PORTUGUÊS PARA APRIMORAR A
LINGUAGEM E A
ESCRITA
(Já atualizado pela reforma ortográfica de 01-01-2009)
Nivaldo
Rocha
CORES:
AZUL
- CAPÍTULOS
VERDE BRILHANTE - SUB-TÍTULOS
VERMELHO
- TERMOS EM DESTAQUE
AMEIXA
- TERMOS ERRADOS
CAPÍTULO
I
VOCABULÁRIO
GRAMÁTICO PRÁTICO
Acentuação: É o
ato ou o modo de se acentuar, na fala ou na escrita.
Veja
melhores informações no capítulo II ACENTUAÇÃO.
Adjetivo:
Palavra que modifica ou qualifica um nome
(substantivo).
Ex.:
duro - macia - leve - barato - caro - feio.
O
professor foi muito duro com
Maurício.
A
carne estava macia.
Que a
sua vida seja leve.
O
tempo está feio.
Hoje
em dia tudo está caro.
Comprei
o carro porque achei barato.
Adjetivo
pátrio: É
aquele que se refere a um país, estado, cidade ou
região.
Ex.:
asiático - paraguaio - paulista - curitibano - sulista -
nordestino.
O
povo asiático tem cultura
diferente.
O
time paraguaio estava melhor em
campo.
O
Palmeiras venceu o campeonato paulista.
O
povo curitibano compareceu em peso às
urnas.
Adjetivo
composto: É
aquele que é formado por duas ou mais palavras. É um adjetivo qualificado por
outro adjetivo.
Branco-gelo
– azul claro – árabe muçulmano, roxo fúnebre, azul celeste, vermelho
escarlate.
Comprei
um automóvel branco
gelo.
O
vestido dela era azul
claro.
Mohamad
é árabe muçulmano.
Adjunto
adnominal
É uma
qualificação do sujeito, um anexo do sujeito
principal.
Ex.:
O professor de matemática faltou hoje. (Adjunto
adnominal = de matemática).
Quanto
à relação: vem sempre associado a um nome.
Quanto
à forma: liga-se ao nome, com ou sem preposição, sem interferência do
verbo.
Quanto
ao valor: é um atributo que qualifica ou caracteriza o nome a que se
refere.
Obs.:
Ver melhores explicações no capítulo V SUJEITO E
PREDICADO, nos Termos associados a
nomes.
Advérbio:
Palavra que modifica um verbo, adjetivo ou outro advérbio. Pode ser de tempo,
lugar, modo, quantidade etc.
Ex.:
Ele estava bem calmo.
Saiu
tarde.
Saiu
muito tarde.
Advérbios
de lugar: lá,
perto, longe.
Advérbios
de modo:
bem, calmamente, devagar, brandamente, rapidamente.
Advérbios
de afirmação:
sim, certo.
Advérbios
de negação:
Não, nunca.
Advérbios
de dúvida:
talvez, acaso.
Advérbios
de inclusão:
também, inclusive.
Advérbios
de exclusão:
apenas, somente.
Advérbios
de intensidade:
mais, pouco, menos, bastante.
Advérbios
de tempo:
hoje, amanhã, ontem, antes, depois.
Antônimos: São
palavras que têm significados opostos.
Ex.:
entrar — sair
macio — duro
pesado — leve
bem
— mal
bom
— mau
certo — errado
grande — pequeno
mínimo — máximo.
Aposto:
Elemento que caracteriza e dá ênfase a um substantivo ou um pronome. Geralmente
se usa com nomes próprios.
Ex.:
Rio, a Cidade
Maravilhosa.
São Paulo,
terra da
neblina.
Minas,
das alterosas.
Ele, muito
sábio, apresentou a seguinte sugestão…
Paraná, das araucárias.
Obs.:
ver maiores explicações no capítulo V SUJEITO E
PREDICADO em Termos associados a
nomes.
Artigo:
Palavra de uma só sílaba, que precede o substantivo,
indicando-o.
Artigo
definido:
Indica um objeto único entre outros da mesma espécie.
Ex.:
o — os — a — as.
Artigo
indefinido: Ao
contrário do artigo definido, não especifica o
substantivo.
Ex.:
um, uns, uma, umas.
Coletivo:
Substantivo que indica conjunto, reunião, embora seja escrito no
singular.
Ex.:
cardume (conjunto de peixes) — povo (conjunto de pessoas) — comboio (conjunto de
carros ou caminhões ou vagões).
Complemento
nominal
Quanto
à relação: vem
sempre associado a um nome de significação transitiva.
Quanto
à forma:
liga-se ao nome sempre através de preposição.
Quanto
ao valor:
indica o alvo ou o ponto sobre o qual recai a ação do
nome.
Ex.:
Os grevistas pleiteavam aumento de
salários.
Obs.:
Ver melhores esclarecimentos no capítulo V
SUJEITO E PREDICADO em Termos associados a nomes.
Conjunção:
Palavra invariável que liga duas orações ou dois termos da mesma classe numa
oração.
Ex.:
embora, mas, ou, porque, segundo.
Tanto João
como Paulo foram
apóstolos.
Deixei de
falar, embora soubesse
a resposta.
Conjunções
coordenativas:
Ligam duas orações coordenadas (que não dependem uma da outra) ou dois termos da
mesma classe.
As
conjunções coordenativas podem ser:
Aditivas:
e,
nem
Adversativas:
mas, porém, contudo.
Alternativas:
tal…
tal, ou… ou.
Conclusivas:
logo,
pois, portanto.
Explicativas:
por
exemplo.
Conjunções
subordinativas:
Ligam orações subordinadas (que dependem uma da
outra).
As
conjunções subordinativas podem ser:
Causais:
porque,
por isso que.
Comparativas:
como,
tal, assim como.
Concessivas:
embora,
ainda que.
Condicionais:
se,
caso, desde que.
Conformativas:
conforme,
como.
Consecutivas:
que.
Finais:
a fim
de que
Integrantes:
enquanto
Temporais:
quando,
logo que, até que.
Consoantes: São
todas as letras do alfabeto, com exceção das vogais, que são: a, e, i, o,
u.
Ex.:
b, c, d, f, etc.
OBS:
na reforma ortográfica de 01-01-2009, foram acrescentadas as consoantes K, W e
Y.
Crase:
Diz-se
da contração do artigo feminino a
e
a preposição a.
Ver estudo completo no capítulo II
ACENTUAÇÃO.
Derivada: É a
palavra que deriva de outra.
Ex.:
vagonete — deriva de vagão.
alcoólatra — deriva de álcool.
açucareiro — deriva de açúcar.
Desinência: É o
elemento que, acrescentado ao radical dos substantivos e adjetivos, indica
gênero e número. Nos verbos indica número e pessoa (1ª, 2ª,
3ª)
Ex.:
belo — bela
bonito — bonita
perder — perderia.
Obs.:
Radical é a parte invariável da palavra:
bel
— bon — perd.
Dígrafo: É o
encontro de duas consoantes que muda o som da sílaba.
Ex.:
ch — lh — nh — rr — ss.
Ditongo: É o
encontro de duas vogais na mesma sílaba.
Ex.:
loiro — chapéu — arpão
— água.
Ditongo
oral: É
formado por fonemas orais.
Ex.:
loiro — chapéu — água.
Ditongo
nasal: É
formado fonemas nasais (som nasal).
Ex.:
— pão — órgão — muito — põe.
Encontro
consonantal: É o
encontro de duas ou mais consoantes numa palavra.
Ex.:
bloco — greve —
ritmo — observa.
Esdrúxulas: São
as palavras cuja sílaba tônica é a antepenúltima. O mesmo que proparoxítonas. Todas estas palavras são
acentuadas.
Formas
rizotônicas e arrizotônicas:
Rizotônicas são as formas verbais em que a vogal
tônica está na raiz: São as seguintes: primeira, segunda e terceira pessoa do
singular e terceira pessoa do plural do modo indicativo; presente do subjuntivo;
imperativo positivo e imperativo negativo.
Todas
as outras formas são arrizotônicas.
Frase: É o
conjunto de palavras que formam um sentido completo. O mesmo que oração ou
sentença.
Hiato: É o
encontro de duas vogais em sílabas separadas.
Ex: —
mi-a-do — ru-í-na — prote-í-na.
Homônimos: São
palavras de pronúncia ou grafia igual ou quase igual.
Ex.:
cheiro (odor)
cheiro (verbo cheirar)
basta (cheia)
basta (verbo bastar)
Obs.:
A palavra homônimo se usa mais para designar pessoas com nomes
iguais.
Ex.:
Antonio da Silva — José de Oliveira. (Há muitas pessoas com esses nomes — todos
os Antonio da Silva são homônimos assim como os José de
Oliveira).
Interjeição:
Palavra usada para exprimir sentimento, surpresa, alegria. Quase sempre vem
acompanhada do ponto de exclamação.
Ex.:
Ah! Viva! Bah!
Modo:
Forma do verbo para expressar o estado, a ação ou qualidade que ele
indica.
Modo
indicativo:
Indica que a ação é exercida de forma definida.
Modo
subjuntivo:
Indica que a ação não está definida: depende de outra.
Modo
imperativo:
Indica uma ordem.
Modo
imperativo afirmativo:
Indica uma ordem ou pedido positivos.
Modo
Imperativo negativo: Indica uma ordem ou pedido
negativos.
Formas
nominais:
São
Infinitivo
Gerúndio
Particípio
Numeral:
Adjetivo que indica quantidade.
Numeral
cardinal: um,
dois, três, quatro etc.
Numeral
ordinal:
Indica número de ordem: primeiro, segundo, terceiro, quarto
etc.
Numeral
multiplicativo:
Indica número de vezes: duplo, triplo, quádruplo.
Numeral
fracionário:
Indica divisão, parte. Ex.: um terço, um quinto, um décimo
etc.
Oração: É
uma frase. Pode ser:
Oração
absoluta:
Isolada, com sentido absoluto por si só.
Ex.:
Comprei um terreno anteontem.
Hoje
choveu no nordeste.
Oração
coordenada: É
aquela que vem ligada a outra por uma conjunção, mas não depende
dela.
Ex.:
Foi analisado o projeto, mas não foi
aprovado.
Comprei o
carro, mas ainda não o
experimentei.
Oração
subordinada: É
aquela que se liga a outra oração por uma conjunção subordinativa, e depende
dessa outra para ter sentido.
Ex.:
Não aprovei o plano, que me pareceu em desacordo com
a lei.
Parônimos:
Palavras de pronúncia e grafia parecidas.
Ex.:
retificar (corrigir).
ratificar (confirmar).
taxa
(imposto).
tacha (prego curto).
Por
que — porque — por quê — porquê:
Ver
estudo completo no capítulo XVI DÚVIDAS, CORREÇÕES
ESCLARECIMENTOS, em Outros
Esclarecimentos.
Predicado: Na
oração, é tudo o que se fala sobre o sujeito. É a
ação.
Ex.:
Ela usou um
vestido vermelho na festa.
Predicativo: É o
nome ou pronome que qualifica ou determina o sujeito ou o objeto e completa a
significação do verbo.
Quanto
à relação: vem sempre associado a um nome.
Quanto
à forma: liga-se ao nome, com ou sem preposição, sempre através de um
verbo.
Quanto
ao valor: é um atributo que qualifica ou caracteriza o nome a que se
refere.
Obs.:
Ver melhores explicações no capítulo V SUJEITO E PREDICADO, em Termos associados a nomes.
Prefixo:
Partícula que antecede a raiz de uma palavra, modificando o sentido
deste.
Ex.:
autodeterminação
vice-presidente
subdelegado.
Autobiografia.
Preposição: É a
palavra que faz a ligação entre outras palavras de funções diferentes e que
subordina uma a outra.
Ex.:
a, para, ante, por, perante, sem, sob, sobre, conforme, durante,
entretanto.
Foram
julgados perante a justiça.
Primitiva: É a
palavra que dá origem a outra.
Ex.:
Pedra — pedreira,
pedraria.
Ferro — ferreiro,
ferradura.
Borracha — borracheiro,
borracharia.
Pronome:
Palavra que acompanha o substantivo (ou nome) ou que o
substitui.
Ex:
Vocês
estão errados.
Os
pronomes podem ser:
Pronomes
pessoais:
indicam pessoa. Podem ser:
Pronomes
pessoais do caso reto: Eu,
tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas, você, vocês.
Ex.:
Tu não tinhas o direito de
apelar.
Pronomes
pessoais do caso oblíquo: Me,
mim, comigo, te, ti, contigo, se, nos, vos, lhe, lhes, o, a, os,
as.
Ex.:
Essas laranjas, eu as comprei na
esquina.
Eu lhe passei uma
carta do baralho.
Pronomes
possessivos:
Indicam posse de alguma coisa: Meu, minha, teu, tua, seu, sua, nosso, nossa,
vosso, vossa, dele, dela e os seus plurais.
Ex.:
Encontrei-me com a sua
sobrinha.
Pronomes
demonstrativos:
Indicam a posição de alguma coisa em relação a alguém. Apontam alguma coisa:
Este, estes, esta, estas, esse, esses, essas, aquele, aqueles, aquela, aquelas,
isso, isto, aquilo.
Ex.:
Não concordo com aquele
comportamento.
Pronomes
interrogativos: São
aqueles usados em frases interrogativas: Que? Qual?
Quem?
Ex.:
Qual é a metade de três vezes
vinte?
Quem foi ao encontro?
Pronomes
indefinidos: Não
definem a pessoa ou coisa: Algum, alguém, ninguém.
Ex.:
Ninguém
se apresentou para receber o prêmio.
Pronomes
relativos:
Substituem um pronome ou substantivo que vêm antes deles: Que, o qual,
cujo.
Ex.:
O homem de cujo curriculum lhe falei é
este.
Sinônimos: São
palavras que se escreve de maneira diferente, mas têm o mesmo
significado.
Ex.:
suave = macio
calmo =
tranquilo
bonito = belo.
Substantivo: É a
palavra que dá nome a coisas e pessoas.
Substantivo
próprio: Dá
nome a pessoas, países, estados, cidades etc. Escreve-se sempre com a inicial
maiúscula.
Ex.:
Pedro, México, São Paulo, Caraguatatuba.
Substantivo
comum: Dá
nome a coisas em geral.
Ex.:
mesa, janela, religião, firma.
Substantivo
concreto: Dá
nome a algo que pode ser percebido pelos sentidos.
Ex.:
garfo, casa, terreno, árvore.
Substantivo
abstrato:
Nomeia uma qualidade, estado ou ação, algo que não pode ser percebido pelos
sentidos.
Ex.:
ciência, religião, superstição, lei.
Substantivo
composto: É
formado por duas ou mais palavras, ligadas ou não por
hífen.
Ex.:
carrochefe, capitão-de-corveta.
Sufixo: É a
partícula colocada depois da raiz para formar uma
palavra.
Ex.:
feio + ura
= feiura
ferro + eiro = ferreiro
Tempo:
Indica a época em que se dá a ação do verbo.
Tempos
simples: Conjuga-se apenas com o verbo, sem auxiliar.
Modo
indicativo:
Presente:
Ex.: Ela vem me visitar
hoje.
Pretérito:
Indica passado.
Pretérito
perfeito: A
ação já ocorreu.
Ex.:
Deixei a escola há dois
anos.
Pretérito
imperfeito: A
ação é anterior à época em que se fala, mas contemporânea a outro fato
passado.
Ex.:
João estava caminhando quando
tropeçou.
Pretérito
mais que perfeito:
refere-se a fato ocorrido em época anterior à que se
fala.
Ex.:
Ocorreu a ele que já estivera naquele
lugar.
Futuro
do presente:
Indica ação futura.
Ex.:
Ele fará
o que for necessário.
Futuro
do pretérito:
Indica ação futura condicionada ao passado.
Ex.:
Eles comprariam se tivessem
dinheiro.
Modo
subjuntivo:
Presente:
Ex.
Não é necessário que você chegue muito cedo.
Imperfeito:
Ex.:
Se eles tivessem o dinheiro,
comprariam.
Futuro:
Ex.:
Quando me ouvirem, deixarão de cometer
erros.
Modo
imperativo afirmativo.
Ex.:
Compre
agora que está mais barato.
Modo
imperativo negativo.
Ex.:
Não
faça dívidas.
Formas
nominais:
Gerúndio:
Ex.: Estou fazendo uma coleta de
assinaturas.
Infinitivo
impessoal: Ex.
Fazer essa coleta de assinaturas é uma
necessidade.
Infinitivo
pessoal:
Ex.: Para eles irem à igreja, precisam do
carro.
Particípio: Ex.
Isto é fato consumado. Ele foi demitido.
Tempos
compostos: São conjugados com o verbo e um auxiliar. São conjugados em todos os
modos, como nos tempos simples: indicativo, subjuntivo, imperativo
etc.
Ex.:
Tenho estado muito
ocupado.
O remédio
lhe teria feito muito bem.
Se você
tivesse tomado o remédio já estaria curado.
Deve haver uma
explicação para tudo.
Tritongo: É o
encontro de três vogais na mesma sílaba.
Ex.:
saguão — jiboia.
Tritongo
oral:
Ex.: dispneia.
Tritongo
nasal:
Ex.: Quão.
Verbo: É a
palavra que exprime a ação. O verbo é a parte da oração que apresenta a maior
variedade de formas, pois varia de acordo com a conjugação, de acordo com o
modo, tempo, pessoa e voz.
São
três as conjugações:
Da
primeira conjugação são os verbos terminados em ar: dançar, andar, flertar.
Da
segunda conjugação são os verbos terminados em
er e or :
ter, descer, tecer, pôr.
Da
terceira conjugação são os verbos terminados em ir: sair, partir, vir.
Obs.:
Os verbos terminados em or, (pôr e seus
derivados) estão incluídos na segunda conjugação porque são derivados do latim
poere.
