com a vivência em sociedade.

       Assim sendo, não podemos afirmar que a função da Escola é transmitir a nossa herança cultural. O máximo que a Escola pode fazer é transmitir conhecimentos específicos, que são identificados pelas disciplinas curriculares: Línguas, Matemática, Geografia, História, Física, Química etc.

 

                                 

Ata

 

Ata é o registro oficial de uma reunião, de uma assembleia, seja ela ordinária ou extraordinária. Nela se registra todos os assuntos debatidos numa reunião, por menores que sejam a importância dos fatos.

Hoje em dia costuma-se registrar as reuniões com gravações em fita ou até em vídeo. Nem por isso a ata fica dispensada, e deve ser redigida pelo secretário ou secretária e assinada pelo presidente, ou síndico, ou diretor que conduziu a reunião, com duas testemunhas, além da assinatura do secretário.

Numa ata, todos os números, com exceção dos itens, devem ser escritos por extenso. Além disso não se admite rasuras e não pode ter parágrafos, afim de não dar margem a acréscimos posteriores. A ata é registrada em livro próprio, que  também só deve deixar espaço de uma para outra para o carimbo do cartório.

Exemplo:

Ata da reunião extraordinária do Condomínio Alfa Beta, localizado à Avenida Dezenove de Dezembro, seiscentos e dois, na cidade de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, realizada no dia vinte e três de fevereiro de mil novecentos e noventa e oito, iniciando-se às vinte e uma horas e seis minutos. A reunião havia sido convocada por edital para início às vinte horas e trinta minutos, com o quórum de cinquenta por cento dos condôminos, ou às vinte e uma horas, com qualquer número. Os assuntos para que foram convocados a debater foram os seguintes: 1 — Colocação de um tapete debaixo de onde fica a cadeira do porteiro noturno, com o fim de evitar friagens desnecessárias. 2 — Proibir que alguns condôminos joguem lixo pelas janelas, sujando o pátio. 3 — Valor das mensalidades. 4 — Construção de um local para as crianças brincarem. Depois de debatidos os assuntos, ficou decidido o seguinte: Item 1 — A maioria aprovou o conteúdo desse item. Item 2 — Depois de algumas discussões entre os presentes, foram identificados os condôminos de cujas janelas são jogados o lixo. O síndico vai entrar em contato com eles por escrito. Item 3 — Ficou decidido um aumento de doze por cento nas mensalidades. Item 4 — Devido a conjuntura econômica, este último item ficou para ser debatido em reuniões posteriores. Eu, João de Oliveira, redigi e conferi esta ata, que foi aprovada e assinada pelo síndico, sr. Orlando de Freitas, tendo como testemunhas os senhores Joel de Andrade e Carlos Frias, presentes à reunião.

 

Bilhete ou recado

 

É parecido com o memorando, que veremos adiante, só que não é convencional. Poupa tempo e traz resultados imediatos.

Num recado, deve-se informar a pessoa com quem quer se comunicar o que queremos dela em palavras claras e concisas.

Exemplo:

— Frederico, reúna-se comigo em minha sala às 14 horas de hoje para tratarmos do assunto “Política atual”. Estarão presentes, além de você: João Carlos, Alfredo, Jorge, Antonio José  e eu. Assinado. Gabriel. 12-02-98.

Podemos incluir neste item o termo “passar email”. Passar um “email” não é necessariamente passar um telegrama. Passe o seu recado dando instruções ao destinatário, de modo que ele já venha a lhe telefonar com todas as informações que você quer.

Exemplo: Geraldo, telefone-me logo mais, para me informar o número do telefone da Joana Fontes. Preciso me comunicar com ela a respeito do concurso que ela vai prestar. Não é urgente. Melo. Telefone 2222-2222.

Como se percebe, num recado você diz tudo que precisa, como numa carta, só que reduzidamente.

 

Carta pessoal

 

Carta pessoal, obviamente, é uma carta que você escreve a uma pessoa que você conhece.

Atualmente, com as comunicações em alta, a carta pessoal está caindo em desuso. Usa-se mais o telefone, fax ou a Internet, mas mesmo assim ainda se escreve muitas cartas.

A carta pessoal, deve abordar os assuntos que você quer comunicar ao destinatário, dependendo do grau de intimidade que você tem com ele. Dispensa cabeçalhos, mas por uma questão de educação, de etiqueta, deve ser sempre escrita à mão.

Exemplo:

                                                                           São Paulo, 28 de abril de 1997

Meu caro Joaquim

 

Gostei muito de contar com sua presença na festa de casamento de minha filha, em março. Por uma questão de deveres, não me foi possível lhe dar a atenção que gostaria, por isso escrevo-lhe esta.

Só quero lhe agradecer muitíssimo, pois sei que você é muito atarefado e mora muito distante desta capital.

Ainda sinto muita falta de nossas longas conversas, que espero algum dia poder reatar, embora não julgue fácil.

Bem, amigo, estou aqui à sua disposição para quando estiver em São Paulo. Visite-me.

                                                                   Um grande abraço

                                                                         Ricardo

 

Carta comercial

 

Essa já deve ser mais solene, pois você está se dirigindo a uma empresa que pode ser constituída por uma só pessoa ou por vários sócios.

Na carta comercial, a data deve ser colocada no alto, ao lado direito. Em seguida os dados do destinatário, à esquerda: nome da empresa, endereço, bairro, cidade, estado e código postal. Depois disso, uma breve introdução, aborda-se o assunto ou assuntos a serem tratados. Por fim o encerramento.

Exemplo:

                                                                               Rio de Janeiro, 31 de maio de 1998

A

José Witacher & Cia. Ltda.

Rua das Flores, 871 — Sapopemba

SÃO PAULO — Capital

 

Cep. 0000-000

 

Prezados senhores

 

Recebemos sua carta de 23 do mês passado, cujo conteúdo tomamos conhecimento e agradecemos.

Entretanto, informamos que não podemos atender seu pedido de 200 caixas de vinho alemão da marca solicitada, em virtude de a importação estar suspensa.

Voltaremos a nos comunicar com essa firma assim que os órgãos governamentais liberarem novamente a compra dos produtos referidos.

Sendo o quanto se nos apresenta, queiram aceitar nossas escusas.

 

                                                                        Atenciosamente

 

                                                           ___________________________

                                                           Importação e Comércio Janela S.A.

 

Conto

 

É uma obra literária em que o escritor apresenta uma história curta de ficção, onde os personagens são imaginários. Tem também começo, meio e fim, porém nem sempre nessa ordem. Um conto, como um romance, pode começar pelo fim, para que o escritor possa apresentar sua história de maneira sugestiva. Um dos mestres do conto, no Brasil, foi Machado de Assis, que também escreveu crônicas para um jornal da época. Mais atual, notável, é Dalton Trevisan.

Quase todos os contistas foram influenciados por Guy de Maupassant, francês, Balzac, também francês e William Somerset Maugham, inglês. Outros que também se notabilizaram escrevendo contos foram Oscar Wilde, Miguel de Cervantes, Dostoievski, Júlio Diniz e outros.

Quando um conto é um pouco mais longo, pode ser chamado de novela.

 

Exemplo:

 

                                                                            O IMPOSSÍVEL

         

                                                                  Nivaldo Rocha

                                                                                                                 

— Nets, — disse Yura — nós não temos nada para dar de presente aos nossos filhos, no dia de Ja!

— É mesmo! — disse Nets, entristecido.

Pensou muito no assunto, e não conseguiu, de imediato uma solução para o problema.

— É incrível que nós, seres superiores, depois de termos alcançado o máximo progresso físico e mental, estamos sem condições de presentear nossos filhos nesse dia.

O dia de Ja era a festa maior da humanidade: comemorava-se o dia da criação. A festa se daria dali a alguns dias.

Era realmente incrível, ele tinha razão: haviam alcançado uma perfeição física e mental difícil de se imaginar. Podiam viajar por todas as galáxias, sem necessidade de veículo de qualquer espécie. Apenas usavam a força mental! A onda F os levava a qualquer lugar. Tempo e espaço já estavam sob controle. Tanto podiam viajar através das galáxias, como através dos tempos.

Mas, Nets reconhecia, todo esse avanço não trouxe a felicidade esperada. Os homens eram alimentados de tal maneira, que alcançavam estaturas inacreditáveis. Uma criança de apenas dez anos, por exemplo chegava a atingir de três a quatro metros de altura. O problema era alimentar a população!

O drama dos governantes era esse: podiam viajar para onde quisessem, mas, como trazer alimentos? A capacidade de produção do planeta Germinal já estava totalmente esgotada. Não havia mais como alimentar tanta gente. Programas de controle da natalidade foram postos em execução, mas tiveram resultados insignificantes.

Não se sabe quando isso aconteceu, se há milhares de anos, daqui a milhões de anos ou daqui a cem! Afinal, nesse tempo não havia barreira de tempo nem espaço

— Yura — disse Nets — eu sou um cientista, e tenho que resolver esse problema. Eu vou inventar e produzir uns bonecos para nossos filhos!

— Mas, tem que ser algo especial — disse a mulher!

— E serão. Eles serão idênticos a nós, em tamanho menor.

Foi para o laboratório. Pensou, estudou, fez cálculos, fez experiências e chegou a uma conclusão: os bonecos que criaria seriam iguais a eles, homens, mas em tamanho bem menor. Claro! A sua alimentação seria muito fácil. Com pouca verdura e carne eles se satisfariam.

Ele conseguiu o pequeno homem, em tudo igual a eles (em tamanho reduzido). Só não conseguiu criar um cérebro igual ao deles, apenas parecido. Bem, pensou Nets, eles poderão progredir por conta própria, pois já têm tudo que nós temos.

Assim foi criado o homem, de mais ou menos um metro e cinquenta de estatura.

Deu de presente um casal ao filho, e um casal à filha.

Foi um grande dia. Os filhos adoraram os bonecos. Não falavam ainda, mas o pai afiançou-lhes que, com o convívio, eles aprenderiam.

Nid, o filho, ficou muito feliz com o presente: podia agora comandar um casal de pessoas, que fariam o que ele quisesse.

Os bonecos criados por Nets eram perfeitos, e foram admirados por todos os povos do planeta Germinal. Dentro de pouco tempo outros cientistas também criaram seus bonecos: brancos, amarelos, pretos, louros, morenos, tudo de acordo com a imaginação de cada um.

Nets tinha criado o impossível: seres iguais a ele, de tamanho menor, e que poderiam habitar inúmeros planetas, consumindo um mínimo de alimentos. Eram dotados de sistema de procriação também.

Foi assim que os homens foram criados! E esses homens ficaram sob o comando das crianças do planeta Germinal!...

Esta história estava sendo contada por um homem, que conversava animadamente com um amigo. O nome deles: Josué e Isaías

— Por que você está me contando essa história estranha? — perguntou Josué.

— Bem, — disse Isaías — é uma teoria sobre a criação do universo tão boa como a teoria de Darwin ou a história contada na Bíblia.

— Mas, o estranho é que você contou uma história tão esquisita! Você acha mesmo que isso aconteceu? — perguntou Edgar.

— Acho, por que não?

— E, quem contou isso a você?

— Bem, ninguém me contou nada. Eu apenas imagino que tenha sido assim. Nós temos visto coisas inexplicáveis. Por exemplo: discos voadores aparecem e desaparecem sem deixar vestígios. Os entes que comandam essas naves não se dão a conhecer. Não se comunicam conosco. Por que você acha que é assim?

— Por medo? — arriscou Josué.

— Ora, medo de que? De uns pobres diabos como nós?

Isaías, pensou mais um pouco, depois disse:

— Não é medo não. Nada disso! Eles nos desprezam. Só não se apresentam porque são muito superiores a nós. E também têm vergonha...

— Vergonha?

— Isso mesmo! Eles têm vergonha e remorso, porque criaram os homens e deram para suas crianças brincarem!

— Crianças?

— Claro! Então você não percebe? Você não se dá conta do que está acontecendo neste nosso planeta? Tudo está muito confuso. Governantes loucos e corruptos, guerras, atentados acontecendo em toda a parte! É. Eu acho que nós somos brinquedos de crianças... * © *

 

 

Crônica

 

Crônica é um artigo para jornal ou revista, assinado, onde o autor dá a sua opinião a respeito de determinado assunto de momento. Pode ser também um pequeno conto. A crônica é muito pessoal e revela de que lado está o autor sobre o assunto ventilado.

Exemplo:

 

                         PARA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER

 

Leio em alguns jornais e também a televisão explora o tema até a exaustão: é a respeito da obrigatoriedade do uso do cinto de segurança. Já havia uma lei regulamentando o uso do citado apetrecho nas estradas. Agora, um destacado prefeito, por intermédio de uma simples portaria, resolveu aplicar essa obrigatoriedade também para a cidade de São Paulo. Como efeito cascata, outros prefeitos acharam por bem imitar o Prefeito de São Paulo.