Verbo
regular:
Segue um modelo de conjugação, mantendo o radical e a
desinência.
Ex.:
andar, prender, partir.
Verbo
irregular: Não
segue um modelo certo de conjugação. Mantém o radical, mas muda a
desinência.
Ex.:
Perder — eu perco, tu perdes.
Vir — eu
venho, tu vens, ele vinha.
Verbo
anômalo:
Altera o radical e a desinência durante a conjugação.
Ex.:
Ser: eu sou, ele é, ele foi, ele era.
Ir: ele
vai, nós fomos, eles iam.
Verbo
indefectivo: É
conjugado em todas as pessoas de todos os tempos.
Ex.:
Vender, cair, andar.
Verbo
defectivo: Não
pode ser conjugado em todas as pessoas de todos os
tempos.
Ex.:
Chover
Gear
Nevar
Verbo
intransitivo: Tem
significação por si só. Não exige complemento.
Ex.:
As crianças correm.
Verbo
transitivo:
Exige complemento.
Verbo
transitivo direto:
Pede, como complemento, objeto direto.
Ex.:
Ela saiu cedo.
Verbo
transitivo indireto:
Pede, como complemento, objeto indireto, quer dizer, exige uma
preposição.
Ex.:
Irei ao encontro
sozinho.
Verbo
transitivo direto e indireto:
Pede os dois complementos: direto e indireto.
Ex.:
Entrego a encomenda em suas mãos.
Verbo
de ligação:
Liga o sujeito a uma qualidade dele próprio.
Ex.:
ser, estar, permanecer, ficar.
Eu
serei rico.
Ela
ficou envergonhada.
Ele
permaneceu calado.
Vírgula: Ver
o capítulo X USO DA
VÍRGULA ENTRE OS TERMOS DA ORAÇÃO.
Vocativo: É a
pessoa ou coisa a quem se chama.
Ex.:
Meus amigos, sejam bem
vindos.
Mãe, vem
cá.
Você,
João, vá
à padaria.
Vogais: São
as letras que flexionam o som das sílabas. São elas: a, e, i, o,
u.
Vozes
verbais:
Voz
ativa: O
sujeito pratica a ação.
Ex.:
O indivíduo respondeu mal às perguntas do delegado. (Sujeito: indivíduo, verbo:
respondeu.
Voz
passiva: O
sujeito recebe a ação.
Ex.:
As perguntas foram mal respondidas pelo indivíduo. (Sujeito: as perguntas,
verbo: foram.
Voz
reflexiva: O
sujeito pratica e recebe a ação.
Ex.:
Ele esvaiu-se em lágrimas. (Sujeito: ele. Verbo:
esvaiu-se).
CAPÍTULO
II
ACENTUAÇÃO
—
Classificação das palavras quanto à tonicidade.
Sílaba
tônica — é a sílaba onde recai o som mais forte numa palavra. Quando você
pronuncia uma palavra, uma sílaba tem mais intensidade. É a sílaba tônica dessa
palavra.
Vocábulos
monossílabos podem ser tônicos ou átonos.
Tônicos: vê
— crê — vá — dá — dê.
Átonos: de
— um — da — a — em — te —
se.
Os
monossílabos tônicos são fortes. Os átonos são fracos.
É de
se observar que os monossílabos átonos, sem o acompanhamento de outras palavras,
não têm significado: de (preposição) — um (artigo) — da (de + a) — te (pronome
pessoal).
Já os
monossílabos tônicos têm significação própria, sem serem acompanhados de outras
palavras: vê (verbo ver) — vá (verbo ir) — dê (verbo
dar).
Esses
conceitos são importantes para se entender as regras de
acentuação.
Vocábulos
polissílabos são aqueles que possuem mais de uma sílaba: dedo — anel — girafa —
perpendicular.
Os
polissílabos são classificados de acordo com a sílaba
tônica.
Oxítonos: a
sílaba tônica é a última. Ex.: ideal, café, jacarandá,
jornal.
Paroxítonos: a
sílaba tônica é a penúltima. Ex.: forte — fraco — todos —
bala.
Proparoxítonos: a
sílaba tônica é a antepenúltima. Ex.: último — tímida — ótimo —
pânico.
OBS.:
As palavras proparoxítonas também podem ser chamadas de esdrúxulas.
AS
REGRAS
Acentua-se:
*
Todas as palavras proparoxítonas.
Ex.:
círculo — árabe — tônica — gostávamos — chegávamos —
informática.
Alguns
autores incluem nessa categoria as palavras paroxítonas que terminam em
ditongos. Nós já preferimos que essas palavras entrem em outra
regra:
*
Todas as palavras paroxítonas terminadas em
ditongos.
Ex.:
luxúria — ganância — falência — delícia — área — conferência — órgão —
órfão.
*
As palavras oxítonas terminadas em:
— A —
E — O, seguidas ou não de s.
Ex.:
sofá — sofás — café — jiló — ipê — carajás — amá-la — comê-los —
dendê.
— EM
— ENS.
Ex.:
também — convém — reféns — parabéns.
*
Os monossílabos (vocábulos de uma sílaba só) tônicos terminados em A — E — O,
seguidos ou não de s.
Ex.:
— pó — fé — cá — dê — cós — pós — pá.
*
Os polissílabos (vocábulos com mais de uma sílaba) paroxítonos terminados
em:
—
N.
Ex.:
glúten — pólen — hífen.
—
L.
Ex.:
útil — amável — agradável.
—
R.
Ex.:
açúcar — caráter — cárter — mártir.
—
X.
Ex.:
ônix — tórax — látex.
— UM
— UNS.
Ex.:
álbum — fórum — quórum — álbuns.
— Ã —
ÃO — ÃS — ÃOS.
Ex.:
acórdão — órfã — ímã.
—
I — U — IS — US.
Ex.:
lápis — grátis — júri.
As
sílabas com as letras o — e — a, com som fechado são acentuadas com acento
circunflexo.
Ex.:
bônus — cândi — tênis.
—
DITONGO ORAL CRESCENTE, seguido ou não de
S.
—
Ditongo é o encontro de duas vogais: ao — ai — ui — ia — uo. Oral: que tem som
claro, não é nasal (ao, ai, por exemplo). Crescente: o som mais aberto vem
depois:— ia — ua.
Ex.:
ágeis — jóquei — língua — égua.
*
As palavras em que o I ou U forem tônicos e estiverem formando um hiato com a
vogal anterior:
saí —
caí — baú — prejuízo — balaústre.
HIATO — é
quando duas vogais estão juntas, mas em sílabas diferentes. Os exemplos acima já
servem.
—
quando precedidos de um ditongo, isto é, um hiato, precedido de um
ditongo.
Observe
esta regra que pega muita gente desprevenida: o I
ou o U, tônicos, quando a palavra é oxítona, não precisam ser acentuados, quando
seguidos das letras L — M — N — R — Z. Ex.: ruim — juiz — ainda — construir —
anil
Obs.:
A regra acima só predomina quando o I ou U, seguidos das letras indicadas, não
estão separados num hiato. Nos ditongos não são acentuadas
Ex.:
Juiz
(não se acentua) — Juiz — ditongo
Juíza
(acentua-se) — Ju-í-za — hiato
Juízes
(acentua-se) — Ju-í-zes — hiato
Ruim
(não se acentua) — Ruim — ditongo
Ruína
(acentua-se) — Ru-í-na — hiato.
Também
não serão acentuadas as vogais referidas acima (I — U), num hiato, quando
seguidas do dígrafo NH. Ex: rainha — ventoinha —
fuinha.
*
— Os ditongos tônicos ÉI, ÓI, ÉU, com som aberto seguidos ou não de
S..
Ex.:
herói — coronéis — chapéu — paranóico.
É de
se observar que os mesmos ditongos referidos acima, com som fechado, não são
acentuados.
Ex.:
boi — rei — madeixa — Tadeu — Deus.
OUTRA:
Os ditongos IU — UI, tônicos, não são acentuados, mesmo que precedidos de outra
vogal I ou U.
Ex.:
caiu — atraiu — contribuiu, distribui, distribuiu.
OBS.:
Entretanto, quando são precedidos das outras vogais, A — E — O, são
acentuadas.
Ex.:
Caía, distribuía.
USA-SE
O ACENTO DIFERENCIAL NAS SEGUINTES PALAVRAS:
pôde
(passado)
pode (presente)
pôr
(verbo)
por
(preposição)
O que
se quer diferenciar neste caso, não é o fato de uma palavra ter o som fechado e
outra ter o som aberto. Trata-se apenas de diferenciar o O fechado bem
pronunciado do O brando (em Portugal
e em muitas regiões do Brasil a preposição é pronunciada pur).
ACERTE
NA GRAFIA
Sobre
os verbos TER — VIR — VER e seus derivados.
Tem =
terceira pessoa do singular do indicativo do verbo
TER.
Têm =
terceira pessoa do plural do indicativo do verbo TER.
Vem =
verbo VIR — terceira pessoa do singular do indicativo.
Vêm =
verbo VIR — terceira pessoa do plural do indicativo.
Vê =
verbo VER — terceira pessoa singular do indicativo.
Veem
= verbo VER — terceira pessoa plural do indicativo.
Os
verbos derivados dos acima citados seguem a mesma
regra:
Intervêm
— detêm.
Crê =
verbo crer — terceira pessoa singular do indicativo.
Creem
= verbo crer — terceira pessoa plural do indicativo
Dê =
verbo dar — terceira pessoa singular do indicativo.
Deem
= verbo dar — terceira pessoa plural do indicativo.
Lê =
verbo ler — terceira pessoa singular do indicativo.
Leem
= verbo ler — terceira pessoa plural do indicativo.
CRASE
É a
fusão (a contração) da preposição a com o
artigo definido feminino a. a + a =
à.
Se
você escrever fui ao circo, você está
dizendo:
Fui
a + o circo.
Se
você quer dizer:
Vou a
+ a farmácia
deve
escrever:
Vou
à farmácia.
Regra
básica: o a craseado só pode ser usado antes de palavra feminina.
Nunca antes de palavra masculina ou de verbo.
Ex:
Fui às compras.
Vou à
escola.
Não vou à aula
hoje.
O
a
craseado também é usado antes de palavra masculina, quando está oculta uma palavra feminina antes da palavra
masculina (não se trata de exceção).
Ex.:
Corte de cabelo à Pelé. (à moda de
Pelé).
Joelho de
porco à Fasano. (à moda do
Fasano).
Escapou de
fininho à Miguel (à moda de
Miguel).
OBSERVE-SE
QUE O A CRASEADO É USADO ERRONEAMENTE EM CARTAZES DE RESTAURANTES E NO COMÉRCIO
EM GERAL. USA-SE ERRADAMENTE, REPITO, O A PREPOSIÇÃO SIMPLES COM CRASE, OU AINDA
OUTROS ERROS INCRÍVEIS, COMO POR EXEMPLO:
Vou
à Curitiba.
Vou
à Sertãozinho.
Outro
erro incrível, sempre visto na televisão e nos
jornais:
De
segunda à Sábado. Ou De segunda à sexta.
Erradíssimo:
O certo é: De segunda a sábado. Ou De segunda a
sexta.
UM
ERRO TRIPLO:
A
CRASE TAMBÉM PODE OCORRER NA FUSÃO DA PREPOSIÇÃO A COM OS PRONOMES
DEMONSTRATIVOS AQUELE, AQUELES, AQUELA, AQUELAS,
AQUILO.
Ex.:
Fui àquele
teatro que você me indicou ontem à noite.
Não
prestei atenção àquilo que o professor
disse.
Não voltei
mais àquelas paragens.
O
mesmo que:
Fui a
aquele teatro…
Não
prestei atenção a aquilo…
Não voltei
mais a aquelas…
INFORMAÇÕES
IMPORTANTES:
Nunca
se usa crase antes de verbo.
Ex.:
Começou a chover
forte.
Encontrei
meu amigo a caminhar no
pátio.
Voltei
a comprar a mesma marca de
automóvel.
Nunca
se usa crase antes de pronomes pessoais definidos,
indefinidos, e de tratamento.
Ex.:
Disse a ele para não voltar
lá.
Devo
chegar amanhã a qualquer hora depois das quatro
da tarde.
Quero
mostrar a Vossa Excelência os
fatos.
Não
se usa também a crase antes do artigo
indefinido.
Ex.:
Entreguei a encomenda a um
funcionário.
Vou a um bar comprar cigarros.
Não
confundir com o numeral:
Ex:
Chegarei à uma hora.
(No
caso acima o a leva crase porque uma é
adjetivo numeral.)
Não
ocorre também antes de palavras masculinas.
Ex.:
Bife a cavalo.
OBS.:
Como já observado antes, pode ocorrer a crase antes de palavra masculina, quando
estiverem subentendidos ocultamente as expressões à maneira de, à moda
de.
Não
se trata de exceção. Apenas, o fato é que há uma palavra feminina
oculta.
Ex.:
Macarronada à Giordano (Macarronada à moda do Giordano).
Cobrou o
escanteio à Ronaldinho (Cobrou o escanteio à maneira de Ronaldinho).
ÚLTIMAS
RECOMENDAÇÕES:
Pode-se
crasear ou não antes dos pronomes possessivos: sua,
tua, minha (só no singular).
Ex.:
Entreguei a tua classe os formulários.
Entreguei
à tua classe os formulários.
Fui
a sua casa e não encontrei ninguém.
Fui à sua
casa e não encontrei ninguém.
Confiei o recado à minha memória.
Confiei o recado a minha memória.
Todos
os exemplos acima estão certos.
CAPÍTULO
III
ORTOGRAFIA
— ORTOEPIA
Ortografia é a
parte da gramática que estuda a grafia das
palavras, isto é, como se escreve.
Ortoepia
é a
parte da gramática que estuda a maneira correta de se pronunciar as palavras.
1
— Uma regra básica.
As
palavras derivadas obedecem à grafia das palavras primitivas que lhe
deram
origem.
Ex.:
Luz — luzeiro — luzir.
Gás —
gasolina — gasoduto — gaseificado.
Juiz —
juíza — juízes — juizado.
2
— Escreve-se com Z:
As palavras constituídas de sufixos que
indiquem aumentativo ou diminutivo.
Ex.:
sozinho (de só).
homenzarrão (de homem).
copázio
(de copo).
cafezinho
(de café).
Entretanto,
se a palavra primitiva for escrita com a letra
S na sílaba final, os aumentativos e diminutivos conservarão o
S.
Ex.:
pires — piresinho.
As palavras em que o Z funcionar como
elemento de ligação entre o radical e a
terminação.
Ex.:
café + z + al = cafezal.
pá +
z + ada = pazada.
Os
verbos terminados com som de zer ou
zir.
Ex.:
fazer — franzir — jazer — cerzir.
Exceção:
Coser (costurar). É diferente de cozer
(cozinhar)
OBS.:
Entende-se por palavras derivadas de outras, as que têm S na sílaba
final:
Ex.:
análise — analisar.
pesquisa — pesquisar.
aviso — avisar.
Os
adjetivos derivados de substantivos terminados em CIA ou
CIDADE.
Ex. Velocidade —
veloz.
audácia — audaz.
Os
verbos derivados de palavras terminadas em IZ.
Ex.:
Cicatriz — cicatrizar.
Matiz — matizar.
Raiz
— enraizar.
Os
substantivos abstratos derivados de adjetivos por meio dos sufixos EZ e
EZA.
Pobre
— pobreza.
nobre
— nobreza.
belo
— beleza.
macio
— maciez.
3
— Escreve-se com S.
—
As partículas ÊS e ESA.
—
Em adjetivos pátrios.
Ex.:
português — portuguesa
francês — francesa
dinamarquês — dinamarquesa.
—
Em todos os substantivos que indicam títulos ou
profissões.
Ex.:
poetisa — marquês — marquesa — gaulês — gaulesa.
—
Em adjetivos derivados de substantivos.
Ex.:
burguesia — burguês (derivados de burgo).
—
Depois do ditongo.
Ex.:
pausa — lousa — Neusa.
—
As formas dos verbos QUERER, PÔR e derivados.
Ex.:
quiseste — puseste — quisera — quis.
—
As derivadas de palavras escritas com D.
Ex.:
defesa — surpresa — evasão (de defender —
surpreender — evadir).
—
Nos adjetivos terminados em OSO ou OSA.
Ex.:
guloso — gostoso — teimosa — saborosa.
4
— Escreve-se com X.
—
Depois de ditongo.
Ex.:
baixa — desleixo — rouxinol — encaixe.
—
Depois das sílabas iniciais ME — GRA — BRU — EN — ou final L seguida de
vogal.
Ex.:
mexer — mexerico — graxa — bruxa — enxada — enxame.
Exceções:
Mecha
— mechar — enchova — encher (e reflexões desse verbo).
5
— Escreve-se com CH.
—
As palavras derivadas de outras iniciadas com CH.
Ex.:
enchapelar (de chapéu).
encharcar (de charco).
A
maioria das palavras da língua portuguesa apresenta CH em vez de X, tanto na
sílaba inicial como nas sílabas do meio.
Ex.:
cheiro — chapéu — chave — chicote — chupeta — mochila — chalé — facho —
cacho.
Raramente
se começa uma palavra com X. As exceções são os nomes próprios e a palavra xale (agasalho).
6
— Escreve-se com Ç.
—
Quando representam som de SS antes das letras A, O e
U.
Ex:
cabeça, começo, babaçu
Uma
regra básica: Nunca se usa o Ç antes de E ou I.
Ex.:
cocei — docinho.
Também
nunca se começa uma palavra com Ç.
7
— Escreve-se com SS.
Em
substantivos derivados de verbos terminados em CEDER, MIR, TIR,
DIR.