Não pretendo aqui questionar o cabimento legal dessas portarias. Alguns juristas as julgaram inconstitucionais: vão de encontro a direitos individuais e a outros direitos do cidadão. É mais uma obrigação para o motorista e para os passageiros dos veículos, e assim, os poderes constituídos avançam mais um pouco sobre os direitos do homem.

Muitas pessoas são a favor, as pesquisas mostraram. Só o que os pesquisadores não mostraram é que a maioria das pessoas que responderam a essas pesquisas são pedestres que nunca tiveram um automóvel.

Será que o cinto de segurança é bom mesmo para evitar acidentes, ou pelo menos para salvar vidas? E se isso é verdade, será que o acidentado prefere ficar paraplégico a morrer? E o governo está mesmo interessado em salvar vidas ou será que há algum interesse por traz disso? Se não é assim, por que razão os ônibus de passageiros não têm cintos de segurança, nem mesmo para o motorista? Será que os usuários de transportes coletivos não merecem essa propalada segurança?                              

Falando em interesses, há alguns dias vi uma entrevista em vídeo do saudoso cronista Ibrahim Sued, na qual ele abordou o tema das famigeradas plaquetas, que éramos obrigados a trocar em nossos carros todos os anos. Graças aos constantes ataques jornalísticos do referido jornalista, essa obrigação absurda deixou de existir.

Depois de tudo, quer dizer, depois que as plaquetas foram abolidas, posso revelar o porquê daquela obrigação: as plaquetas eram fornecidas por uma pequena indústria de São Paulo, e somente por ela, indústria esta que ocupava o enorme espaço de cinco por sete metros. Mais parecia uma oficina. Essa indústria pertencia ao cunhado de um ministro da época, ou melhor dizendo, à irmã do ministro!

Pouco depois de ter baixado a portaria em questão, o mesmo prefeito baixa outra porcaria, quero dizer, portaria: agora quem fumar nos restaurantes paga multa. E o proprietário do restaurante também paga. Bonito. Gostei. Tomara que o sábio prefeito tome outras medidas que venham a influenciar outros sábios governadores e prefeitos.

Quer dizer então, que agora os não fumantes, que são maioria, vão ficar livres da poluição que os horrorosos fumantes lançam nos ambientes; não vão mais ser fumantes passivos! Bem feito para os fumantes. Aviso a eles: não veja mais televisão para não ficar com vontade de fumar. Não assista àqueles belos anúncios de Marlboro, Hollywood, Free e outras delícias mais.

E aviso aos não fumantes que estão aplaudindo essa portaria: Não deixem que seus filhos assistam à televisão, porque eles serão futuros fumantes.

Tenho ainda uma ideia melhor: Que tal se fechássemos as emissoras de televisão? Ou ainda fecharmos as indústrias de tabaco? Pensando melhor, é melhor não. Como sempre repete o comentarista Joelmir Betting, não se pode matar a vaca para acabar com o carrapato. É ou não é?

Sugiro que o querido prefeito faça outras proibições. Por exemplo:

“Fica proibido o tráfego de automóveis, ônibus e caminhões dentro da cidade”. Isso para garantir os direitos da maioria da população, que são os pedestres, e para esvaziar os hospitais e ambulatórios médicos da população atacada de bronquite e asma. Não seria uma enorme economia para o governo, heim? Ou ainda, mais interessante ainda: os veículos já poderiam sair multados da fábrica. Para comprar um carro o usuário já levaria uma pesada multa na carcunda.

Outra boa sugestão: “Fica proibido entrar em restaurantes, teatros e cinemas com telefone celular, esse castigo dos tempos modernos. O leitor gostou dessa? Não é chato mesmo estar assistindo a uma bela peça num teatro, ou estar assistindo a um bom filme no cinema e ouvir aquele barulhinho irritante do celular do vizinho do lado? E o pior é que ele atende o telefone em voz alta, que é para mostrar a todo o mundo que ele é o feliz proprietário de um celular. Não é uma gracinha?

Já que estou inspirado, vou dar mais uma sugestão: “Fica proibida a entrada de crianças em restaurantes”. Essa já é um pouco arbitrária demais não é? Mas essa já é mais branda: “É vedado às crianças correrem pelas dependências dos restaurantes, gritando paiê, manhê, vó, vô”. Acho que esta última já mais aceitável.

Os prezados leitores podem pensar que eu estou irritado com essas proibições. Que nada! Aprendi a conviver com tudo. Afinal, quem mandou nascer? Como já dizia o famoso filósofo Vicente Matheus, quem sai na chuva é pra se queimar, é ou não é? E para o mundo que eu quero descer!

Obs.: O título desta crônica foi inspirado numa música do cantor e compositor Sílvio Brito.

 

Edital

 

Edital é um convite ou uma convocação. Deve ser feita por intermédio dos jornais mais lidos ou por carta enviada aos interessados. Essa carta, como uma intimação, tem que ter comprovante de recebimento. Deve ser ainda colocado em locais públicos. O edital tem força de Lei. Uma vez publicado é considerado lido pelos interessados.

Exemplo:

 

A prefeitura de São Paulo convoca os devedores em atraso com o IPTU a comparecerem à repartição competente dentro do prazo de 30 dias para negociação de seus débitos. Depois desse prazo serão considerados devedores relapsos e seus débitos serão cobrados via judicial.

 

                                                            São Paulo, 22 de janeiro de 1998

 

                                                                ______________________

                                                                   diretor da dívida ativa

 

Editorial

 

É o artigo de fundo publicado por um jornal, escrito pelo redator chefe ou pelo diretor de um jornal. Tem valor como opinião do jornal, sobre o qual recai quaisquer ações judiciais cabíveis.

Eventualmente também pode exprimir a opinião de um canal de televisão ou de uma estação de rádio.

Não há necessidade de se dar um exemplo. Diariamente se lê em todos os jornais um editorial, onde o autor (em nome do jornal) critica ou louva o governo ou qualquer atitude deste.

 

Memorando

 

É usado em empresas comerciais ou na administração pública, para comunicações internas entre os diversos departamentos ou seções, ou ainda entre chefes e subordinados, para notificar informações rotineiras. O memorando contém um número que identifica a quantidade de memorandos expedidos, seguido de barra e ano. Ex.: Memorando 134/97. Essa informação deve constar à esquerda, tendo a seguir a data, por extenso ou abreviada na mesma linha, porém à direita: 14/08/97 ou São Paulo, 14 de agosto de 1997.

Depois:

Remetente: na margem esquerda.

Destinatário: na margem esquerda, abaixo do remetente.

Assunto: na margem esquerda, abaixo do destinatário, o assunto sobre o qual se está tratando.

Texto: claro e resumido.

Fecho: breve, à direita

Assinatura: com identificação, na margem inferior, à direita.

 

Exemplo:

                                                                                                   Curitiba, 14/08/97

Memorando 134/97

 

Do: Diretor comercial

Ao: Chefe dos transportes

 

Assunto: Otimização dos transportes

 

Levamos ao seu conhecimento que convocamos a diretoria para ouvir seus esclarecimentos a respeito do assunto em pauta para a próxima segunda feira às oito e meia da manhã.

 

                                                                                            atenciosamente

 

                                                                                   ______________________

                                                                                            Carlos Monteiro

                                                                                                            dir. Comercial

 

Ofício

 

Ofício é uma carta utilizada entre os órgãos oficiais para correspondência interna ou externa. Deve ser escrito em papel timbrado do órgão oficial. O ofício é muito parecido ao memorando, só diferindo deste pela colocação do nome e cargo do destinatário, que são colocados ao pé da página, à esquerda, depois da assinatura do remetente.

Exemplo:

 

(TIMBRE DO ÓRGÃO REMETENTE — BATALHÃO DE CONTROLE ESPACIAL)

 

                                                                              Curitiba, 13 de julho de 1998

 

Senhor Capitão chefe do almoxarifado

 

Lembramos a esse órgão que deverá estar preparado para, dentro de três meses, estarmos alojando 300 recrutas que estão sendo convocados.

Devemos estar preparados para fornecer a esses recrutas uniformes e todos os anexos necessários para os treinamentos.

Grato

 

                                                                       _________________________

                                                                                 Cel Juarez Chinaglia

                                                                                        comandante

 

Cap Ernesto Benevides

Chefe do almoxarifado

 

Relatório

 

Relatório é o relato de uma ocorrência ou de uma experiência. Pode ser também um relato rotineiro exigido pelas administrações de empresas, ou quaisquer outros órgãos, de seus subordinados.

O relatório deve ser imparcial, preciso, objetivo e claro, pois deverá servir de fonte de informação aos superiores.

Deve ser redigido em partes: introdução, texto (dividido em itens, se for necessário), fecho, local e data, assinatura e, se houver, anexos.

 

Exemplo de relatório de vendas de um vendedor para seu chefe:

 

— Relatório mensal de vendas.

 

Minha quota mensal de vendas deixou de ser coberta no último mês de fevereiro, pelas razões que enumero abaixo:

1 — O mês de fevereiro, em minha região, sempre foi fraco de vendas.

2 — O fato de os agricultores da região não terem ainda comercializado a última safra de trigo, colhida em setembro do ano passado.

3 — Dado que dependemos diretamente da agricultura (soja e trigo), devemos aguardar melhores preços internacionais, quando faremos melhores negócios. Isso deve ocorrer a partir de maio.

 

                                                                Atenciosamente

                                                   Foz do Iguaçu, 10 de junho de 1997

                                                      ________________________

                                                               Aníbal Silvestre

 

Anexo: recorte de jornal da cidade contendo informações a respeito.

 

Telegrama

 

Quando este autor ainda cursava o segundo grau em um colégio noturno, um professor de Português cobrou dos alunos, numa prova, como redação, o seguinte: Passar um telegrama de congratulações, pelo aniversário, a um parente distante.

Todos os alunos tiraram notas baixíssimas, menos um, que era funcionário dos Correios. O telegrama dele foi o seguinte:

Joel — Avenida Laranjeiras 51 — Caicó — Ce

Primo Joel grande abraço seu aniversário pt Nicanor pt

Como se vê, ele disse tudo em espaço reduzido, a um custo baixo, pois o telegrama é cobrado pelo número de palavras.

Obs.: Não se pontua o texto de um telegrama. O ponto deve ser substituído por pt e a vírgula por vg.

 

CAPÍTULO XIV

 

PONTUAÇÃO

 

Para que se faça uma boa redação, é preciso que se conheça bem o uso da pontuação.

O uso da vírgula dentro da oração foi estudado em um capítulo anterior, mas aqui vamos estudar todos os sinais de pontuação.

 

Ponto final ( . ) — É usado em fim de frase ou fim de período.

Ex.: Passe-me a manteiga.

Serve também para abreviações: ex., obs., etc.

 

Dois pontos ( : ) — Usa-se nos seguintes casos:

— fazendo citações ou para marcar um monólogo. Ex.: Ela disse: “Não quero conversa”.

— enumerando ou separando itens. Ex.: São encontrados no lixo:

1 — latas vazias

2 — garrafas

3 — jornais etc.

 

Ponto e vírgula ( ; ) — Serve para separar elementos coordenados muito extensos. Substitui, neste caso, a vírgula, quando o período é muito extenso.

Ex.: Quando ele voltou da viagem estava muito cansado; mesmo assim ainda foi trabalhar.

 

Ponto de interrogação ( ? ) — No final das frases interrogativas.

Ex.: O que você achou disso?

 

Ponto de exclamação ( ! ) — No final das frases exclamativas.

Ex.: Que surpresa!

 

Reticências ( … ) — No final de frases, indicando interrupção de pensamento, e dando a entender que haveria mais a dizer.

Ex.: Eu acho que ainda era cedo para ela se casar, é difícil dizer

 

Aspas ( “ “ ) — Nos seguintes casos:

— para se citar palavras estrangeiras ou gírias.

Ex.: Era hora do rush.

       Vou lhe dar uma dica.

— quando a citação não é de autoria de quem escreve.

Ex.: Quem com ferro fere com ferro será ferido.

— quando se quer depreciar ou brincar com uma citação.

Ex.: Aquele cachorro era uma “simpatia”. De dia latia para o sol, de noite latia para a lua.

Obs.: Atualmente, com o advento do computador, as citações que deveriam ficar entre aspas podem ser escritas com letras diferenciadas.

Ex.: Aquele cachorro era uma simpatia.

 

Travessão (    ) — Serve para indicar início de fala entre interlocutores nos diálogos, para dar ênfase a um termo ou ainda para explicar quem está falando.

Ex.:

Quem falou isso? perguntou a professora irritada.

Ex.:

As coisas boas da vida felicidade, por exemplo são conquistadas.

 

Hífen ( - )

— Serve para unir o verbo a seu pronome.

Ex.: Passe-me o pão. Encontramo-nos no cinema.

— Serve para unir palavras compostas.

Ex.: Vice-reitor.

— Serve também para separar sílabas no final da linha.