Em
palavras formadas por prefixo terminado em vogal + palavra iniciada em
S.
Exemplos:
Interceder
— intercessão
ceder
— cessão
conceder
— concessão
remir
— remissão
imprimir
— impressão
demitir
— demissão
admitir
— admissão
agredir
— agressão
seguro
— resseguro
soar
— ressoar.
8
— Quando se escreve com Z, X ou S?
Para
se saber exatamente quando se deve escrever com as consoantes acima, seria
necessário o estudo do Latim e do Grego, de onde se derivam a maioria de nossas
palavras. Entretanto, há algumas regras, com exceções naturalmente, que
estudaremos abaixo.
O som
entre vogais iniciais pode ser representado por:
Z
— quando a primeira vogal (antes do Z) for A.
Ex.:
azar — azedo, azarão — azia — azul.
Entretanto
há várias exceções:
asa —
asilo — asilar.
X
— quando a primeira vogal (antes do X) for E.
Ex.:
exercício — exato — exílio — exemplo.
As
exceções:
esoterismo — esôfago e derivados.
S
— quando a primeira vogal (antes do S) for I, O, U.
Ex.:
Isento — usurário — formosa.
Exceções:
ozônio — ozena.
9
— Quando se escreve com G ou J?
Como
foi visto acima, nossas palavras derivam-se do Latim e do Grego. Entretanto,
pode-se afirmar com certeza, as palavras indígenas são escritas com J, pois
não há o G no alfabeto
tupi-guarani.
Ex.:
canjica — Moji-Mirim — jiboia — caju — jenipapo —
pajé.
Só
muita leitura leva alguém a ficar familiarizado com o uso dessas letras, ou
ainda a consulta ao dicionário, que deve ser um hábito constante do
estudioso.
Algumas
palavras escritas com G ou J:
agitar
— jeito — gíria — estrangeiro — sugestionar — agir —
cajado.
Fala-se
aqui das palavras onde o J ou G vêm antes das vogais E ou
I.
Quando
vêm antes de A, O ou U, o som já está definido. O G tem o som de guê.
Ex.:
gaita — seguro — goma — goteira.
10
— A seguir relacionamos palavras que se escreve com:
X:
Exterior
— extenso — expedir — expedição — extinto — expectador — explícito — exceção —
extremo — expectorante — expensas — expelir — expoente — externo — exterminar —
extrato — extravagância — extrovertido.
Obs.:
Externo = de fora.
Esterno = osso do corpo humano.
Expectador = aquele que espera.
Espectador = aquele que assiste (à televisão, espetáculo
etc.).
11
— Palavras com duas ou mais formas de se escrever e
pronunciar.
Há
várias palavras em nossa língua, que podem ser escritas e faladas de duas formas
e até mais. Vejamos abaixo:
cousa
— coisa.
louro
— loiro.
assobio
— assovio.
bêbado
— bêbedo.
levantar
— alevantar.
costumar
— acostumar.
carroçaria
— carroceria.
chipamzé
— chimpanzé.
cotidiano
— quotidiano.
diferenciar
— diferençar.
infarto
— enfarte — infarte.
mobiliar
— mobilar.
porcentagem
— percentagem.
quota
— cota.
surrupiar
— surripiar.
transpassar
— traspassar — trespassar.
Obs.:
Adquira sempre o hábito de consultar o dicionário. Não fique na
dúvida.
CAPÍTULO
IV
SEMÂNTICA
É o
estudo do significado da palavra, que nos explica a origem e as variações da
significação vocabular. O mesmo que semasiologia, sematologia ou
semiologia.
1
— Homófonos
São
os vocábulos que têm o mesmo som, grafias diferentes e significado
diferente.
Ex.:
Seção
(departamento,
setor, divisão): Procure ternos e camisas na seção de
confecções.
Sessão
(espaço
de tempo): Assisti ao filme na sessão das dez. — A reunião com o tenente
foi uma sessão de balística.
Cessão
(do
verbo ceder): O escritor fez uma cessão de direitos em benefício da
mulher e dos filhos.
Essas
palavras são homófonas. Há que se prestar atenção no sentido, no significado da
palavra, para se escrever corretamente. Outros
exemplos:
Censo
(alistamento
geral da população): O censo, este ano,
vai se atrasar.
Senso
(ato
de raciocinar): Ele não teve bom senso
suficiente ao escolher seus comandados.
Trás
(adv.
e prep., após, depois): Não percebeu o que havia por trás da proposta.
Traz
(do
verbo trazer): Ela sempre traz sua
Bíblia, quando vem à igreja.
Conserto
(do
verbo consertar): O mecânico consertou o
carburador muito mal.
Concerto
(sessão
musical, harmonia): A orquestra filarmônica promoveu ontem um concerto grátis.
Sexta
(relativo
ao seis): A sexta nota musical é o
Lá.
Cesta
(utensílio
de vime ou palha para transporte): Ela deixou cair a cesta por causa do susto que
levou.
2
— Homógrafos
São
vocábulos que têm a mesma grafia,
significados diferentes e pronúncias
diferentes.
Alguns
exemplos:
Acordo
(do
verbo acordar, despertar): Eu sempre acordo
às oito (aqui a palavra tem o som aberto).
Acordo
(contrato
verbal): O acordo não foi satisfatório
para as partes (aqui o vocábulo tem o som fechado).
Cerca
(do
verbo cercar — o e é pronunciado com som
aberto): Ela cerca todas as
probabilidades.
Cerca
(tapume,
muro — o e é pronunciado com som
fechado): Ele pulou a cerca para fugir do
touro.
Obs.:
Há vocábulos, ainda, que são homógrafos e homófonos
ao mesmo tempo. São as palavras que são escritas com a mesma grafia, são
pronunciadas da mesma maneira, mas têm o sentido diferente.
Exemplos:
Rodeio
(do
verbo rodear): Eu sempre rodeio o circo,
mas não tenho coragem de entrar.
Rodeio
(competição
de peões com cavalos e touros): Quem compete num rodeio tem que ter muita coragem.
3
— Parônimos
São
vocábulos de pronúncia parecida, com grafia e sentidos
diferentes.
Alguns
exemplos:
Cumprida
(do
verbo cumprir): Considero cumprida a
tarefa.
Comprida
(referente
ao tamanho): Ela tem a língua comprida.
Descrição
(relato):
A descrição que ele fez não estava muito
clara.
Discrição
(discernimento,
agir com circunspeção, modéstia): Ele não agiu com muita discrição.
Tráfego
(referente
ao trânsito): O tráfego da Via Anchieta está sempre
congestionado.
Tráfico
(referente
ao comércio, negócio indecoroso): Aquele sujeito está envolvido com o tráfico de escravas
brancas.
CAPÍTULO
V
SUJEITO
E PREDICADO
Considerações
gerais — Conceito
Sujeito: é o
termo da oração que pratica a ação declarada pelo
predicado.
Predicado: é o
termo da oração que, através de um verbo, declara uma ação sobre o
sujeito.
Ex.:
A moça do balcão me atendeu sem avental e com as mãos
sujas.
Sujeito:
A moça do balcão.
Predicado:
me atendeu sem avental e com as mãos
sujas.
Os
critérios para se localizar o sujeito de uma oração são os
seguintes:
—
concordância: o verbo está sempre na mesma
pessoa e número que o sujeito.
Ex.:
Eu pretendo viajar
hoje.
—
posição: o sujeito quase sempre vem antes do
verbo, mas mesmo que venha depois, pode ser transposto para
antes.
Ex.:
Queria eu que não chovesse hoje (Eu queria que não chovesse
hoje).
—
troca: quando o núcleo do sujeito é um
substantivo, pode ser trocado pelos pronomes ele, ela,
eles, elas.
Ex;:
O carro estava na contramão (Ele estava na contramão).
Tipos
de sujeito
—
Sujeito determinado: quando está bem claro na
oração, e pode ser localizado.
Ex.: Ele não se
interessou pela proposta.
O
sujeito determinado pode ser ainda:
—
simples: tem apenas um
núcleo.
Ex.:
As frutas
estavam maduras.
—
composto: tem mais de um
núcleo.
Ex.:
Os abacaxis e as bananas não estavam
bons.
O
sujeito determinado pode não estar explícito na
oração, mas mesmo assim ele pode ser reconhecido. Costuma-se chamar de
sujeito implícito, ou sujeito
elíptico ou ainda sujeito oculto.
Ex.:
Convertei-vos, ó infiéis (o sujeito é vós,
implícito e reconhecido pela desinência verbal).
—
Sujeito indeterminado: quando sabemos que existe um sujeito, mas não podemos identificar quem é.
Ex.:
(?) Fizeram de tudo para demover o suicida de
seu propósito.
Ocorre
que, às vezes, o verbo está na terceira pessoa do plural, referindo-se a
elementos de uma oração anterior. Neste caso o sujeito é considerado determinado implícito pela desinência
verbal.
Ex.:
Os metalúrgicos recusaram a proposta dos
patrões. Acharam o reajuste muito
baixo.
No
exemplo acima o sujeito, na segunda oração, é eles (os
metalúrgicos).
O
SE como partícula apassivadora
O
pronome se funciona como partícula apassivadora.
Isso quer dizer que o verbo, na terceira pessoa do singular ou plural, passa
para a voz passiva.
A
condição para que isso ocorra:
— o
verbo vem na terceira pessoa do singular ou plural.
—
pronome se.
— um
substantivo ou palavra equivalente não vem precedido de
preposição.
— é
possível formar-se a frase com o verbo ser.
Ex.:
Discutiu-se a
proposta.
A
proposta foi
discutida.
Sujeito
determinado simples: a
proposta.
Verbo
na terceira pessoa: foi
discutida.
O
SE como índice de indeterminação do sujeito
Neste
caso ocorre a seguinte estrutura:
—
verbo na terceira pessoa do singular.
—
pronome se.
— não
há um substantivo sem preposição que possa ser colocado como sujeito do verbo na
voz passiva analítica.
Ex.:
Discordou-se da
proposta.
Sujeito:
indeterminado.
Verbo
na voz ativa: discordou.
Neste
último caso o sujeito é indeterminado. A
diferença, nos exemplos apresentados está só na preposição de + a = da (contração).
Sujeito
inexistente:
ocorre quando não existe elemento ao qual o
predicado se refere.
O
verbo que não tem sujeito chama-se impessoal. Os
mais comuns são: ser, haver, chover, trovejar etc.
Ex.:
Era tarde da noite.
Choveu bastante esta
tarde.
Houve poucas ausências no
vestibular.
São três horas.
Trovejou muito.
Termos
associados ao nome e ao verbo
Considerações
gerais — conceito
Considera-se
núcleo do sujeito a palavra principal,
geralmente um substantivo.
O
núcleo do predicado é o verbo.
Ex.:
O noivo não compareceu ao altar.
Sujeito:
O noivo.
Predicado:
não compareceu ao
altar.
Núcleo
do sujeito: noivo.
Núcleo
do predicado: compareceu.
No
exemplo acima há termos associados ao verbo. Mas pode haver casos em que a
oração tem só o núcleo do sujeito e do predicado.
Ex.:
Assaltos ocorreram.
O
núcleo do sujeito é assaltos e o núcleo do
predicado é ocorreram.
Entretanto,
as orações, geralmente, não são tão simples assim, e, para se fazer uma análise
sintática, temos que considerar:
—
termos associados a nomes.
—
termos associados a verbos.
A
partir disso, dividimos as palavras da oração em nomes e
verbos.
Para
se distinguir os nomes dos verbos deve-se levar em consideração que o verbo pode
ser flexionado em gênero, número e tempo,
enquanto que o nome só pode ser flexionado em gênero e
número.
Vamos
dar novo exemplo, mais complexo:
Ex.:
Graves assaltos a bancos ocorreram neste fim de semana no Rio de
Janeiro.
Nota-se
que, tanto no sujeito como no predicado, qualquer palavra da oração está
associada a outra. Assim é que:
Graves,
está associada a assaltos. Assaltos, está
associada ao termo a
bancos.
No
predicado, ocorreram está associada a neste fim de semana, e no Rio
de Janeiro, está associada a ocorreram.
Um
termo ou vem associado a um verbo ou vem
associado a um nome.
Quando
um termo vem associado a um nome, desempenha uma das seguintes
funções:
—
adjunto
adnominal
—
predicativo
—
complemento
nominal
—
aposto.
Adjunto
adnominal
—
Quanto à relação: vem sempre associado a um nome.
—
Quanto à forma: liga-se ao nome, com ou sem preposição, sem a mediação do
verbo.
—
Quanto ao valor: é um atributo que qualifica e caracteriza o nome a que se
refere.
Ex.:
Os bons alunos saíram da
escola.
Os =
adjunto adnominal.
Bons
= adjunto adnominal.
alunos
= nome.
Predicativo
—
Quanto à relação: vem sempre associado a um nome.
—
Quanto à forma: liga-se ao nome, com ou sem preposição, sempre através do verbo.
—
Quanto ao valor: é um atributo que qualifica e caracteriza o nome a que se
refere.
Basicamente
o predicativo difere do adjunto adnominal apenas quanto à forma: enquanto que o
adjunto adnominal não precisa da mediação do verbo, o predicativo precisa ser caracterizado pelo
verbo.
Ex.:
Os alunos saíram da escola bons.
Nome:
alunos.
Verbo:
saíram.
Predicativo:
bons.
No
exemplo do adjunto adnominal, o bons é entendido
como qualidade própria dos alunos: os alunos já eram
bons quando entraram na escola.
Já no
exemplo do bons como predicativo, note-se que,
de acordo com o verbo, subentende-se que os alunos não
entraram na escola bons.
Obs.:
como o predicativo se liga ao nome sempre através do verbo, faz uma atribuição
marcada pelo tempo verbal.
Exemplos:
a) Os
alunos saíram da escola
bons.
b) Os
alunos sairão
da escola bons.
No
exemplo a, a qualidade bons ocorre no momento em que saíram da escola, enquanto
que no exemplo b a qualidade bons vai ocorrer aos alunos quando saírem (no futuro).
Repasse
bem essas duas lições, adjunto adnominal e predicativo, para entender bem a
diferença entre os dois.
Tipos
de predicativo
—
Predicativo do sujeito: é aquele que, sempre através de um verbo, faz uma atribuição ao sujeito da oração.
Ex.:
A ré permanecia em silêncio.
Sujeito:
A ré.
verbo: permanecia.
predicativo
do sujeito: em
silêncio.
—
Predicativo do objeto: é aquele que, através de
um verbo, faz uma atribuição ao objeto.
Ex.:
O Estado Maior julgou incompetente o bravo
capitão.
Sujeito:
O Estado Maior.
Verbo
transitivo direto: julgou.
Predicativo
do objeto: incompetente.
Adjuntos
adnominais: o bravo.
Objeto
direto: capitão.
Obs.:
Para se ter um bom artifício para reconhecer o predicativo, basta passar o
exemplo acima para a voz passiva: neste caso o predicativo do objeto se
transforma em predicativo do sujeito.
Ex.:
O bravo capitão foi julgado incompetente pelo Estado
Maior.
Adjuntos
adnominais: o bravo.
Núcleo
do sujeito: capitão.
Verbo
transitivo direto na voz passiva: foi
julgado.
Predicativo
do sujeito: incompetente.
Agente
da voz passiva: pelo Estado
Maior.
Complemento
nominal
—
Quanto à relação: vem sempre associado a um
nome de significação transitiva.
—
Quanto à forma: liga-se ao nome sempre através
de preposição.
—
Quanto ao valor: indica o alvo ou o ponto sobre
o qual recai a ação do nome, do adjetivo ou do
advérbio.
Obs.:
Note-se que aí está a diferença entre o adjunto adnominal e o complemento
nominal. O adjunto adnominal só se liga a um nome.
Exemplos
de complemento nominal:
— Os
grevistas protestavam contra a poluição da cidade.
Nome
de significação transitiva: poluição.
Complemento
nominal: da cidade. (Indica sobre quem recaiu a
poluição).
Aposto
—
Quanto à relação: vem sempre associado a um nome.
—
Quanto à forma: liga-se ao nome sem preposição, a não ser que uma preposição
faça parte do próprio aposto.
—
Quanto ao valor: identifica ou apelida o
nome a que se associa, estabelecendo uma relação de
equivalência.
Ex.:
O ladrão, useiro e vezeiro, foi preso outra
vez.
Ex.:
Os pracinhas brasileiros, em guarda da pátria,
foram homenageados.
Termos
associados ao verbo
Quando
um termo vem associado a um verbo, desempenha uma das seguintes
funções:
—
objeto direto
—
objeto indireto
—
agente da voz passiva
—
adjunto adverbial.
Termos
associados ao verbo
Para
se ter noção dos termos associados ao verbo é preciso antes se conhecer a
transitividade e a intransitividade dos verbos.
Verbo
transitivo: é
aquele cuja ação transita de um agente para um
paciente ou um destinatário.
Ex.:
As ondas avançaram o
calçadão.
— As
ondas — agente.
—
avançaram — ação
transitiva.
— o
calçadão — paciente.
Ex.:
Os terroristas atacaram o
prédio.
— Os
terroristas — agente.
—
atacaram — ação
transitiva.
— o
prédio — paciente.
Pré-requisitos
para o verbo transitivo: um agente de um lado e
um paciente ou destinatário de
outro.
Verbo
intransitivo: é
aquele que não
transita, não passa de um polo para
outro. Não há ação em oposição entre agente e paciente. Não requer objeto direto
nem indireto.
Ex.:
O trem apitou.
— O
trem — agente.
—
apitou — ação
intransitiva.
— não
há paciente ou destinatário.
A
partir dessas noções podemos definir os termos associados ao
verbo.
Os
termos a seguir serão definidos em função de três
critérios:
—
Quanto à relação: a que termo da oração um
elemento está associado.