 

Asterisco ( * ) — Serve para chamar a atenção de que haverá uma explicação posterior, no fim da página. Indica que há algo mais a dizer sobre o assunto.

Ex.: Quando Judas* entrou no deserto…

* Estamos falando de Judas, irmão de Tiago, e não do Iscariotes.

 

Ponto parágrafo ( . ) — Só difere do ponto final porque exige que se deixe o resto da linha em branco e recomece o novo período deixando uma margem à esquerda.

 

Apóstrofo ( ‘ ) — Sinal gráfico que serve para indicar supressão de letra, numa contração, por exemplo.

Ex.: dágua, tá.

 

Vírgula ( , ) — Usa-se a vírgula:

— para separar palavras da mesma classe gramatical.

Ex.: O mercado estava bem sortido: tinha frutas, verduras, cereais de todos os tipos.

— para isolar o vocativo.

Ex.: Vamos, ó Jesus, atenda minhas preces.

— para isolar o aposto.

Ex.: Jack, o estripador, fez setecentas vítimas.

— em datas.

Ex.: Fortaleza, 28 de fevereiro de 1999.

— em adjuntos adverbiais fora de colocação.

Ex.: À noite, ele não consegue dormir. (A ordem direta seria: Ele não consegue dormir à noite).

— quando o verbo estiver suprimido.

Ex.: O mestre vende ideias; o mágico, ilusões. (O verbo vender está oculto).

— separando orações, substituindo a conjunção e.

Ex.: Joguei fora os sapatos, tomei-lhe a mão,  entramos na água.

— isolando expressões explicativas.

Ex.: Ela não era, como se diz, nenhuma Vênus.

       Tenho dito o que penso, isto é, sempre que posso.

 

CAPÍTULO XV

 

VÍCIOS DE LINGUAGEM

 

São desvios das normas linguísticas.

 

1 — Barbarismo

São desvios da norma, causados por desconhecimento ou, às vezes, por descuido.

— da grafia: beneficiente em vez de beneficente.

— da pronúncia: rúbrica  (com acento) em vez de rubrica.

 

— da morfologia: interviu em vez de interveio.

— da semântica (do sentido das palavras): desapercebido em vez de despercebido.

— galicismo (do francês): abat-jour em vez de abajur.

                      Mise-en-scène em vez de encenação.

— anglicismo (do inglês): know-how em vez de conhecimento.

                                           Week-end em vez de fim de semana.

 

2 — Arcaísmo

 

É o emprego de palavras arcaicas, antigas, que já caíram em desuso.

antanho em vez de no passado.

     Asinha em vez de depressa.

 

3 — Neologismo

 

Emprego de palavras novas que ainda não foram incorporadas ao sistema.

Ex.: O documento já foi xerocado.

 

4 — Solecismo

 

São erros de sintaxe:

— de concordância: Houveram muitas faltas (em vez de houve).

                                   A gente fomos (em vez de a gente foi).

— de regência: A proposta implica em muitas despesas.

O verbo implicar, no sentido de causar, acarretar, é transitivo direto. O certo é: A proposta implica muitas despesas.

— de colocação: Não tratava-se disso.

Obs.: A partícula não atrai o pronome. O certo é: Não se tratava disso.

Outro exemplo:

A compraria, se tivesse dinheiro.

Não se começa oração com pronome oblíquo. O certo é:

Comprá-la-ia, se tivesse dinheiro.

 

5 — Anfibologia ou ambiguidade

 

Falha da fala ou da escrita em que a frase admite mais de uma interpretação.

Ex.: Jogador e juiz se pegaram aos tapas por causa da sua conduta. (conduta de quem?)

 

6 — Obscuridade

 

Frase difícil de se entender por defeito de construção.

Ex.: A casa estava cheia de baratas por causa do veneno que ela comprou.

 

7 — Cacófato

 

É a combinação de palavras que resulta dissonante.

Ex.: Os jogadores receberam um prêmio por cada um.

 

8 — Eco

 

Dissonância produzida pela ocorrência de rima. Isso só pode ocorrer na poesia.

Ex.: A escada estava lavada em cada degrau da entrada.

 

9 — Hiato

 

Efeito dissonante produzido por uma sequência ininterrupta de vogais.

Ex.: Quer dizer que você coloca a coisa assim: ou eu o ouço, ou sou despedido?

 

10 — Colisão

 

Dissonância produzida pela ocorrência de consoantes iguais ou semelhantes.

Ex.: Tia Telma teve tifo três vezes.

 

11 — Pleonasmo

 

Repetição desnecessária de uma informação.

Ex.: O filme pornográfico só continha pornografia.

 

CAPÍTULO XVI

 

DÚVIDAS, CORREÇÕES E ESCLARECIMENTOS

 

Quando se vai redigir alguma coisa, ou quando se fala, comete-se erros que, se estudarmos um pouco, deixaremos de cometer. Quando você for escrever, tenha por hábito consultar um dicionário sempre que tiver dúvidas.

Comentaremos aqui alguns erros comuns fáceis de se corrigir. Comecemos por erros de linguagem e escrita.

 

ERRADO                                           CERTO

 

Pode ponhar aí.                                   Pode pôr aí.

Lâmpada florescente                          Lâmpada fluorescente.

Duzentas gramas de presunto            Duzentos gramas de presunto.

Degladiar                                             Digladiar.

Bingo beneficiente                               Bingo beneficente.

Menas vezes                                         Menos vezes

A algum tempo                                      algum tempo.

Rúbrica                                                 Rubrica.

Venda à prazo                                      Venda a prazo.

Para mim ver                                        Para eu ver.

Pode vim logo                                       Pode vir logo.

Interviu                                                 Interveio.

Paras-choques                                      Parachoques.

Políticas-partidárias                            Políticopartidárias.

Guardas-chuvas                                   Guardachuvas.

Ovo instalado                                       Ovo estrelado.

Ele passou mau                                    Ele passou mal.

Mau encarado                                      Mal encarado.

Senão estiver de acordo                       Se não estiver de acordo.

Porisso mesmo                                      Por isso mesmo.

Há apenas um se não                            Há apenas um senão.

Estou afim de vender                            Estou a fim de vender.

Pessoas a fins                                        Pessoas afins.

Aonde estamos?                                    Onde estamos.

Haja visto                                              Haja vista.

Há cerca de tudo                                   Acerca de tudo.

Estava à-toa na vida                              Estava à toa na vida.

Vamos tomar uma champanhe?           Vamos tomar um champanha?

O rapaz ainda é de menor                     O rapaz é de menor idade.

                                                                 O rapaz é menor de idade.

Chovia, de modos que ficamos              Chovia, de modo que ficamos.

Seja benvindo                                          Seja bem-vindo.

Um mandato de segurança                     Um mandado de segurança.

É proibido a venda de bebidas               É proibida a venda de bebidas.

De que é que ele véve                              De que é que ele vive.

Percas e danos                                         Perdas e danos.

Lucros e percas                                       Lucros e perdas.

Eu reprovei em Português                     Eu fui reprovado em Português.

 

Esclarecimentos sobre os erros acima mencionados

 

— Embora pareça estranho, ainda há muita gente que diz pode ponhar aí. Não existe verbo ponhar. O certo é pôr.

— Não se engane. O certo é lâmpada fluorescente e não florescente.

Grama (peso) é palavra masculina. Existe grama, palavra feminina, mas é aquela vegetação rasteira.

— Quando se trata de benefício no sentido de ajuda, é beneficência. Existe a palavra beneficiência, no sentido de aperfeiçoar um produto. Por exemplo: beneficiência de arroz, que consiste em extrair a casca e polir.

Menos, como mais, são advérbios, palavras invariáveis: não têm gênero ou número. Portanto diga-se: Este ano viajei menos vezes do que eu gostaria; nunca menas.

— O emprego do a ou pega muita gente desprevenida: a é uma preposição e é a terceira pessoa do verbo haver. A regra é simples: O a preposição pode ser substituído por para. Quando se trata de tempo futuro ou distância emprega-se a preposição a. Ex.: Daqui a dez dias tenho que viajar. São Paulo fica a setecentos quilômetros.

Quando se trata de tempo decorrido, tempo passado, emprega-se o , do verbo haver. Ex.: Isso ocorreu muitos anos.

O , neste caso, pode ser substituído por faz.

OBS: O verbo haver, no sentido de ter, ocorrer, só é usado no singular: Havia muitas pessoas no comício. Com a tempestade houve muitas trovoadas.

Houveram muitos aplausos, está  errado!

 

— Venda a prazo. Lembre-se de que o a não pode levar crase antes de palavra masculina.

— Diga: Empreste-me o livro para eu ler, e nunca: para mim ler.

— Infelizmente até atores de televisão empregam a palavra vim, ao invés do verbo vir. Não cometa este erro.

— Os dois paras-choques estavam com defeito. Errado. O certo é: Os dois parachoques estavam com defeito. Numa palavra composta, quando a primeira palavra é um verbo, não pode ser levada ao plural. Assim também acontece com pararraios, guardachuvas etc.

— Só há a expressão ovo estrelado. Ovo instalado ou estalado são expressões inexistentes.

Mau —> é o antônimo (o contrário) de bom.

Mal —> é o antônimo de bem. Não se pode dizer mal gosto. O certo é mau gosto. Não se pode dizer também: João está mau de vida. O certo: João está mal de vida.

— Só não irei ao jogo se não puder. — São palavras separadas.

— Irei ao jogo; só há um senão: tenho que ir a uma reunião antes. — Neste caso senão é uma palavra só, um substantivo.

Porisso: palavra que não existe: a expressão certa é por isso.

— Comprou rosas a fim de agradar a namorada. — São palavras separadas, que querem dizer: com a finalidade.

— Marmelada, goiabada e pessegada são produtos afins. — neste caso afins significa produtos do mesmo ramo; colegas de profissão; pessoas que se combinam.

Onde —> usado quando o verbo indica permanência, estado. Ex.: Onde está Miguel?

Aonde —> usado quando o verbo indica movimento. Ex.: Eu queria saber aonde ele foi.

Haja visto. É expressão errada. O termo certo é haja vista, mesmo antes de palavra masculina. Ex.: Ele não é muito competente, haja vista os erros que ele comete.

Há cerca de (tempo decorrido). Ex.: Há cerca de seis meses eu já havia previsto que isso iria acontecer.

Acerca de (a respeito de, sobre). Já discutimos acerca de como se comportar.

À toa = sem rumo. Ex. O mendigo andava à toa pelas ruas.

À-toa = ordinário, desqualificado. Ex.: Nunca conheci mulher mais à-toa.

— Tolera-se o uso da palavra champanhe (galicismo), porém é palavra masculina. Um champanhe, é o certo, e nunca uma champanhe pois refere-se ao vinho do tipo champanhe. Mas a palavra em português é champanha.

Mandado é uma ordem judicial: Mandado de segurança, mandado de busca (deriva do verbo mandar). 

Mandato é o tempo para o qual um político é eleito para exercer sua função: O presidente foi eleito para um mandato de cinco anos.

— Em avisos se vê com frequência erros como o citado: É proibido a venda de bebidas. Errado. O certo: É proibida a venda de bebidas. Quando a oração tiver sujeito (a venda de bebidas), o verbo tem que combinar em gênero e número com o sujeito. Quando o sujeito é indefinido (quando depois de proibido vem um verbo), proibido fica no masculino: É proibido pisar na grama. É proibido proibir.

— Agora, se a proibição é para várias coisas, dentre elas pelo menos uma no masculino ou seguida de um verbo, então passa tudo para o masculino. Ex.: São proibidos cantadas, beijos e abraços.

— Mais uma vez um erro incrível: Nós véve. Pode acreditar que muita gente fala assim. O certo é nós vivemos.

— Outro erro difícil de se acreditar é percas e danos ou lucros e percas. Tenho visto até advogados falando assim. O certo é perdas. Não erre mais.

— Erro muito comum entre os alunos, mesmo entre alunos da Universidade: Eu reprovei em Português. O aluno não reprova nada. Quem reprova é o professor. O que pode acontecer é de o aluno ser reprovado pelo professor.

— Não existe a expressão ela é de menor. Ou se diz ela é de menor idade, ou ela é menor de idade. Ou simplesmente: Ela é menor.

— Ainda há algumas pessoas que falam de modos que. Errado! A forma certa é de modo que. Da mesma forma, são erradas as expressões de maneiras que, de formas que. Essas expressões são locuções invariáveis, não podem ir para o plural. Então, vamos gravar as expressões certas: de modo que, de maneira que, de forma que.

 

Outros esclarecimentos

 

Por que —> termo usado em perguntas: Por que você deixou de ir à festa?

Por que —> termo usado quando puder ser substituído pela expressão por qual, pelo qual (ou no plural): As dificuldades por que ele passou fez dele um homem calejado. (Por que, neste caso pode ser substituído por pelas quais).

Por quê —> usado, como pergunta, no fim de uma frase: Você não vai à festa por quê?