—
Quanto à forma: de que maneira um termo está
associado a outro (com preposição, sem preposição
etc.).
—
Quanto ao valor: qual o papel que um determinado termo está desempenhando na
frase (caracterização, explicação, complementação
etc.)
Objeto
direto
Quanto
à relação: vem sempre associado a um verbo transitivo
direto.
Quanto
à forma: liga-se ao verbo sem preposição exigida
por este.
Quanto
ao valor: indica o paciente, o alvo ou o elemento sobre o qual recai a ação do
verbo.
Ex.:
Os bois de raça comem ração.
Sujeito:
Os bois de raça.
Verbo
transitivo direto: comem.
Objeto
direto: ração.
Objeto
indireto
Quanto
à relação: vem sempre associado a um verbo transitivo
indireto.
Quanto
à forma: liga-se ao verbo através de preposição
obrigatoriamente exigida por este.
Quanto
ao valor: indica o paciente ou o destinatário da ação
verbal.
Ex.:
O chefe gostou do
relatório.
Sujeito:
O chefe.
Verbo
transitivo indireto: gostou (ação transitiva).
Objeto
indireto: do relatório (paciente da
ação).
Outro
ex.:
Os
pássaros voaram para
longe.
Sujeito:
Os pássaros.
Verbo
transitivo: voaram (ação transitiva).
Objeto
indireto: para longe (destinatário da
ação).
Agente
da voz passiva
Quanto
à relação: vem
sempre associado a um verbo transitivo na voz passiva.
Quanto
à forma:
liga-se ao verbo sempre através de preposição (por, pelo,
pela).
Quanto
ao valor:
indica o elemento que executa a ação verbal.
Ex.:
Os carros foram consertados pelo mecânico.
Sujeito:
Os carros.
Verbo
transitivo: foram consertados (na voz
passiva).
Agente
da voz passiva: pelo mecânico (executor da ação
verbal).
Adjunto
adverbial
Quanto
à relação: vem
associado a verbo, adjetivo ou advérbio e pode também referir-se a todo o
conjunto da oração.
Quanto
à forma:
liga-se a esses elementos com ou sem preposição.
Quanto
ao valor:
indica circunstância aos elementos a que se refere (lugar, tempo,
modo).
Não é
o agente nem o alvo do processo verbal.
Ex.:
Edgar pagou o empréstimo no
vencimento.
Edgar:
Sujeito.
Pagou:
verbo transitivo.
O
empréstimo: objeto direto.
Adjunto
adverbial: no vencimento
(tempo).
CAPÍTULO
VI
CONCORDÂNCIA
VERBAL
Concordância
verbal é a concordância que se faz entre o sujeito e o verbo, ou entre o verbo e o predicado.
Sujeito é
aquele que pratica a ação.
Verbo é a
ação.
Predicado é
aquilo que se fala sobre o sujeito.
1
— Regra
principal
O
verbo tem que concordar com a pessoa e número (singular ou plural) com o
sujeito.
Ex.:
Eu gosto de frutas (sujeito: eu, verbo:
gosto).
A convenção não será adiada (sujeito: a convenção, verbo:
será).
O presidente vetou o projeto (sujeito: o presidente, verbo:
vetou).
As irmãs fundaram um asilo (sujeito: as
irmãs, verbo: fundaram).
Como
se vê acima, o verbo sempre concorda em número e pessoa com o
sujeito.
2
— Sujeito
composto
É
quando há mais de um sujeito.
2.1 —
Quando
os elementos do sujeito forem sinônimos ou de significado semelhante, o verbo
vai para o plural.
Ex.:
Preguiça e desânimo eram uma constante.
2.2 —
Quando
os elementos do sujeito estão separados por vírgulas, indicando uma gradação, o
verbo concorda com o último elemento.
Ex.:
Chuva, vento, nebrasca ou a escuridão não impediu que ele saísse.
2.3 —
Quando
o sujeito for uma sequência seguida por um pronome
indefinido (tudo, nada, ninguém, alguém), o verbo fica no singular, concordando com o
pronome.
Ex.:
Destroços, desânimo, feridos, tudo apresentava
um quadro triste.
No
caso do exemplo acima, o sujeito passou a ser tudo. Entretanto, se não houvesse a palavra
tudo, seria
diferente:
Ex.:
Destroços, desânimo, feridos, eram o quadro que
se apresentava.
Para
que se aprenda a falar e escrever corretamente, lembre-se sempre que a leitura é
o melhor meio. Leia tudo que puder: livros, revistas, jornais
etc.
CAPÍTULO
VII
CONCORDÂNCIA
NOMINAL
1
— Regra primordial
O
adjetivo, o artigo ou o pronome, concorda sempre com o substantivo em gênero e
número.
Ex.:
Parede vermelha.
Bar
escuro.
Casa
deserta.
O
restaurante.
A
solidão.
Os
seresteiros.
As
verbas.
Bares escuros.
Paredes amarelas.
Casas cheias.
Há
adjetivos em que o masculino e feminino são iguais, mesmo no
plural.
Ex.:
igual — iguais — fácil — fáceis — difícil — difíceis — pobre —
pobres:
Minha casa
é igual à do vizinho.
Esta é uma
tarefa fácil.
Essa gente
pobre.
Os
cadernos eram todos iguais.
As tarefas
são difíceis.
Os livros
eram distribuídos aos deficientes pobres.
CAPÍTULO
VIII
VERBOS
Do
ponto de vista semântico,
verbo é a classe de palavras que designa um processo ou um
estado.
Ex.:
O feirante vendeu
tudo (processo).
Hoje
choveu mais do que ontem
(processo).
Ela
estava muito bonita com aquela roupa
(estado).
Do
ponto de vista sintático,
verbo é a palavra pela qual se realizam atribuições ao sujeito da oração. É
indispensável a qualquer ato de predicação.
Ex.:
A casa velha desmoronou de uma
vez.
Sujeito
predicado (desmoronou — verbo)
Do
ponto de vista morfológico, o
verbo apresenta desinências típicas que indicam pessoa, número, tempo e
modo.
Ex.:
Quiséssemos —
sse = desinência que indica tempo
imperfeito do modo subjuntivo. —
mos
= desinência que indica
primeira pessoa do número — plural.
O
verbo é a única classe gramatical que se enquadra na categoria tempo.
—
Regular: É o verbo cujo radical não se altera e
cujas terminações segue o modelo da conjugação a que
pertence.
Ex.:
Verbo andar:
Tempo
presente: Radical
terminação
and
o
and
as
and
a
and
amos
and
ais
and
am
Tempo
perfeito:
and
ei
and
aste
and
ou
and
amos
and
astes
and
aram.
Quando
o verbo for regular no presente e no perfeito do indicativo, será regular nas
demais formas.
—
Irregular: É o verbo cujo radical se altera ou
cujas terminações não obedecem o modelo da conjugação a que
pertence.
Ex.:
Verbo ouvir — ouço, ouves, ouve
etc.
Há
verbos que, ao contrário do verbo ouvir que só se altera no radical da primeira
pessoa do singular do presente do indicativo, altera-se na
terminação.
Ex.:
Verbo estar. Neste caso, no presente do
indicativo, o radical não se altera, mas a terminação sim: Estou, estás, está
etc.
Verbo
anômalo: É
aquele onde se alteram os radicais e as terminações.
Ex.:
Verbo ser — sou, és, é, somos, sois, são. (Como
se nota, variam o radical e as terminações. No perfeito: fui, foste, foi. No
imperfeito: era, eras, era.
Verbo
defectivo: É
aquele que não pode ser conjugado em todas as pessoas.
Ex.:
Abolir — não pode ser conjugado na primeira
pessoa do singular. Estão ainda nessa categorias seguintes: chover, nevar, banir, colorir, demolir e
outros.
Não
dá para se dizer, por exemplo: Eu, como presidente,
abulo essa lei (errado).
Neste
caso, há que se apelar para um truque de linguagem. Por exemplo: Eu, como
presidente, resolvi abolir essa lei.
Eu
coloro, também não é possível.
Então: Eu vou colorir essa
gravura.
Verbo
auxiliar: É o
verbo que é desprovido total ou parcialmente de sentido próprio. Neste caso tem
que se juntar a outro para formar uma unidade de significado. Forma, assim, uma
locução verbal.
Entram
nessa categoria os verbos ir, ser, estar, haver, vir, começar,
acabar.
Ex.:
Já vou chegando.
Já
vou
partir.
Ele
vai falar.
Ele ficou
zangado.
Eu
já tinha falado.
Eu
já havia falado.
Começa a
chover.
Continua chovendo.
Note-se,
pelos exemplos, que o verbo auxiliar é conjugado,
enquanto que o verbo principal (aquele que dá
sentido à locução verbal) permanece sempre no gerúndio,
infinitivo ou particípio.
Verbo
abundante: É o
verbo que, em algumas pessoas pode apresentar formas diversas.
Ex.:
vós haveis ou vós heis.
A
abundância se revela principalmente no particípio: um particípio regular,
terminado em do; outro irregular.
Ex.:
Verbo
Regular
Irregular
acender
acendido
aceso
benzer
benzido
bento
entregar
entregado
entregue
enxugar
enxugado
enxuto
isentar
isentado
isento
incorrer
incorrido
incurso
ganhar
ganhado
ganho
morrer
morrido
morto
pagar
pagado
pago
submergir
submergido
submerso
Formas
rizotônicas
São
aquelas cuja sílaba tônica está no radical.
Ex.: Fal-o.
fal-as.
fal-a.
fal-am.
Formas
arrizotônicas
São
aquelas cuja sílaba tônica está fora do radical, na
desinência.
Ex,:
Fal-amos.
fal-ais.
Conjugação
verbal
Conjugar
um verbo é flexionar esse verbo em seus tempos, modos, pessoa e
número.
Na
conjugação do verbo, certas formas dão origem a outras. Assim distinguem-se as
formas primitivas e as formas derivadas.
O
presente do indicativo, por exemplo, é um
tempo primitivo, pois dele deriva
outros.
Presente
do indicativo
Exemplos
Desinências
andar
comer
partir.
o
and-o
com-o
part-o.
s
anda-s
come-s
parte-s.
-
anda
come
parte.
mos
anda-mos
come-mos
parti-mos.
is
anda-is
come-is part-is.
m
anda-m
come-m
parte-m.
Entre
o radical ocorrem vogais temáticas, designando a primeira, segunda e terceira
conjugação.
— A —
para os verbos da primeira conjugação (ar).
— E —
para os verbos da segunda conjugação (er).
— O —
para os verbos da segunda conjugação (or).
— I —
para os verbos da terceira conjugação (ir).
Obs.:
— A vogal temática pode sofrer alterações de natureza fonética. No caso do verbo
partir. Por exemplo, o I se alterna com o E.
— O presente do indicativo é o único tempo verbal, onde a desinência da
primeira pessoa do singular é O, sendo
isso uma marca para distingui-lo dos demais.
— A terceira pessoa do singular não tem desinência, sendo por isso
chamada desinência
zero.
São
poucos os verbos que não vêm marcados pela desinência O, na primeira pessoa do presente do
indicativo.
Ex.: Dar —
dou
estar
—
estou
haver
—
hei
ir
—
vou
ser
—
sou
saber
—
sei.
Tempos
derivados do presente do indicativo
Presente
do subjuntivo
É
formado, substituindo-se a desinência O
da primeira pessoa do presente do indicativo, pelas terminações próprias do
presente do subjuntivo.
Terminações
do presente do subjuntivo:
—
e, es, e, emos, eis, em — para os verbos da
primeira conjugação (ar).
—
a, as, a, amos, ais, am — para os verbos da
segunda e terceira conjugação (er —
ir).
Nas
terminações do presente do subjuntivo, incluem-se:
—
desinência de tempo e modo: e ou a.
—
desinência de pessoa e número: Zero - s — zero - mos —
is (ou des) - m.
Ex.:
Andar
vender
partir
and-e
vend-a
part-a
and-es
vend-as
part-as
and-e
vend-a
part-a
and-emos
vend-ais
part-ais
and-em
vend-am
part-am
Obs.:
Alguns verbos não seguem esse esquema. É o caso dos seguintes: dar, estar,
haver, ir, saber, ser.
Imperativo
— As
segundas pessoas, do singular e do plural, vêm das mesmas pessoas do presente do
indicativo, subtraindo-se o s.
— As
demais pessoas, sem alteração, provêm do presente do
subjuntivo.
Imperativo
negativo
É
igual ao presente do subjuntivo, precedido de negação (não).
Os
verbos ser, dizer, trazer, fazer, têm formas
diversas à regra, alguns apresentando até duas formas.
Ex.:
Sê tu
sede
vós
diz tu ou dize tu
traz tu ou traze tu.
(Na
Bíblia se vê muito essa segunda forma: sede, dize,
traze).
Apenas
como exercício de fixação, damos abaixo a conjugação de alguns verbos, no
infinitivo impessoal, presente do indicativo e perfeito do
indicativo.
Abençoar
Presente
ind.: abençoo, abençoas, abençoa, abençoamos, abençoais,
abençoam.
Perfeito
ind.: abençoei, abençoaste, abençoou, abençoamos, abençoastes,
abençoaram.
Da
mesma forma conjugam-se também os verbos perdoar,
voar, enjoar.
Abolir
Presente
ind.: tu aboles, ele abole, nós abolimos, vós abolis, eles
abolem
Perfeito
ind.: aboli, aboliste, aboliu, abolimos, abolistes,
aboliram.
Obs.:
Esse verbo (defectivo) não possui a primeira
pessoa do singular do presente do indicativo. Não terá também nenhuma forma do
presente do subjuntivo, nem do imperativo negativo. Do imperativo afirmativo,
terá apenas as segundas pessoas, que se derivam do presente do
indicativo.
Da
mesma forma que o verbo abolir, conjugam-se os verbos banir, demolir, exaurir, extorquir, colorir, emergir,
urgir.
Aderir
Presente
ind.: aderes, adere, aderimos, aderis, aderem.
Perfeito
ind.: aderi, aderiste, aderiu, aderimos, aderistes,
aderiram.
Da
mesma forma que o verbo aderir, conjugam-se os verbos digerir, repelir, aferir, diferir, sugerir,
interferir.
Agir
Presente
ind.: ajo, ages, age, agimos, ages, agem.
Perfeito
ind.: agi, agiste, agiu, agimos, agistes, agiram.
Obs.:
O verbo agir não é irregular. Apenas há necessidade de se mudar o g para j antes de a
ou o.
Da
mesma forma que o verbo agir, conjugam-se
os verbos afligir, erigir, ungir, restringir,
coagir, refulgir, transigir, surgir.
Agredir
Presente
ind.: agrido, agrides, agride, agredimos, agredir,
agridem.
Perfeito
ind.: agredi, agrediste, agrediu, agredimos, agredistes,
agrediram.
Como
o verbo agredir, conjugam-se os verbos
progredir, regredir,
transgredir.
Aguar
Presente
ind.: águo, águas, água, aguamos, aguais, águam.
Perfeito
ind.: aguei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes,
aguaram.
Seguem
a mesma linha os verbos minguar, desaguar,
enxaguar.
Arguir
Presente
ind.: arguo, argúis, argúi, arguimos, argúis, argúem.
Perfeito
ind.: argui, arguiste, arguiu, arguimos, arguístes,
arguiram.
Atrair
Presente
ind.: atraio, atrais, atrai, atraímos, atraís, atraem.
Perfeito
ind.: atraí, atraíste, atraiu, atraímos, atraístes,
atraíram.
Como
atrair, conjugam-se os verbos abstrair, cair, subtrair, sair,
esvair-se.
Atribuir
Presente
ind.: atribuo, atribuis, atribui, atribuímos, atribuís,
atribuem.
Perfeito
ind.: Atribuí, atribuíste, atribuiu, atribuímos, atribuístes,
atribuíram.
Da
mesma forma se conjugam os verbos afluir, destituir,
excluir, concluir, estatuir, instruir, usufruir, substituir,
destruir.
Averiguar
Presente
ind.: averiguo (ú), averiguas (ú) , averigua (ú), averiguamos, averiguais,
averiguam (ú).
Perfeito
ind.: averiguei, averiguaste, averiguou, averiguamos, averiguastes,
averiguaram.
Assim
também se conjuga o verbo apaziguar.
Caber
Presente
ind.: caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis, cabem.
Perfeito
ind.: coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes,
couberam.
Cear
Presente
ind.: ceio, ceias, ceia, ceamos, ceais, ceiam.
Perfeito
ind.: ceei, ceaste, ceou, ceamos, ceastes, cearam.
Todos
os verbos terminados em ear conjugam-se da mesma forma: passear, falsear, arrear, frear, rodear etc.
Comerciar
Presente
ind.: comercio, comercias, comercia, comerciamos, comerciais,
comerciam.
Perfeito
ind.: comerciei, comerciaste, comerciou, comerciamos, comerciastes,
comerciaram.
Da
mesma forma se conjugam os verbos terminados em iar:
anunciar, anuviar, evidenciar, licenciar, iniciar,
arriar.
Obs.:
Há cinco verbos que terminam em iar que não
seguem o modelo acima, mas os dos verbos terminados em ear. São os seguintes: mediar, ansiar, remediar, incendiar e
odiar.
Crer
Presente
ind.: creio, crês, crê, cremos, credes, creem.
Perfeito
ind.: cri, creste, creu, cremos, crestes, creram.
Imperfeito
ind.: cria, crias, cria, críamos, críeis, criam.
Dar
Presente
ind.: dou, dás, dá, damos, dais, dão.
Perfeito
ind.: dei, deste, deu, demos, destes, deram.
Presente
subjuntivo: dê, dês, dê, demos deis, deem.
Distinguir
Presente
ind.: distingo, distingues, distingue, distinguimos, distinguis,
distinguem.