Porque —> termo usado nas respostas: Não vou porque não posso.

Porquê —> termo usado como substantivo: Esse é o porquê da questão.

Porquê —> termo usado como resposta no final da frase: Ele deixou a namorada, mas eu sei porquê.

 

Abaixo de = menos elevado. Ex.: A garagem do prédio fica abaixo do térreo.

Abaixo = interjeição que quer dizer reprovar, discordar. Ex.: Abaixo a ditadura!

Embaixo = em ponto inferior. Ex.: Esse número que o senhor procura, fica mais embaixo.

Embaixo de = debaixo de. Ex.: Coloque as roupas mais pesadas embaixo de todas as mais leves.

Debaixo de = sob (antônimo de sobre). Ex.: Debaixo do trem, via-se vários acidentados.

Baixar = dar baixa, deduzir. Ex.: Dê baixa, no estoque, das mercadorias que foram vendidas hoje, ou Baixe no estoque...

Baixar = reduzir. Ex.: Os preços do café baixaram.

Abaixar = fazer movimento para baixo. Ex.: Ele se abaixou para falar com a criança.

Bem-vindo = boas-vindas. Ex.: Seja bem-vindo à minha casa. A palavra benvindo só existe para nomes próprios. Ex.: Fui à casa de Benvindo.

 

Quando usar letras maiúsculas

 

1 — No início das frases.

Ex.: Quando o inverno chegar eu vou para uma cidade mais quente.

 

2 — Nos nomes próprios.

Ex.: Lucas, Pedro, Paulo, Antonio, Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca. Campinas, São Joaquim da Barra, Deus, Marte, Júpiter.

Obs.: Às vezes um nome próprio é usado para exprimir uma espécie de pássaro, uma planta ou qualquer outra coisa. Neste caso usa-se letra minúscula.

Ex.: joaninha, maria-vai-com-as-outras, joão de barro etc.

 

3 — Nos pontos cardeais, quando dão nome a regiões

 

Ex.: Era um filme do velho Oeste.

       Oriente e Ocidente não se entendem.

       Os bairros da zona Leste.

Obs.: Quando esses nomes de pontos cardeais designam simplesmente limite ou direção, são escritos com letras minúsculas.

Ex.: Essa cidade fica a leste de São Paulo.

        A ferrovia vai de leste a oeste.

 

4 — Nas disciplinas escolares

 

Ex.: Matemática, Desenho, Física, Geografia, História: Hoje eu perdi a aula de Geografia.

Obs.: Quando a palavra exprime uma ideia comum, começa com letra minúscula.

Ex.: A arquitetura do prédio não foi bem planejada.

 

5 — Nos títulos de livros, filmes, peças teatrais, empresas, jornais e revistas.

 

Ex.: O Dia do Chacal, Folha de São Paulo, Manchete, Veja, Petrobrás, Texaco, Indústria de Papel Alto Luxo Ltda.

Obs.: Observe-se que a preposição não se escreve com letra maiúscula.

 

6 — Nos nomes que indicam autoridades ou altos cargos

 

Ex.: Prefeito, Vereador, Embaixador, Governador, Deputado Federal, Delegado, Juiz, Bispo etc.: O Juiz Ramalho presidiu a sessão.

Obs.: Se os nomes forem empregados em sentido geral, sem designar determinada pessoa, são usados com minúscula.

Ex.: As eleições para presidente, senadores e deputados federais serão em outubro.

        O Papa reuniu bispos e cardeais.

Obs.: Papa só existe um, portanto sempre se escreve iniciando com maiúscula. Porém cardeais e bispos a Igreja há muitos.

 

7 — Em pronomes e expressões de tratamento

 

Ex.: Sr., V., Excia., Exmo, V. Santidade.

 

8 — Nos nomes de fatos históricos ou eventos importantes

 

Ex.: Festival do Livro, Bienal de Artes Plásticas, Independência do Brasil, Feira de Informática etc.: A Feira de Informática de Las Vegas será em setembro.

Obs.: Os nomes de festas populares se escreve com minúscula: carnaval, boi bumbá, farra do boi.

 

9 — Em nomes que indicam atos solenes de autoridades

 

Ex.: O Acórdão do Tribunal de Contas dizia...

        O Decreto 231 declara que...

Obs.: Quando esses nomes não se referem a algo determinado, são escritos com letra minúscula.

Ex.: Os Estados Unidos são o país que tem maior número de leis.

 

10 — Nos nomes de artes ou ciências: Direito, Medicina, Arquitetura, Economia, Psicologia, Metafísica, Pintura, Escultura.

Ex.: Ele é professor de Direito.

Obs.: A exemplos anteriores, quando esses nomes não se referem ao nome de uma arte ou ciência , escrevem-se com letra minúscula.

Ex.: A economia do pais não vai nada bem.

 

Como escrever os numerais

 

— Os numerais cardinais são escritos por extenso até nove. Depois disso usamos algarismos.

Ex.: Havia cinco livros na estante.

       O jantar estava programado para 45 pessoas.

       O país já está com 150.000.000 de habitantes.

Obs.: A exceção está na redação de uma ata, que exige todos os números escritos por extenso.

— Os algarismos romanos são usados para enumerar reis, papas, séculos, capítulos, eventos.

Ex.: O capítulo XXI foi mal redigido.

        O Rei João Carlos II vem ao Brasil.

        O século XX já terminou.

 

Grafia das palavras compostas

 

Com a reforma ortográfica de 01/01/2009 o estudo do hífen adquiriu novo conceito. Veja no CAPÍTULO XVII – O QUE MUDOU COM A REFORMA ORTOGRÁFICA DE 01/01/2009

 

CAPÍTULO XVII

 

O QUE MUDOU COM A REFORMA ORTOGRÁFICA DE 01/01/2009

 

 

 

 

Mudanças no alfabeto

 

O alfabeto passa a ter 26 letras. Voltam a fazer parte de nosso alfabeto  as letras k, w e y. — Na verdade essas letras nunca foram suprimidas: sempre foram usadas em abreviações, como km. (quilômetro), kg. (quilograma), w. (watt). Também nas palavras estrangeiras essas letras nunca foram suprimidas: New York, por exemplo.

 

O alfabeto completo passa a ser:

 

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

 

Trema

 

Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui.

 

Antes (errado)    — Agora (certo)

 

agüentar             — aguentar

argüir                  — arguir

bilíngüe              — bilíngue

cinqüenta           — cinquenta

delinqüente        — delinquente

eloqüente           — eloquente

tranqüilo             — tranquilo

 

OBS: É claro que o  trema permanece nas palavras estrangeiras e em suas derivadas.