Perfeito
ind.: distingui, distinguiste, distinguiu, distinguimos, distinguistes,
distinguiram.
Da
mesma forma se conjuga o verbo extinguir.
Dizer
Presente
ind.: digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem.
Perfeito
ind.: disse, disseste, disse, dissemos, dissestes,
disseram.
Os
derivados deste verbo também se conjugam da mesma forma: predizer, desdizer
etc.
Fazer
Presente
ind.: faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem.
Perfeito
ind.: fiz, fizeste, fez, fizemos, fizestes, fizeram.
Ficar
Presente
ind.: fico, ficas, fica, ficamos, ficais, ficam.
Perfeito
ind.: fiquei, ficaste, ficou, ficamos, ficastes,
ficaram.
Como
ficar conjugam-se os verbos abdicar, verificar,
retificar.
Haver
Presente
ind.: hei, hás, há, havemos, haveis, hão.
Perfeito
ind.: houve, houveste, houve, houvemos, houvestes,
houveram.
Presente
subjuntivo: haja, hajas, haja, hajamos, hajais, hajam.
Ir
Presente
ind.: vou, vais, vai, vamos, vais, vão.
Perfeito
ind.: fui, foste, foi, fomos, fostes, foram.
Presente
subjuntivo: vá, vás, vá, vamos, vades, vão.
Medir
Presente
ind.: meço, medes, mede, medimos, medis, medem.
Perfeito
ind.: medi, mediste, mediu, medimos, medistes,
mediram.
Da
mesma forma conjugam-se pedir, expedir,
despedir.
Ouvir
Presente
ind.: ouço, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem.
Perfeito
ind.: ouvi, ouviste, ouviu, ouvimos, ouvistes,
ouviram.
Poder
Presente
ind.: posso, podes, pode, podemos, podeis, podem.
Perfeito
ind.: pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam.
Obs.:
O acento em pôde é exceção. Só se usa na
terceira pessoa do singular do perfeito do indicativo, para distinguir de
pode, com som aberto, da terceira pessoa
do singular do presente do indicativo.
Pôr
Presente
ind.: ponho, pões, põe, pomos, pondes, põem.
Perfeito
ind.: pus, puseste, pôs, pusemos, pusestes, puseram.
Imperfeito
ind.: punha, punhas, punha, púnhamos, púnheis, punham.
Como
pôr, conjugam-se todos os verbos
terminados em por: depor, antepor, repor,
dispor, indispor, predispor, justapor, supor, pressupor, compor, recompor,
expor, descompor, opor, transpor, propor, decompor
etc.
Obs.:
O verbo pôr e seus derivados pertencem à segunda
conjugação, em virtude de ter sua origem do latim poere.
Precaver-se
Presente
ind.: só se conjuga na primeira e segunda pessoas do plural: precavemo-nos,
precaveis-vos.
Perfeito
ind.: precavi-me, precaveste-te, precaveu-se, precavemo-nos, precavestes-vos,
precaveram-se.
É um
verbo defectivo. Não se conjuga no subjuntivo nem no imperativo negativo. No
imperativo afirmativo, só possui a segunda pessoa do
plural.
Numa
ginástica de linguagem, pode-se
substitui-lo por precatar-se, acautelar-se
ou prevenir-se.
Prover
Presente
ind.: provejo, provês, provê, provemos, provedes,
proveem.
Perfeito
ind.: provi, proveste, proveu, provemos, provestes,
proveram.
Obs.:
Esse verbo, derivado de ver, não o segue no perfeito do indicativo, onde é
regular. A terceira pessoa do singular é
proveu mesmo, embora possa parecer
diferente.
Reaver
Presente
ind.: reavemos, reaveis (só possui a primeira e segunda pessoas do
plural).
Perfeito
ind.: reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes,
reouveram.
Requerer
Presente
ind.: requeiro, requeres, requer, requeremos, requereis,
requerem.
Perfeito
ind.: requeri, requereste, requereu, requeremos, requerestes,
requereram.
Ser
Presente
ind.: sou, és, é, somos, sois, são.
Perfeito
ind.: fui, foste, foi, fomos, fostes, foram.
Imperfeito
ind.: era, eras, era, éramos, éreis, eram.
Presente
subjuntivo: seja, sejas, seja, sejamos, sejais, sejam.
Imperativo
afirmativo: é, sê, seja, sejamos, sede, sejam.
Ter
Presente
ind.: tenho tens tem, temos, tendes, têm.
Perfeito
ind.: tive, tiveste, teve, tivemos, tivestes, tiveram.
Imperfeito
ind.: tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham.
Trazer
Presente
ind.: trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem.
Perfeito
ind.: trouxe, trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes,
trouxeram.
Valer
Presente
ind.: valho, vales, vale, valemos, valeis, valem.
Perfeito
ind.: vali, valeste, valeu, valemos, valestes,
valeram.
Presente
subjuntivo: valha, valhas, valha, valhamos, valhais,
valham.
Ver
Presente
ind.: vejo, vês, vê, vemos, vedes, veem.
Perfeito
ind.: vi, viste, viu, vimos, vistes, viram.
Futuro
do subjuntivo: vir, vires, vir, virmos, virdes, virem.
Como
o verbo ver conjugam-se os verbos antever, entrever, prever, rever
etc.
Vir
Presente
ind.: venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm.
Perfeito
ind.: vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram.
Imperfeito
ind.: vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham.
Da
mesma forma conjugam-se os verbos
avir-se, convir, desavir-se, intervir, provir,
sobrevir, revir.
Tempos
derivados do perfeito do indicativo
Do
tema do perfeito do indicativo derivam-se o mais-que-perfeito do
indicativo, o imperfeito do subjuntivo e o futuro do
subjuntivo.
Consegue-se
o tema do perfeito do indicativo, tirando-se a desinência ste da segunda pessoa do
singular.
Tema
do perfeito do verbo andar = anda.
Tema
do perfeito do verbo vender = vende
Tema
do perfeito do verbo partir = parti.
Acrescentando-se
ste a esses temas, obtém-se a segunda pessoa do singular do perfeito do
indicativo: anda-ste, vende-ste, parti-ste.
As
terminações do mais-que-perfeito do indicativo são: ra, ras, ra, ramos, reis,
ram. Daí, acrescentando-se ao tema, temos:
andara,
andaras, andara, andáramos, andáreis, andaram.
vendera,
venderas, vendera, vendêramos, vendêreis, venderam.
partira,
partiras, partira, partíramos, partíreis, partiram.
As
terminações do imperfeito do subjuntivo são: sse, sses, sse, ssemos,
sseis, ssem.
Ex.:
comprasse, vendesse, partisse, andasse.
As
terminações do futuro do subjuntivo são: r, res,
rmos, rdes, rem.
Ex.:
andar, andares, andar, andarmos, andardes, andarem.
vender,
venderes, vender, vendermos, venderdes, venderem.
Partir,
partires, partir, partirmos, partirdes, partirem.
Infinitivo
impessoal
O
infinitivo impessoal, em qualquer verbo , tem a desinência
r.
Ex.:
anda-r, vende-r, parti-r, pôr.
Tempos
derivados do infinitivo pessoal
Futuro
do presente:
acrescenta-se ao infinitivo impessoal as desinências: ei, ás, á, emos, eis,
ão.
Ex.:
partirei, venderei, andarei etc.
Futuro
do pretérito:
acrescenta-se ao infinitivo impessoal as desinências ia, ias, ia, íamos, íeis,
iam.
Ex.:
andaria, venderia, compraria, partiria.
Obs.:
Os verbos dizer, fazer e trazer, são exceção, e seguem outra
linha:
direi,
farei, trarei — diria, faria, traria.
Imperfeito
do indicativo
É
formado do radical do infinitivo impessoal mais as terminações típicas do
imperfeito do indicativo.
Na
primeira conjugação as terminações são: va, vas, va, vamos, veis,
vam.
Ex.:
andava, andavas, andava, andávamos, andáveis, andavam.
Para
os verbos das segunda a terceira conjugações as terminações são: a, as, a, amos,
eis, am.
Ex.:
vendia, vendias, vendia, vendíamos, vendíeis, vendiam.
partia, partias, partia, partiam, partíeis,
partiam.
Obs.
Alguns verbos irregulares não seguem essa linha.
Ex.:
verbos pôr, ser, ter, vir.
Gerúndio
É
formado a partir do infinitivo impessoal. Troca-se o
r final por ndo.
Ex.:
falar = falando.
partir = partindo.
olhar = olhando.
cair
= caindo.
perder = perdendo.
Particípio
Também
é formado a partir do infinitivo pessoal. Troca-se o
r final por do. No caso dos verbos da segunda conjugação, troca-se
er por ido.
Ex.:
cantar = cantado.
andar = andado.
perder = perdido.
ir =
ido.
partir = partido.
comprar = comprado.
Obs.
Há exceções, como prender = preso, morrer = morto, escrever =
escrito.
Infinitivo
pessoal
Acrescenta-se
ao infinitivo impessoal as desinências de pessoa.
Ex.:
cantar, cantares, cantar, cantarmos, cantardes,
cantarem.
partir, partires, partir, partirmos, partirdes,
partirem.
prender, prenderes, prender, prendermos, prenderdes,
prenderem.
Tempos
verbais compostos
São
formados conjugando-se os verbos ter ou haver, mais o particípio.
Perfeito:
indicativo
tenho falado.
tenho andado.
tenho vendido.
tenho partido.
Subjuntivo
tenha falado.
tenha andado.
tenha vendido.
Mais
que perfeito — indicativo
tinha falado.
tinha comprado.
havia partido.
havia escrito.
subjuntivo
houvesse falado.
tivesse escrito.
tivesse partido.
Futuro
do presente — indicativo:
terei falado.
terás escrito.
terá partido.
subjuntivo
houver falado.
tiver falado.
tiveres partido.
houveres
partido.
Futuro
do pretérito — indicativo
haveria feito.
teria feito.
terias comprado.
teriam partido.
Gerúndio
tendo feito.
tendo comprado.
tendo
falado.
TEMPOS
VERBAIS: COMO USAR
Os
processos verbais podem situar-se basicamente em três
tempos:
—
Tempo presente: indica que o processo verbal
ocorre ao mesmo tempo em que se fala.
Ex.:
Estou chegando de
Brasília.
O
tempo presente do verbo, pode ser usado em ocasiões especiais, para indicar um
fato ocorrido no passado. Na literatura ou na história se vê muitos casos
assim.
Ex.:
A nove de julho de 1932, os paulistas levantam
armas em defesa da Constituição.
Pode
ocorrer também indicando futuro.
Ex.:
No mês que vem eu penso no
caso.
Pode
ocorrer ainda, indicando um ciclo, um fato que se
repete.
Ex.:
O sol se põe, a lua se levanta.
—
Tempo passado (pretérito): indica que o fato ocorreu antes da época em que se
fala.
Ex.:
Saí de
Brasília às quatorze horas.
O
passado tem três formas.
—
Pretérito perfeito: Como o próprio nome indica,
trata-se de um passado já concluído, perfeito.
Ex.:
Já tratei
dos negócios da herança.
—
Pretérito imperfeito: O processo ainda não está
totalmente terminado.
Ex.:
Eu tratava dos negócios da herança,
quando você chegou.
Em
usos cotidianos o pretérito imperfeito pode ser usado como futuro de pretérito.
Ex.:
No seu lugar eu comprava logo esse
imóvel.
—
Pretérito mais que perfeito: O processo pertence
a um passado anterior a outro também
passado.
Ex.:
O plenário apreciou o projeto que já estivera em
pauta.
Em
alguns casos também se usa o mais-que-perfeito, como futuro do presente ou como imperfeito do subjuntivo.
Ex.:
Quem havera de saber.
Não
fora ele e eu não ficaria
sabendo.
—
Tempo futuro: indica que o fato ainda está para ocorrer.
Ex.:
Às dezoito horas irei para São
Paulo.
O
futuro tem duas formas:
—
Futuro do presente: indica um processo futuro, a
partir de um fato presente concreto.
Ex.:
Amanhã eu escreverei o
artigo.
Pode
ocorrer o uso do futuro do presente, em casos especiais, para indicar dúvida, ou ainda com valor imperativo.
Ex.:
Esse terreno terá no máximo quinhentos metros
quadrados. (Nesse caso terá tem o mesmo
valor que deve
ter).
Ex.:
Respeitarás o seu cônjuge, até que a morte os
separe.
—
Futuro do pretérito: indica um processo futuro
que depende de uma condição do passado para que
ocorra esse futuro.
Ex.:
Eu escreveria o artigo para o seu jornal, se
fosse bem pago.
—
Infinitivo impessoal: Não tem indicação de
pessoa. Tem caráter universal.
Ex.:
sair — prender — entrar — comprar — jogar. (Não é
conjugado)
Ex.:
Desistir agora seria tolice. (Não indica quem
poderia desistir).
—
Usa-se o infinitivo impessoal quando um outro verbo já é flexionado. É o caso da
locução verbal.
Ex.:
Vamos ver se você é capaz de
correr.
Ex.:
Teremos que receber muitas palmas.
—
Usa-se o infinitivo impessoal quando o sujeito é indefinido, é
impessoal.
Ex.:
Matar ou morrer,
essa era a situação.
Ex.:
Ser ou não ser,
eis a questão.
—
Afinal, o uso do infinitivo impessoal é sempre imperativo, quando há um só
sujeito.
Os
exemplos acima já servem, mas daremos mais alguns:
—
Posso ser cego mas não
burro.
— É
proibido pisar na grama.
—
Vamos sair
agora para voltar mais
cedo.
—
Infinitivo pessoal: Tem caráter personalizado.
Indica quem, ou de
quem se está
falando.
Ex.:
Passe logo mais em casa para conversarmos a
respeito.
Ex.:
Para eu lhe vender esta casa, temos que combinar
no preço.
O
infinitivo pessoal é sempre alvo de erros na linguagem e na escrita. Por isso é
importante que estudemos com mais profundidade. Faça muitos exercícios com o
infinitivo pessoal, para não cair em erro.
Como
regra básica, o infinitivo pessoal só é usado quando o sujeito da oração é
diferente do sujeito da oração principal.
Exemplos:
—
Quando for necessário pagar, é melhor pagarmos.
(Neste caso o sujeito da primeira oração é indefinido, e o sujeito da segunda
oração é nós).
—
Pensaram sermos nós os investidores. (Sujeito da
primeira: eles; sujeito da segunda oração: nós.
— Sem
que eles soubessem estarmos presentes,
cochichavam a nosso respeito. (Eles é o sujeito
da primeira oração; nós é o sujeito da
segunda).
Sempre
que o sujeito é o mesmo, trata-se de uma locução verbal. Nesse caso o infinitivo
é impessoal. Não cometa erros como esse, por
exemplo: Acreditamos sermos os primeiros a chegar: e-r-r-a-d-o.
O
certo: Acreditamos ser os primeiros a chegar.
CAPÍTULO
IX
REGÊNCIA
VERBAL
Definição
Por
regência verbal entende-se a relação que existe entre um verbo e seu
complemento.
Verbos
intransitivos
São
os verbos que não exigem complemento; têm sentido por si
só.
Exemplos:
morrer, voar, amanhecer, correr, caminhar, andar, faltar
etc.
— O
cliente do quarto 402 morreu.
— O
passarinho voou.
— O
dia amanheceu.
— O
menino corre.
— Ele
estava caminhando.
—
Hoje eu não vou andar.
— O
professor faltou.
Em
todos os casos acima os verbos não pedem complemento, porque já têm significado
próprio. Entretanto, pode-se acrescentar um complemento, sem que o verbo deixe
de ser intransitivo.
Ex.:
— O
cliente do quarto 402 morreu de insuficiência
respiratória.
— O
passarinho voou para bem longe.
— O
dia amanheceu chuvoso.
— O
menino corre pelo parque.
— Ele
estava caminhando pela passarela.
—
Hoje eu não vou andar de bicicleta.
— O
professor faltou para corrigir provas.
Verbos
transitivos
São
os verbos que não têm significação por si próprios. Exigem um complemento, para
que venham a ser entendidos dentro da oração.
Ex.:
Comprei o televisor.
Deixei o
carro no estacionamento.
Verbos
transitivos diretos
São
aqueles que requerem um objeto direto. Indicam uma ação que passa diretamente a
uma pessoa ou coisa.
Ex.:
Vendi o carro. (A ação de vender recai sobre o
objeto, que é o carro, sem necessidade de nenhuma preposição entre o verbo e o
complemento).
Para
que se saiba se o verbo é transitivo direto, faz-se a pergunta o quê?, em
relação a ele.
Ex.:
Vendi
o quê? —> o carro.
Comprei
o quê? —> uma bicicleta.
Bebi
o quê? —> um refrigerante.
Ele
abriu o quê? —> a porta.
Todos
os verbos acima são transitivos diretos.
Verbos
transitivos indiretos
São
aqueles que exigem um objeto indireto. A ação se passa, entre o verbo e o
complemento, por intermédio de uma
preposição.
Nesse
caso, a pergunta deveria ser: de quê?, por onde? de
quem? a quem?
Eles
gostavam de quê? —> de doces.
Ela
amava a quem? —> a Deus.
Ele
obedeceu a quê? —> às ordens estabelecidas.
Nós
saímos para onde? —> para a rua.
Exemplos::
—
Pensei em deixar a
Universidade.
— Nós
gostamos de viajar.
—
Vamos sair para um
passeio.
—
Obedeça às ordens.
Verbos
transitivos diretos e indiretos
São
verbos que, além de um objeto direto, acrescenta-se ainda um objeto
indireto.
Ex.:
Comprei picanha (objeto direto) para o churrasco (objeto
indireto).
— Os
complementos dos verbos transitivos se chamam objeto direto e objeto
indireto.
Objeto
direto —> é o complemento do verbo transitivo direto. Não precisa de preposição.
Objeto
indireto —> é o complemento do verbo transitivo indireto. Precisa de uma preposição. Vem acompanhado de uma
preposição.
Há
verbos que, dependendo de como são empregados, podem ser intransitivos,
transitivos diretos, transitivos indiretos ou ainda transitivos diretos e
indiretos ao mesmo tempo. É o caso do verbo acusar, por exemplo.
— O
réu foi acusado (intransitivo).
— O
réu foi acusado justamente (transitivo direto).
— O
réu foi acusado de homicídio (transitivo indireto).
— O
réu foi acusado justamente de homicídio (transitivo direto e
indireto).
Outro
caso — verbo chover.
—
Ontem choveu (intransitivo).
—
Ontem choveu granizo (transitivo direto).
—
Ontem choveu em São Paulo (transitivo indireto).
—
Ontem choveu granizo em São Paulo (transitivo direto e
indireto).
O
estudo das regras na regência dos verbos é um pouco complicada no Português,
porque as palavras, os verbos, têm às vezes vários sentidos. É sempre de bom
alvitre consultar um bom dicionário para saber qual é a regência do verbo,
quando for empregar. O dicionário Aurélio esclarece quanto à regência do
verbo.
Entretanto,
para fins de informação, damos abaixo a relação de alguns verbos, que podem
deixar dúvida.
Aspirar
(esperar,
desejar) — transitivo indireto.
Ex.:
Paulo aspirava a um cargo melhor.
Aspirar
(respirar
para dentro, cheirar) — transitivo direto.
Ex.:
Ela aspirou profundamente o ar perfumado.
Assistir
(comparecer, ver) — transitivo
indireto.
Ex.:
Não vamos assistir ao jogo hoje.
Assistir
(dar
assistência, socorrer) — transitivo direto.
Ex.:
A enfermeira assistiu o médico na operação.
Atender
(acatar,
aceitar) — transitivo direto.
Ex.:
Atendam a voz da consciência.
Atender
(dar
atenção) — transitivo indireto.
Ex.:
Elas atenderam prontamente ao chamado.
Atingir
(alcançar)
— transitivo direto.
Ex.:
Atingir aquela meta, era o que ele mais queria.
Chamar
(trazer
para perto) — transitivo direto.
Ex.:
Chamei o carteiro outra vez.
Chamar
(dar
nome) — transitivo indireto.
Ex.:
Chamaram de Frederico o filho recém nascido.
Compartilhar
(tomar
parte) — transitivo indireto.
Ex.:
Ela compartilhava de todas as brincadeiras.
Cumprimentar
—
transitivo direto.
Ex.:
Cumprimentei Pedro pelo aniversário.
Custar
(ser
difícil) — transitivo indireto.
Ex.:
Custou-me (a mim) afastar-me da festa.
Obs.:
Esse verbo, nesse sentido, é impessoal. Só é conjugado na terceira pessoa do
singular.
Custar
(valer,
avaliar) — intransitivo.
Ex.:
Quanto custa o televisor? (O televisor é o sujeito).
Implicar
(acarretar,
trazer consequências, resultar) — transitivo direto.
Ex.:
A construção do parque implicou altas despesas ao erário
público.
Obs.:
Nunca diga: implicou em altas despesas...
Implicar
(provocar,
amolar) — transitivo indireto.
Ex.:
O marido implicava sempre com o
cachorro.
Obedecer
—
transitivo indireto.
Ex.:
Ele obedecia sempre às ordens do
comandante.
Prejudicar
—
transitivo direto.
Ex.:
Você está prejudicando o andamento do serviço.
Visar
(ter
como meta, mirar) — transitivo direto.
Ex.:
O treinador só visava o gol.
Visar
(colocar
o visto) — transitivo direto.
Ex.:
O encarregado visava os passaportes.
Visar
(pretender,
ter em vista) — transitivo indireto.
Ex.:
Ao escrever a carta, ele só visou à melhoria dos
trabalhos.
OBS.:
Às vezes o verbo transitivo direto vem seguido de uma preposição. Isso acontece
ao se relatar fatos históricos, por exemplo:
O
exército pegou das armas para se defender do inimigo. (Neste caso o de do termo das armas,
pode ser até ser suprimido; só é usado por questão de
elegância).
Ex.:
Ele pegou da espada e feriu o
adversário.
Verbo
de Ligação
É
aquele que, sempre com o significado de estado
ou mudança de estado, serve para estabelecer um
tipo de ligação entre o atributo do sujeito e o
sujeito.
São
eles: ser, estar, ficar, permanecer etc.
Ex.:
As ondas do mar são suaves (Estado
permanente).
As
ondas do mar estão suaves (Estado transitório —
pode mudar)
As
ondas do mar ficaram suaves (Mudança da
estado).
CAPÍTULO
X
USO
DA VÍRGULA ENTRE OS TERMOS DA ORAÇÃO
Ordem
direta: uma
oração está em ordem direta quando seus termos estão na seguinte progressão:
sujeito —> verbo —> complementos do verbo —> adjunto
adverbial.
Ex.:
O diretor comercial abrirá a reunião às oito horas.
Sujeito:
O diretor comercial.
Verbo:
abrirá.
Objeto
direto (complemento do verbo): a reunião.
Adjunto
adverbial: às oito horas.
Ordem
inversa:
quando se inverte a ordem prevista acima.
Ex.:
Às oito horas, o diretor comercial abrirá a reunião.
(Observe-se
que, dado que o adjunto adverbial passou para a frente, ficou separado com uma
vírgula).
Não
havendo inversão na ordem dos termos, conforme visto acima, não há necessidade
de se usar vírgula (só se for para separar uma oração de
outra).
Usa-se
a vírgula, também, para se intercalar uma explicação.
Ex.:
O jumento, animal teimoso, empacou na subida.
Os
pré-requisitos para se colocar a vírgula, dentro de uma oração, são os
seguintes:
—
Não se usa vírgula: separando termos que, do
ponto de vista sintático, ligam-se entre si:
—
entre sujeito e predicado.
—
entre o verbo e seus complementos.
—
entre o nome e adjunto adnominal.
Exemplos:
— O
prefeito vetou o projeto.
— O
projeto custou muitas horas de trabalho aos
vereadores.
— O
veto do prefeito ao projeto causou repulsa entre os
vereadores.
As
três orações acima estão escritas na ordem direta e os termos se ligam entre si,
portanto não há porque se colocar vírgula.
—
Usa-se a vírgula:
—
Para marcar intercalação do aposto, do adjunto adverbial, da conjunção e das
expressões explicativas ou corretivas.
Exemplos:
—
Chacrinha, o velho guerreiro, ficou doente
(aposto).
— O
café, devido à queda
internacional, caiu de preço (adjunto
adverbial).
— Ele
estava atento, entretanto, desviou a conversa
(conjunção).
— Ele
estava atento, mesmo assim, perdeu o assunto
principal da reunião (expressão corretiva).
— Os
preços estavam altos, isto é, proibitivos aos
pobres.
Usa-se
a vírgula ainda:
— nas
datas.
Ex.:
Salvador, 18 de fevereiro de 1998.
—
para separar elementos coordenados.
Ex.:
A polícia procurava um homem branco, cabelos pretos, alto e
magro.
—
para marcar a omissão (elipse) do verbo.
Ex.:
Eu estou falando de pedras e você, de paus.
—
para isolar o vocativo.
Ex.:
Vocês, ó justos, alcançarão o reino dos
céus.
CAPÍTULO
XI
PERÍODO
— CLASSIFICAÇÃO
Oração
— período — frase
Oração: é
um enunciado linguístico, de sentido completo ou não, constituído de sujeito e
predicado, ou apenas de predicado.
Ex.:
O povo foi às urnas (oração).
Sujeito:
O povo
Predicado:
foi às urnas.
Outro
ex.: Chove lá fora (oração).
Sujeito:
inexistente.
Predicado:
Chove lá fora.
Período: é
um enunciado linguístico com sentido completo, constituído de uma oração ou
mais, com elementos combinados entre si de acordo com as regras sintáticas da
língua.
Um
período começa com letra maiúscula e termina com ponto final, ponto de
interrogação ou ponto de exclamação.
Obs.:
Quando se quer dar a entender que poderia ser dito algo mais, o período pode
terminar com reticências.
Exemplos:
—
Nicanor vai à escola.
—
Nicanor foi à escola?
—
Nicanor foi reprovado; que humilhação!
— Ele
estava pensativo, mergulhado em suas lembranças...
Frase: é
uma oração, mesmo sem sentido completo.
Ex.:
Arre! Nossa... Viva! Silêncio.
A
frase, então, embora tenha pontuação, depende de outro período para ter
sentido.
Ex.:
Viva! Chegamos a tempo para ver o jogo!
Classificação
do período
Período
simples:
aquele com uma só oração. A oração que constitui o período simples é denominada
oração absoluta.
Ex.:
O luxo da realeza levou o império à ruína.
Período
composto:
aquele com duas ou mais orações.
Ex.:
O luxo da realeza levou o império à ruína, pois foi conquistado por outro
império.
No
período composto pode ocorrer três tipos básicos de oração: principal,
subordinada e coordenada.
Oração
principal — oração subordinada
Observe
o seguinte exemplo:
— A
mãe deixou que ele saísse.
Sujeito:
A mãe.
Verbo
transitivo direto: deixou.
Objeto
direto: que ele saísse.
Nesse
caso, o período é composto, pois contém duas orações.
A
segunda oração (que ele saísse), está encaixada na primeira oração (a mãe
deixou), funcionando como objeto direto do verbo.
Dizemos,
então, que a primeira oração é principal e a segunda é subordinada.
Oração
principal: é
aquela na qual se encaixa uma subordinada.
Oração
subordinada: é
aquela que se encaixa em outra oração (a principal), desempenhando função
sintática com relação a esta.
As
orações subordinadas podem ser:
—
substantivas: aquelas que desempenham função
sintática própria do substantivo.
—
adjetivas: aquelas que desempenham função
sintática própria do adjetivo.
—
adverbiais: aquelas que desempenham função
sintática própria do advérbio.
Oração
subordinada substantiva
Para
entender como a oração subordinada substantiva desempenha função de um
substantivo, vamos comparar as duas frases a seguir:
—
Todos aplaudiram sua chegada.
Sujeito:
Todos.
Verbo
transitivo direto: aplaudiram.
Objeto
direto: sua chegada.
O
período acima, com uma só oração, pode ser substituída por outro período com
duas orações:
—
Todos aplaudiram que ele chegasse.
Oração
principal: Todos aplaudiram.
Oração
subordinada substantiva: que ele chegasse.
Sujeito:
Todos.
Verbo
transitivo direto: aplaudiram.
Função
de objeto direto (substantivo): que ele chegasse.
Conforme
visto acima, a segunda oração desempenha o papel de objeto direto do verbo
(aplaudiram) da primeira oração. A função do objeto direto é uma função
substantiva, assim a segunda oração é classificada
como:
—
subordinada: porque está encaixada em outra,
funcionando como um termo desta.
—
substantiva: porque está desempenhando uma
função própria do substantivo (objeto direto).
Classificação
da oração subordinada substantiva
Se
uma oração subordinada substantiva vem ligada ao verbo da oração principal,
teoricamente pode funcionar como:
Sujeito
—> substantiva subjetiva.
Objeto
direto —> substantiva objetiva direta.
Objeto
indireto —> substantiva objetiva indireta.
1
— Oração subordinada substantiva subjetiva
É
aquela que funciona como sujeito do verbo da oração
principal.
Ex.:
Admira-me que você renuncie.
Oração
principal: Admira-me.
Oração
subordinada substantiva subjetiva: que você renuncie.
A
segunda oração funciona como sujeito da oração
principal.
Obs.:
— o
verbo da oração principal está sempre na terceira
pessoa do singular (admira).
— não
há sujeito dentro dos limites da oração principal, neste caso o sujeito é a
própria oração subordinada.
2
— Oração subordinada substantiva objetiva direta
É
aquela que funciona como objeto direto do verbo da oração
principal.
Ex.:
Os pescadores não deixam que os peixes se reproduzam.
Oração
principal: Os pescadores não deixam.
Oração
subordinada substantiva objetiva direta: que os peixes
se reproduzam.
Obs.:
— a
oração subordinada substantiva objetiva sempre se liga ao verbo da oração
principal sem preposição, pois esse verbo é
transitivo direto.
—
indica o alvo sobre o qual recai a ação do verbo.
3
— Oração subordinada substantiva objetiva indireta
É
aquela que funciona como objeto indireto do verbo da oração principal, que é
transitivo indireto.
Ex.:
Assistia-se a uma partida de tênis que estava sendo
televisada..
Oração
principal: Assistia-se
Oração
subordinada substantiva objetiva indireta: a uma
partida de tênis que estava sendo televisada..
Obs.:
—
liga-se ao verbo da oração principal por uma
preposição.
—
indica o alvo ou o destinatário do processo verbal.
Oração
subordinada adverbial
É
aquela que se encaixa na oração principal, funcionando como adjunto
adverbial.
Analisemos
a seguinte oração:
— Os
escoteiros voltaram ontem.
É uma
oração absoluta.
Adjunto
adverbial: ontem.
Mas,
o adjunto adverbial pode se constituir por uma oração
inteira.
Ex.:
Os escoteiros voltaram quando haviam previsto.
Verbo:
voltaram
Adjunto
adverbial: quando haviam
previsto.
Já no
último caso o período é composto por duas orações. A segunda oração encaixa-se
como adjunto adverbial do verbo da primeira oração (voltaram). Neste caso então
a segunda oração é:
—
subordinada: porque está encaixada em outra,
funcionando como um termo desta.
—
adverbial: porque está desempenhando a função de
um advérbio.
Obs.:
A
oração subordinada adverbial liga-se ao verbo da oração principal através de conjunção subordinativa (quando) que não seja a conjunção integrante
(que). No último caso a oração seria subordinada
substantiva.
Classificação
das orações subordinativas adverbiais
As
orações subordinativas adverbiais classificam-se, assim como os advérbios, de
acordo com as circunstâncias que exprimem:
—
causal
—
consecutiva
—
condicional
—
concessiva
—
conformativa
—
comparativa
—
final
—
temporal
—
proporcional
—
modal.
Orações
subordinadas adjetivas — orações
reduzidas
Oração
subordinada adjetiva é aquela que se encaixa na oração principal, funcionando
como adjunto adnominal.
Essas
orações se ligam ao objeto da primeira oração e
não ao verbo.
Ex.:
O juiz julgou a queixa inaceitável.
É um
período simples, a oração é absoluta.
Objeto
direto: a queixa.
Adjunto
adnominal: inaceitável.
Outro
ex.: O juiz julgou a queixa, que não podia ser aceita.
Período
composto de duas orações.
Oração
1: O juiz julgou a queixa (oração principal).
Oração
2: que não podia ser aceita (funciona como adjetivo de queixa — é um adjunto adnominal do objeto direto
queixa).
Neste
caso a segunda oração se classifica como subordinada, porque está encaixada em outra,
funcionando como um termo desta; também é adjetiva, porque está desempenhando uma função própria
de adjetivo.
— A
oração adjetiva sempre se liga a um nome da
oração principal.
— Vem
introduzida por um pronome relativo (que, quem, o qual
etc.).
Classificação
das orações subordinadas adjetivas
—
Adjetivas restritivas: aquelas que fazem uma
restrição com referência ao nome a que se
referem, ou melhor, particularizam uma parte dentro de um
conjunto.
Ex.:
O concurso só é destinado a candidatos que tenham formação
universitária.
Oração
principal: O concurso só é destinado a candidatos.
Segunda
oração: que tenham formação universitária
(subordinada adjetiva restritiva).
—
Adjetivas explicativas: dão uma explicação ao
nome, mas não restringe um grupo.
Ex.:
Os petroleiros, que prestam serviço perigoso, recebem um acréscimo de
periculosidade.
Oração
principal: Os petroleiros recebem um acréscimo de
periculosidade.
Oração
subordinada adjetiva explicativa: que prestam serviço
perigoso.
As
vírgulas que separam a oração subordinada adjetiva explicativa fazem pressupor
que o acréscimo de periculosidade é paga a toda
a classe dos petroleiros, justamente porque prestam um serviço
perigoso.
— A
subordinada adjetiva explicativa vem sempre entre
vírgulas, representando uma pausa na fala. Seria o mesmo que colocá-la
entre parêntesis.
Ex.:
Os petroleiros (que prestam serviço perigoso) recebem um acréscimo de
periculosidade.
Orações
subordinadas reduzidas
Além
das formas já descritas, as orações subordinadas podem ocorrer sob a forma de
orações reduzidas.
Particularidades:
— Não
se iniciam por conjunção ou pronome relativo.
—
Apresentam o verbo sempre no infinitivo, particípio ou gerúndio (ser, sido,
sendo).
Ex.:
Percebido o engano, foi corrigido na hora.
Oração
principal: foi corrigido na hora.
Oração
subordinada reduzida: percebido o
engano.
Ex.:
Dado o mau tempo, o jogo foi adiado.
Oração
principal: o jogo foi adiado.
Oração
subordinada reduzida: dado o mau
tempo.
Como
todas as orações subordinadas, também as reduzidas podem ser substantivas,
adverbiais e adjetivas.
Substantiva: O
louco pensava ouvir
sinos.
Adverbial:
Perdeu a prova do vestibular por estar
atrasado.
Adjetiva:
Vimos a menina dançando na
chuva.
Orações
coordenadas — oração intercalada
Oração
coordenada é aquela que não se liga a outra oração: tem função
própria.
Ex.:
A mulher atendeu o vendedor à porta e foi arrumar a
cozinha.