 

Exemplos: Müller, mülleriano, Citroën etc.

 

Mudanças nas regras de acentuação

 

1. Foi suprimido o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba).

 

Antes (errado) — Agora (certo)

 

alcalóide          — alcaloide

alcatéia            — alcateia

apóia                — apoia

apóio                — apoio

asteróide          — asteroide

colméia            — colmeia

debilóide          — debiloide

epopéia            — epopeia

estréia              — estreia

estréio              — estreio

geléia               — geleia

heróico             — heroico

idéia                 — ideia

jóia                   — joia

odisséia           — odisseia

paranóia          — paranoia

paranóico        — paranoico

platéia             — plateia

tramóia           — tramoia

 

OBS: essa regra é somente se aplica nas palavras paroxítonas. Continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis. Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus.

 

2. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando vierem depois de um ditongo.

 

Antes (errado) — Agora (certo)

 

baiúca — baiuca

bocaiúva — bocaiuva

feiúra — feiura

 

Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos de s), o acento permanece.

 

Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

 

3. Foi suprimido o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s).

 

Antes (errado) — Agora (certo)

 

abençôo            — abençoo

crêem               — creem

dêem                  deem

dôo                   — doo

enjôo                — enjoo

vôo                    — voo

 

4. Foi suprimido o acento que diferenciava pára de para, péla(s) de pela(s), pêlo(s) de pelo(s), pólo(s) de polo(s) e pêra de pera.

 

Antes (errado)            Agora (certo)

 

Pára                        — para

Pólo                        — polo

Pêlo                        — pelo

 

OBS:

 

1 — Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3a pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo, na 3a pessoa do singular.

 

Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.

 

2 — Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição. Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.

3 — Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.). Exemplos: têm, vêm, mantêm, detêm.

 

4 — É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Veja este exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?

 

5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui, (eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.

 

6. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir etc. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo.

 

Veja:

 

a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas.

Exemplos:

 

— verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem.

— verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínquam.

 

Uso do hífen

 

Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo Acordo de 01/01/2009. Mas, trata-se ainda de matéria controvertida em muitos aspectos. Apresentamos um resumo das regras que orientam o uso do hífen com os prefixos mais comuns, e também as novas orientações estabelecidas pelo Acordo.

 

As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos, como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, circum, co, contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre, sub, super, supra, tele, ultra, vice etc.

 

1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h.

 

Exemplos:

 

anti-higiênico

anti-histórico

co-herdeiro

macro-história

mini-hotel

proto-história

sobre-humano

super-homem

ultra-humano

 

Exceção: subumano (nesse caso, a palavra humano perde o h).

 

2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento.

 

Exemplos:

 

aeroespacial

agroindustrial

anteontem

antiaéreo

antieducativo

autoaprendizagem

autoescola

autoestrada

autoinstrução

coautor

coedição

extraescolar

infraestrutura

plurianual

semiaberto

semianalfabeto

semiesférico

semiopaco

 

Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.

 

3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s. Exemplos:

 

anteprojeto

antipedagógico

autopeça

autoproteção

coprodução

geopolítica

microcomputador

pseudoprofessor

semicírculo

semideus

seminovo

ultramoderno

 

OBS: com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice-rei, vice-presidente etc.

 

4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras. Exemplos:

 

antirrábico

antirracismo

antirreligioso

antirrugas

antissocial

biorritmo

contrarregra

contrassenso

cosseno

infrassom

microssistema

minissaia

multissecular

neorrealismo

neossimbolista

semirreta

ultrarresistente.

ultrassom

 

5. Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal.

 

Exemplos:

 

anti-ibérico

anti-imperialista

anti-inflacionário

anti-inflamatório

auto-observação

contra-almirante

contra-atacar

contra-ataque

micro-ondas

micro-ônibus

semi-internato

semi-interno

 

6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante.

 

Exemplos:

 

hiper-requintado

inter-racial

inter-regional

sub-bibliotecário

super-racista

super-reacionário

super-resistente

super-romântico

 

Atenção:

 

— Nos demais casos não se usa o hífen.

 

Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção.

 

— Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça etc.

— Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.

 

7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal. Exemplos:

 

hiperacidez

hiperativo

interescolar

interestadual

interestelar

interestudantil

superamigo

superaquecimento

supereconômico

superexigente

superinteressante

superotimismo

 

8. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen. Exemplos:

 

além-mar

além-túmulo

aquém-mar

ex-aluno

ex-diretor

ex-hospedeiro

ex-prefeito

ex-presidente

pós-graduação

pré-história

pré-vestibular

pró-europeu

recém-casado

recém-nascido

sem-terra

 

9. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu e mirim. Exemplos: Moji-guaçu, Moji-mirim, capim-açu.

 

10. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que casionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.

 

11. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição. Exemplos:

 

girassol

madressilva

pontapé

 

12. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte. Exemplos:

 

Na cidade, conta-

-se que ele foi viajar.

O diretor recebeu os ex-

-alunos.

 

Resumo

 

Emprego do hífen com prefixos

 

Regra básica

 

Sempre se usa o hífen diante de h: anti-higiênico, super-homem.

 

Outros casos

 

1. Prefixo terminado em vogal:

 

— Sem hífen diante de vogal diferente: autoescola, antiaéreo.

 

— Sem hífen diante de consoante diferente de r e s: anteprojeto, semicírculo.

 

— Sem hífen diante de r e s. Dobram-se essas letras: antirracismo, antissocial, ultrassom.

 

— Com hífen diante de mesma vogal: contra-ataque, micro-ondas.

 

2. Prefixo terminado em consoante:

 

• Com hífen diante de mesma consoante: inter-regional, sub-bibliotecário.

• Sem hífen diante de consoante diferente: intermunicipal, supersônico.

• Sem hífen diante de vogal: interestadual, superinteressante.

 

Observações

 

1. Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça etc. Palavras iniciadas por h perdem essa letra e juntam-se sem hífen: subumano, subumanidade.

 

2. Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.

 

3. O prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.

 

4. Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen: vice-rei, vice-almirante etc.

 

5. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição, como girassol, madressilva, pontapé, paraquedista etc.

 

6. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen: ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-casado, pós-graduação, pré-vestibular, pró-europeu.

 

Ressalva: Esta reforma ortográfica talvez seja retificada posteriormente, pois parece incompleta. Caso venha a sofrer alguma alteração, o autor  se compromete a fazer as retificações que forem necessárias.

 

                                              FIM

 

Xanadu2.Com

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