Oração
1: A mulher atendeu o vendedor à porta.
Oração
2: e foi arrumar a cozinha.
As
duas orações são coordenadas, porque cada uma delas têm sentido próprio. Nenhuma
delas está ligada à outra. Neste caso não há oração
principal.
Classificação
das orações coordenadas
Coordenadas
assindéticas
São
aquelas que não vêm introduzidas por conjunção
coordenada.
Ex.:
Ser feliz, sofrer desencantos, assim é a vida.
3
orações: as três são coordenadas assindéticas.
Coordenadas
sindéticas
São
aquelas que vêm introduzidas por conjunção
coordenativa.
Ex.:
Ou você se
emenda, ou perde a
credibilidade.
No
exemplo acima as duas orações são coordenadas alternativas.
Subclassificação
das coordenadas sindéticas
As
coordenadas sindéticas podem ser aditivas, adversativas, alternativas,
conclusivas ou explicativas, conforme as conjunções que as
ligam.
Aditiva:
quando estabelece uma relação de acréscimo, soma,
adição.
Ex.:
Ele entregou o jornal e foi embora.
Adversativa:
quando estabelece uma relação de contradição, de adversidade, de
oposição.
Ex.:
Ela queria terminar o namoro, mas não se decidia.
Alternativa:
quando estabelece uma relação de alternância. Há várias
opções.
Ex.:
Você pode ir ao baile comigo ou ficar
dormindo.
Conclusiva:
quando estabelece uma relação de conclusão, isto é, esclarece um dado já
pressuposto num dado anterior.
Ex.:
O menino ainda está no pré-primário, portanto ainda não
conhece matemática.
Explicativa:
quando estabelece uma relação de explicação. É diferente da conclusiva, pois a
conclusiva apenas esclarece um fato que já é sabido. A explicativa explica a
ideia apresentada.
Ex.:
Eu digo que geou porque as plantas estão levemente
queimadas.
Oração
intercalada
É
aquela oração, sintaticamente independente, que se intercala numa outra, a
título de esclarecimento, ressalva, advertência, opinião. Pode vir entre
vírgulas, entre parêntesis ou entre travessões.
Exemplos:
— Ela
vinha — pelo menos é
o que me parecia — de uma experiência
desagradável.
— Até
que enfim (valha-me Deus) você
chegou!
— A
situação, mesmo que você não reconheça, está preocupante.
CAPÍTULO
XII
COLOCAÇÃO
DOS PRONOMES
De
acordo com sua colocação, os pronomes são classificados
em:
Próclise —
quando
colocados antes do
verbo.
Mesóclise —
quando
colocados no meio do
verbo.
Ênclise —
quando
colocados depois do
verbo.
Embora
se use, na linguagem coloquial, o pronome iniciando frases ou orações, é um
erro. Se você fala assim, pelo menos não
escreva.
—
Me dá um café. (Errado).
—
Dê-me um café. (É o
certo).
Se
você achar erudito demais para você, pode fazer uma maquiagem no modo de
falar.
—
Quer me dar um café, por favor?
Primeira
regra: não se começa frase com pronome oblíquo.
— Ele
se entregou à polícia. (Se entregou à polícia — estaria errado).
Segunda
regra: Palavras que atraem o pronome oblíquo:
—
Pronomes do caso reto.
Ex.:
Ele se esforçou, mas de nada
adiantou (próclise).
Esforçou-se ela, mas de nada adiantou
(ênclise).
—
Pronomes indefinidos tudo, nada, alguém.
Ex.:
Nada o incomodava
(próclise).
Alguém me
traga o relatório (próclise).
—
Advérbios de negação não, nunca, ninguém,
jamais.
Ex.:
Não se preocupe com isso agora
(próclise).
Nunca se
sabe quem vai chegar (próclise).
Ninguém me
disse (próclise).
Jamais nos encontramos
(próclise).
—
Pronomes relativos que, quem, qual, cujo.
Ex.:
Quem me disse foi você mesmo
(próclise).
Mesóclise
A
mesóclise é usada com o verbo no futuro do
presente ou futuro do pretérito, principalmente para se iniciar
frase.
Ex.:
Preocupar-me-ei mais tarde.
Procurá-lo-ia, se fosse
necessário.
Isso
não quer dizer que a mesóclise deve ser regra quando se emprega o futuro do
presente ou o futuro do pretérito.
Ex.:
Eu não
me preocuparia, se fosse você (próclise). (o não atrai o pronome)
Entretanto,
nunca empregamos a ênclise nesses tempos de
verbo.
Ex.:
Eu não preocuparia-me com isso (errado).
A
ênclise também é usada para não se colocar o
pronome no início das orações.
Ex.:
Agradeço-lhe
as congratulações e envio-lhe o
meu abraço (ênclise).
Comprou-lhe bombons,
convidou-a para jantar e não se preocupou mais. (ênclise, ênclise,
próclise).
Como
se usar os pronomes pessoais
Pessoas
do discurso
São
uma das três pessoas gramaticais que podem ocorrer no ato da fala ou do discurso.
Primeira
—
aquela que se refere à pessoa que fala: eu, me,
mim, meu etc.
Segunda
—
aquela que se refere à pessoa com quem se fala:
tu, te, ti, teu, tua etc.
Obs.:
Você. V.Exª, V.Sª, etc., são pronomes de segunda pessoa, pois indica a pessoa
com quem se fala. Entretanto comportam-se como
se fossem da terceira, na forma gramatical.
Ex.:
Você diz isso porque não sabe a
verdade.
V.Sª. deve confirmar o seu pedido.
Terceira —
aquela que se refere à pessoa de quem se fala:
ele, ela, se, si, sua etc.
Os
pronomes, do ponto de vista mórfico, se flexionam em gênero, número e
pessoa:
Em
gênero: meu
— minha.
Em
número:
meus — minhas.
Em
pessoa: meu
— teu — seu.
Do
ponto de vista sintático, o pronome, na oração, pode funcionar
como:
—
pronome adjetivo, quando modificam um
substantivo.
Ex.:
Nossos convidados se
atrasaram.
—
pronome substantivo, quando desempenha função
própria do substantivo.
Ex.:
Nós fomos.
Pronomes
pessoais
São
aqueles que designam uma das três pessoas do discurso: eu, tu, ele
etc.
Os
pronomes pessoais podem ser:
Do
caso reto:
funcionam na oração como sujeito.
Ex.:
Eles estavam de pé.
Do
caso oblíquo:
funcionam na oração como complemento (objeto direto,
indireto).
Ex.:
Disseram-me que você estava aqui (objeto
indireto = a mim).
Oblíquos
átonos: são aqueles que não têm acento tônico,
isto é, não têm a pronuncia forte. Estes nunca vêm precedidos de preposição. São
eles: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as,
lhes.
Ex.:
Comporte-se na igreja.
Oblíquos
tônicos: têm pronúncia forte; vêm sempre
precedidos de preposição, como, a, para, de, em, por
etc.
Ex.:
A ti, com carinho, ofereço essas
rosas.
Obs.:
Quando precedidos da preposição com, os oblíquos
tônicos combinam-se, dando as seguintes formas: comigo,
contigo, consigo, conosco, convosco.
Uso
dos pronomes pessoais
— Os
pronomes do caso reto não funcionam como objeto.
É
errado dizer: Vejo você depois.
O
certo é: Vejo-o depois, ou, depois o
vejo.
Obs.:
Pode ocorrer o uso do pronome do caso reto, como objeto, quando precedido de
só ou todo (e
suas variações).
Ex.:
Encontrei só ele na
rua.
As moças
que se apresentaram tinham boa aparência. Foram contratadas todas elas.
— Os
pronomes eu e tu não
podem vir regidos de preposição.
Ex.:
O trato fica só entre mim e ti.
É
errado dizer: O trato fica só entre eu e
ti.
—
Quando os pronomes eu e tu são regidos por um verbo, é correto ser precedido de
preposição.
Ex.:
Traga-me o relatório para eu ler (a preposição para está regendo o verbo).
É
errado dizer: Traga-me o relatório para mim
ler (fica parecendo linguagem de índio
nos filmes).
— Os
pronomes me, te, lhe, nos, vos, em função de objeto indireto, podem combinar-se
com o, a, os, as, que são objeto direto. Sendo assim, tomam as seguintes formas:
mo, ma, mos, mas, no-lo, no-la, vo-lo, vo-la, lha, lho, lhas,
lhos.
Ex.:
Já paguei a dívida a ele ontem = Já lha paguei
ontem.
Ele
negou ao cliente o empréstimo = Ele lho
negou.
Pronomes
de tratamento
São
os pronomes usados para tratar as pessoas.
Os
pronomes de tratamento são:
— Tu
— tratamento informal com pessoas íntimas, amigos ou
familiares.
—
Você — tratamento informal com pessoas íntimas, amigos, conhecidos ou familiares
(O antigo tratamento era vossa mercê, depois
vosmecê e depois
você).
—
Senhor, Senhora — para pessoas mais velhas, superiores ou pessoas que ainda não
conhecemos.
—
Vossa Senhoria — tratamento usado em correspondência
comercial.
—
Vossa Excelência — para autoridades do governo (prefeitos, vereadores,
deputados, senadores, presidente da república etc.) ou das forças armadas,
diplomatas, juízes (O juiz também é chamado por
Meritíssimo).
—
Vossa Majestade — para reis, rainhas e imperadores.
—
Vossa Alteza — para príncipes e duques.
—
Vossa Reverendíssima — para bispos.
—
Vossa Eminência — para cardeais.
—
Vossa Santidade — para o Papa.
—
Vossa Magnificência — para reitores de universidades.
Obs.:
o pronome você é considerado terceira pessoa do singular, e vocês, terceira
pessoa do plural. Por conseguinte, o verbo fica na 3.ª pessoa e os pronomes que
acompanham também (seu, sua, suas, seus, o, a, os, os, lhe,
lhes.
Ex.:
Você já comprou sua
passagem?
Tu é
segunda pessoa do singular.
São
pronomes de tratamento usados na terceira pessoa do singular, portanto seguindo
a mesma regra de você, os seguintes;
—
Vossa Senhoria, Vossa Excelência, Vossa Magnificência e
Vossa Reverendíssima, Meritíssimo.
Outra
regra importante:
—
Verbos transitivos diretos pedem objeto direto, portanto: o, a, os,
as.
—
Verbos transitivos indiretos pedem objeto indireto, portanto: lhe,
lhes.
O
pronome lhe sempre pode ser substituído por
a ele.
O
pronome lhes sempre pode ser substituído
por a
eles.
Ex.:
O pai doou-lhes a
casa.
Os
vereadores outorgaram-lhe o título de cidadão
paulistano.
Pronomes
demonstrativos
São
este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquele,
aquilo.
Este,
esta, isto:
indicam objetos ou pessoas que estão próximas à pessoa que
fala.
Ex.:
Este televisor está com
defeito.
Esta casa não me
serve.
Seria bom que isto fosse
verdade.
Esse,
essa, isso:
indicam pessoas ou objetos que estão próximas à pessoa
com quem se fala.
Ex.:
Gostei desse seu terno (desse = de +
esse).
Essa sua mania já está me
cansando.
Não sei
nada disso (disso = de +
isso).
Aquele,
aquela, aquilo:
indicam pessoas e objetos distantes dos dois: da pessoa
que fala e da pessoa com quem se fala.
Ex.:
Aquela ideia do Fernando não foi nada
boa.
Não
sei por que ele comprou aquele computador com
capacidade limitada.
Só podia acontecer aquilo.
Obs.:
Estes pronomes em estudo podem formar contrações com as preposições de e em.
Ex.:
deste, desta, disto, desse, dessa, disso, daquele,
daquela, daquilo, neste, nesta, nisto, nesse, nessa, nisso, naquele, naquela,
naquilo.
As
regras para estas contrações são idênticas às estudadas acima.
CAPÍTULO
XIII
REDAÇÃO
Redação,
assunto a ser estudado aqui, quer dizer: ato de redigir. No dicionário você verá
que a palavra redação significa também local de
trabalho de redatores; mas não é o nosso caso.
Como
redação se entende todas as formas de escritos. Serão estudadas aqui as
seguintes formas:
—
artigo
—
ata
—
bilhete
—
carta pessoal
—
carta comercial
—
conto
—
crônica
—
edital
—
editorial
—
memorando
—
ofício
—
relatório
—
telegrama
Estrutura
de uma redação
Uma
redação, de qualquer espécie, precisa de uma estrutura com uma sequência lógica,
ou seja, precisa ter um começo, um meio e um fim.
O
erro clássico do estudante é não saber dar essa sequência. Às vezes também vemos
filmes, no cinema ou na televisão, em que o produtor se perde na sequência
lógica. Nesse caso a história fica ininteligível.
Há
casos, como veremos a seguir, em que a sequência não tem que ser seguida à
risca: você pode escrever um conto, por exemplo, começando pelo fim; ou ainda,
às vezes, se vê os escritores entremearem suas histórias com trechos que vão
esclarecendo o leitor aos poucos. Isso é para dar suspense e prender o leitor.
Entretanto todas as redações devem ter um começo, um meio e um
fim, mesmo que não estejam necessariamente nesta
ordem.
Mas,
estudaremos aqui como se pode escrever melhor sem ser um craque no assunto, ou
um profissional.
—
Use,
de preferência, orações curtas sem enfeitar demais o
assunto.
Períodos
muito longos ficam difíceis de entender. Para exemplificar, veja o texto
abaixo.
A
verba, que já havia sido proposta no recinto do plenário uma quantidade enorme
de vezes, e que seria para beneficiar as cidades de todos os Estados desse nosso
Brasil, foi proposta mais uma vez na última sexta-feira, quatro de maio, e foi
novamente recusada a sua aprovação.
Não
há necessidade de se “encher
linguiça”. Fica melhor dizer assim:
A
proposta sobre a verba para beneficiar os municípios do Brasil foi reapresentada
em plenário na última sessão do dia quatro de maio. Foi
indeferida.
—
Evite termos muito batidos pela imprensa. Às vezes um político usa uma
expressão uma vez e a imprensa repassa a seus leitores
repetidamente.
Ex.:
O trânsito está engarrafado (termo usado e abusado pelos âncoras das
Tvs.).
Fica
melhor: O trânsito está congestionado.
Um
ministro, uma vez, usou a expressão elenco de
medidas, e as pessoas passaram a usá-la a toda hora, como se a
achasse linda. Não está errada a expressão, mas a palavra elenco é
mais cabível para designar a relação de atores de um filme, de uma peça de
teatro, os jogadores de um time de futebol, artistas de um circo etc. O mais
correto seria um conjunto de medidas.
Evite
palavras como economês, portunhol
etc.
Os
lugares comuns também são detestáveis.
Ex.: Veio a ocorrer o
óbito. Diga claramente: morreu.
Genitora. Diga logo: mãe.
Há
expressões que formam um cacófato. Não vá escrever numa carta, por exemplo,
minha cara
Bina. Ou ainda: Foi rateado o prejuízo
por cada um dos presentes.
Fica melhor assim: Querida Bina. — O prejuízo foi rateado por todos os
presentes.
—
Evite o uso de palavras estrangeiras.
Com
frequência ouvimos falar record mundial, quando o correto é recorde mundial. Usa-se a palavra em inglês
erradamente, acentuando a primeira sílaba: está errado.
Linguagem
literária
No
texto literário, ou seja, romances, contos etc., o escritor não se atém a regras
ou recomendações da boa escrita, com exceção da gramática, é claro. Entretanto
não há necessidade de ter um começo, um meio e um fim, nessa ordem. Muitas vezes, mesmo pela necessidade
de uma trama, o romance começa pelo fim, passando pelo começo, voltando para o
meio, e em seguida indo para o fim novamente.
Textos
literários são contos, romances, histórias de ficção, novelas etc. Mais adiante
daremos um exemplo de um conto.
Linguagem
não literária
Nos
textos não literários já há a necessidade de se seguir as regras. Não se
justifica escrever uma carta, um memorando, um ofício ou outro documento desse
tipo sem que se siga as regras de redação. Também daremos mais adiante alguns
exemplos.
Linguagem
contábil
Nessa,
já há até a necessidade de se errar
propositadamente, para dar clareza ao assunto. Vamos dar alguns
exemplos.
A
palavra três, em cheques, escreve-se treis: Treis mil reais.
O
artifício se apega ao fato de que, escrevendo-se três, pode-se alterar para treze, dando assim
margem a uma fraude.
A
palavra um, também em cheques, se escreve hum — um pode ser
adulterado para cem, com facilidade,
principalmente quando escrito no começo da frase. Ex. Hum mil reais..
Dez,
pode ser alterado para dezenove, dezesseis,
dezessete etc.; por isso, ao se preencher o valor por extenso em um
cheque escreve-se déis.
Tipos
de redação
Conforme
foi relacionado no início deste capítulo, vamos agora estudar os vários tipos de
redação.
Artigo
É um
escrito de um jornal ou revista, em que o autor aborda assuntos de momento ou
datas históricas. Deve ser assinado pelo autor. Artigo de fundo é como se chama o artigo escrito pelo
redator chefe e que geralmente vem impresso na primeira página.
Exemplo:
PROFESSOR: PARA QUÊ?
Nivaldo Rocha
À entrada
do terceiro milênio surgem os
questionamentos em todas as áreas.
Graham Bell nem
sonharia que haveria comunicação por telefone via satélite, nem Thomas Edison
poderia imaginar que a humanidade ficaria refém da
eletricidade.
E, chegada
a era dos computadores, quem poderia prever que em poucas décadas haveríamos de
conseguir tamanho progresso na informática? O computador hoje controla
praticamente todas as nossas atividades, desde a indústria, comércio,
comunicações até a agricultura. E o que se dizer, então, da
Educação?
A
Televisão possibilitou um processo de educação em massa. Pode-se hoje adquirir
um diploma por intermédio de telecursos. Pela Internet, via satélite, podemos
nos comunicar com museus, órgãos governamentais como IBGE, por exemplo, que pode
nos fornecer quaisquer dados geográficos ou estatísticos, bolsas de valores etc.
e com instituições internacionais inimagináveis.
Isto
posto, surge então a questão: Onde é que entra o professor nisso tudo? Como é
que fica a profissão "Professor" diante de tanto avanço tecnológico e cultural
dos últimos anos?
Antes de
mais nada é preciso se dizer que os telecursos são organizados e orientados por
PROFESSORES! Os dados que acessamos pela Internet são fornecidos por PROFESSORES
e técnicos!
Mesmo que
os alunos não vejam hoje o professor com o respeito que lhe é devido, como o era
há algumas décadas, o mestre é quem orienta o aluno em sua vida futura. É ele
que lhe mostra como estudar os assuntos que lhe interessam e o influencia na
futura profissão. O autodidata pode chegar ao conhecimento que pretende
adquirir, entretanto, com o auxílio e orientação do professor ele pode chegar ao
fim desejado com mais rapidez e facilidade.
O
advogado, o jornalista de hoje, sempre se lembrará do professor de Português que
o influenciou ontem, assim como o engenheiro, o arquiteto, terá sempre na
lembrança o professor de matemática que o inspirou na escolha da
profissão.
DISCIPLINA
A
disciplina dentro da sala de aula vem sendo a cada dia mais difícil de se
manter, isto por causa da falta de respeito dos
alunos.
Não se
quer dizer aqui que todos os alunos são mal educados, mas, a falta de respeito
referida acima vem de casa. As crianças e os jovens sentem uma falta de pulso
dentro de casa: os pais, muitas vezes ausentes, deixam a educação dos filhos aos
educadores profissionais, que são os professores.
Essa é a
dificuldade que os professores enfrentam no seu dia a dia com os alunos: não são
respeitados pela maioria dos alunos, e assim sendo torna-se mais difícil manter
a disciplina e, por conseguinte, ensinar se torna também mais
difícil.
A tática
que os professores têm aplicado para manter os alunos interessados pelas aulas é
a psicologia: motivação é a arma. Todas as aulas têm que ser motivadas para que
os alunos prestem atenção ao assunto em pauta. A simpatia do professor também
conta.
Entretanto, a maneira mais eficaz de se manter o aluno disciplinado é o
medo: medo do castigo.
Em outros
tempos a escola aplicava corretivos que iam desde a advertência até a suspensão
e expulsão. Não creio que isso ainda tenha grande
eficácia.
Mas, uma
sugestão, que me foi dada por um amigo, é a aplicação de multa. Ao aluno
indisciplinado aplicar-se-ia uma multa. A multa pesa no bolso! Como é o pai dele
que vai pagar, é claro que esse aluno voltaria de casa com mais vontade de
estudar!...
EM QUE
MEDIDA SE PODE AFIRMAR QUE A FUNÇÃO DA ESCOLA É TRANSMITIR A HERANÇA
CULTURAL?
Antes de
entrar no tema sugerido é necessário definir o que é cultura. Cultura é a soma
de todos os conhecimentos que o homem adquiriu através dos tempos. Tudo que foi
acrescentado pelo homem, desde que foi criado, é cultura, seja boa ou
má.
Se a
mãe ensina a filha a fazer tricô, ela está transmitindo um conhecimento que ela
adquiriu anteriormente, assim como o sapateiro aprendeu sua profissão por
intermédio de alguém; ao que ele aprendeu, ele acrescenta algo que ele mesmo
cria. Todos nós acrescentamos algum conhecimento ao mundo. Essa herança cultural
nós tanto recebemos como transmitimos.
Dentro
dessa definição ampla um homem culto é aquele que acumula o maior número de
conhecimentos que nossos antepassados deixaram. Isso se adquire muito pouco na
Escola e muito através da leitura e com a vivência em
sociedade.
Assim
sendo, não podemos afirmar que a função da Escola é transmitir a nossa herança
cultural. O máximo que a Escola pode fazer é transmitir conhecimentos
específicos, que são identificados pelas disciplinas curriculares: Línguas,
Matemática, Geografia, História, Física, Química etc.
Ata
Ata é
o registro oficial de uma reunião, de uma assembleia, seja ela ordinária ou
extraordinária. Nela se registra todos os assuntos debatidos numa reunião, por
menores que sejam a importância dos fatos.
Hoje
em dia costuma-se registrar as reuniões com gravações em fita ou até em vídeo.
Nem por isso a ata fica dispensada, e deve ser redigida pelo secretário ou
secretária e assinada pelo presidente, ou síndico, ou diretor que conduziu a
reunião, com duas testemunhas, além da assinatura do
secretário.
Numa
ata, todos os números, com exceção dos itens,
devem ser escritos por extenso. Além disso não se admite rasuras e não pode ter
parágrafos, afim de não dar margem a acréscimos posteriores. A ata é
registrada em livro próprio, que
também só deve deixar espaço de uma para outra para o carimbo do
cartório.
Exemplo:
Ata
da reunião extraordinária do Condomínio Alfa Beta, localizado à Avenida Dezenove
de Dezembro, seiscentos e dois, na cidade de Uberlândia, Estado de Minas Gerais,
realizada no dia vinte e três de fevereiro de mil novecentos e noventa e oito,
iniciando-se às vinte e uma horas e seis minutos. A reunião havia sido convocada
por edital para início às vinte horas e trinta minutos, com o quórum de
cinquenta por cento dos condôminos, ou às vinte e uma horas, com qualquer
número. Os assuntos para que foram convocados a debater foram os seguintes: 1 —
Colocação de um tapete debaixo de onde fica a cadeira do porteiro noturno, com o
fim de evitar friagens desnecessárias. 2 — Proibir que alguns condôminos joguem
lixo pelas janelas, sujando o pátio. 3 — Valor das mensalidades. 4 — Construção
de um local para as crianças brincarem. Depois de debatidos os assuntos, ficou
decidido o seguinte: Item 1 — A maioria aprovou o conteúdo desse item. Item 2 —
Depois de algumas discussões entre os presentes, foram identificados os
condôminos de cujas janelas são jogados o lixo. O síndico vai entrar em contato
com eles por escrito. Item 3 — Ficou decidido um aumento de doze por cento nas
mensalidades. Item 4 — Devido a conjuntura econômica, este último item ficou
para ser debatido em reuniões posteriores. Eu, João de Oliveira, redigi e
conferi esta ata, que foi aprovada e assinada pelo síndico, sr. Orlando de
Freitas, tendo como testemunhas os senhores Joel de Andrade e Carlos Frias,
presentes à reunião.
Bilhete
ou recado
É
parecido com o memorando, que veremos adiante, só que não é convencional. Poupa
tempo e traz resultados imediatos.
Num
recado, deve-se informar a pessoa com quem quer se comunicar o que queremos dela
em palavras claras e concisas.
Exemplo:
—
Frederico, reúna-se comigo em minha sala às 14 horas de hoje para tratarmos do
assunto “Política atual”. Estarão presentes, além de você: João Carlos, Alfredo,
Jorge, Antonio José e eu. Assinado.
Gabriel. 12-02-98.
Podemos
incluir neste item o termo “passar email”. Passar um “email” não é
necessariamente passar um telegrama. Passe o seu recado dando instruções ao
destinatário, de modo que ele já venha a lhe telefonar com todas as informações
que você quer.
Exemplo:
Geraldo, telefone-me logo mais, para me informar o número do telefone da Joana
Fontes. Preciso me comunicar com ela a respeito do concurso que ela vai prestar.
Não é urgente. Melo. Telefone 2222-2222.
Como
se percebe, num recado você diz tudo que precisa, como numa carta, só que
reduzidamente.
Carta
pessoal
Carta
pessoal, obviamente, é uma carta que você escreve a uma pessoa que você conhece.
Atualmente,
com as comunicações em alta, a carta pessoal está caindo em desuso. Usa-se mais
o telefone, fax ou a Internet, mas mesmo assim ainda se escreve muitas
cartas.
A
carta pessoal, deve abordar os assuntos que você quer comunicar ao destinatário,
dependendo do grau de intimidade que você tem com ele. Dispensa cabeçalhos, mas
por uma questão de educação, de etiqueta, deve ser sempre escrita à mão.
Exemplo:
São
Paulo, 28 de abril de 1997
Meu
caro Joaquim
Gostei
muito de contar com sua presença na festa de casamento de minha filha, em março.
Por uma questão de deveres, não me foi possível lhe dar a atenção que gostaria,
por isso escrevo-lhe esta.
Só
quero lhe agradecer muitíssimo, pois sei que você é muito atarefado e mora muito
distante desta capital.
Ainda
sinto muita falta de nossas longas conversas, que espero algum dia poder reatar,
embora não julgue fácil.
Bem,
amigo, estou aqui à sua disposição para quando estiver em São Paulo.
Visite-me.
Um grande abraço
Ricardo
Carta
comercial
Essa
já deve ser mais solene, pois você está se dirigindo a uma empresa que pode ser
constituída por uma só pessoa ou por vários sócios.
Na
carta comercial, a data deve ser colocada no alto, ao lado direito. Em seguida
os dados do destinatário, à esquerda: nome da empresa, endereço, bairro, cidade,
estado e código postal. Depois disso, uma breve introdução, aborda-se o assunto
ou assuntos a serem tratados. Por fim o encerramento.
Exemplo:
Rio
de Janeiro, 31 de maio de 1998
A
José
Witacher & Cia. Ltda.
Rua
das Flores, 871 — Sapopemba
SÃO
PAULO — Capital
Cep.
0000-000
Prezados
senhores
Recebemos
sua carta de 23 do mês passado, cujo conteúdo tomamos conhecimento e
agradecemos.
Entretanto,
informamos que não podemos atender seu pedido de 200 caixas de vinho alemão da
marca solicitada, em virtude de a importação estar
suspensa.
Voltaremos
a nos comunicar com essa firma assim que os órgãos governamentais liberarem
novamente a compra dos produtos referidos.
Sendo
o quanto se nos apresenta, queiram aceitar nossas
escusas.
Atenciosamente
___________________________
Importação e Comércio Janela S.A.
Conto
É uma
obra literária em que o escritor apresenta uma história curta de ficção, onde os
personagens são imaginários. Tem também começo, meio e fim, porém nem sempre
nessa ordem. Um conto, como um romance, pode começar pelo fim, para que o
escritor possa apresentar sua história de maneira sugestiva. Um dos mestres do
conto, no Brasil, foi Machado de Assis, que também escreveu crônicas para um
jornal da época. Mais atual, notável, é Dalton
Trevisan.
Quase
todos os contistas foram influenciados por Guy de Maupassant, francês, Balzac,
também francês e William Somerset Maugham, inglês. Outros que também se
notabilizaram escrevendo contos foram Oscar Wilde, Miguel de Cervantes,
Dostoievski, Júlio Diniz e outros.
Quando
um conto é um pouco mais longo, pode ser chamado de
novela.
Exemplo:
Nivaldo Rocha
—
Nets, — disse Yura — nós não temos nada para dar de presente aos nossos filhos,
no dia de Ja!
— É
mesmo! — disse Nets, entristecido.
Pensou
muito no assunto, e não conseguiu, de imediato uma solução para o
problema.
— É
incrível que nós, seres superiores, depois de termos alcançado o máximo
progresso físico e mental, estamos sem condições de presentear nossos filhos
nesse dia.
O dia
de Ja era a festa maior da humanidade: comemorava-se o dia da criação. A festa
se daria dali a alguns dias.
Era
realmente incrível, ele tinha razão: haviam alcançado uma perfeição física e
mental difícil de se imaginar. Podiam viajar por todas as galáxias, sem
necessidade de veículo de qualquer espécie. Apenas usavam a força mental! A onda
F os levava a qualquer lugar. Tempo e espaço já estavam sob controle. Tanto
podiam viajar através das galáxias, como através dos
tempos.
Mas,
Nets reconhecia, todo esse avanço não trouxe a felicidade esperada. Os homens
eram alimentados de tal maneira, que alcançavam estaturas inacreditáveis. Uma
criança de apenas dez anos, por exemplo chegava a atingir de três a quatro
metros de altura. O problema era alimentar a
população!
O
drama dos governantes era esse: podiam viajar para onde quisessem, mas, como
trazer alimentos? A capacidade de produção do planeta Germinal já estava
totalmente esgotada. Não havia mais como alimentar tanta gente. Programas de
controle da natalidade foram postos em execução, mas tiveram resultados
insignificantes.
Não
se sabe quando isso aconteceu, se há milhares de anos, daqui a milhões de anos
ou daqui a cem! Afinal, nesse tempo não havia barreira de tempo nem
espaço
—
Yura — disse Nets — eu sou um cientista, e tenho que resolver esse problema. Eu
vou inventar e produzir uns bonecos para nossos
filhos!
—
Mas, tem que ser algo especial — disse a mulher!
— E
serão. Eles serão idênticos a nós, em tamanho menor.
Foi
para o laboratório. Pensou, estudou, fez cálculos, fez experiências e chegou a
uma conclusão: os bonecos que criaria seriam iguais a eles, homens, mas em
tamanho bem menor. Claro! A sua alimentação seria muito fácil. Com pouca verdura
e carne eles se satisfariam.
Ele
conseguiu o pequeno homem, em tudo igual a eles (em tamanho reduzido). Só não
conseguiu criar um cérebro igual ao deles, apenas parecido. Bem, pensou Nets,
eles poderão progredir por conta própria, pois já têm tudo que nós
temos.
Assim
foi criado o homem, de mais ou menos um metro e cinquenta de
estatura.
Deu
de presente um casal ao filho, e um casal à filha.
Foi
um grande dia. Os filhos adoraram os bonecos. Não falavam ainda, mas o pai
afiançou-lhes que, com o convívio, eles aprenderiam.
Nid,
o filho, ficou muito feliz com o presente: podia agora comandar um casal de
pessoas, que fariam o que ele quisesse.
Os
bonecos criados por Nets eram perfeitos, e foram admirados por todos os povos do
planeta Germinal. Dentro de pouco tempo outros cientistas também criaram seus
bonecos: brancos, amarelos, pretos, louros, morenos, tudo de acordo com a
imaginação de cada um.
Nets
tinha criado o impossível: seres iguais a ele, de tamanho menor, e que poderiam
habitar inúmeros planetas, consumindo um mínimo de alimentos. Eram dotados de
sistema de procriação também.
Foi
assim que os homens foram criados! E esses homens ficaram sob o comando das
crianças do planeta Germinal!...
Esta
história estava sendo contada por um homem, que conversava animadamente com um
amigo. O nome deles: Josué e Isaías
— Por
que você está me contando essa história estranha? — perguntou
Josué.
—
Bem, — disse Isaías — é uma teoria sobre a criação do universo tão boa como a
teoria de Darwin ou a história contada na Bíblia.
—
Mas, o estranho é que você contou uma história tão esquisita! Você acha mesmo
que isso aconteceu? — perguntou Edgar.
—
Acho, por que não?
— E,
quem contou isso a você?
—
Bem, ninguém me contou nada. Eu apenas imagino que tenha sido assim. Nós temos
visto coisas inexplicáveis. Por exemplo: discos voadores aparecem e desaparecem
sem deixar vestígios. Os entes que comandam essas naves não se dão a conhecer.
Não se comunicam conosco. Por que você acha que é
assim?
— Por
medo? — arriscou Josué.
—
Ora, medo de que? De uns pobres diabos como nós?
Isaías,
pensou mais um pouco, depois disse:
— Não
é medo não. Nada disso! Eles nos desprezam. Só não se apresentam porque são
muito superiores a nós. E também têm vergonha...
—
Vergonha?
—
Isso mesmo! Eles têm vergonha e remorso, porque criaram os homens e deram para
suas crianças brincarem!
—
Crianças?
—
Claro! Então você não percebe? Você não se dá conta do que está acontecendo
neste nosso planeta? Tudo está muito confuso. Governantes loucos e corruptos,
guerras, atentados acontecendo em toda a parte! É. Eu acho que nós somos
brinquedos de crianças... * © *
Crônica
Crônica
é um artigo para jornal ou revista, assinado, onde o autor dá a sua opinião a
respeito de determinado assunto de momento. Pode ser também um pequeno conto. A
crônica é muito pessoal e revela de que lado está o autor sobre o assunto
ventilado.
Exemplo:
PARA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER
Leio
em alguns jornais e também a televisão explora o tema até a exaustão: é a
respeito da obrigatoriedade do uso do cinto de segurança. Já havia uma lei
regulamentando o uso do citado apetrecho nas estradas. Agora, um destacado
prefeito, por intermédio de uma simples portaria, resolveu aplicar essa
obrigatoriedade também para a cidade de São Paulo. Como efeito cascata, outros
prefeitos acharam por bem imitar o Prefeito de São
Paulo.
Não
pretendo aqui questionar o cabimento legal dessas portarias. Alguns juristas as
julgaram inconstitucionais: vão de encontro a direitos individuais e a outros
direitos do cidadão. É mais uma obrigação para o motorista e para os passageiros
dos veículos, e assim, os poderes constituídos avançam mais um pouco sobre os
direitos do homem.
Muitas
pessoas são a favor, as pesquisas mostraram. Só o que os pesquisadores não
mostraram é que a maioria das pessoas que responderam a essas pesquisas são
pedestres que nunca tiveram um automóvel.
Será
que o cinto de segurança é bom mesmo para evitar acidentes, ou pelo menos para
salvar vidas? E se isso é verdade, será que o acidentado prefere ficar
paraplégico a morrer? E o governo está mesmo interessado em salvar vidas ou será
que há algum interesse por traz disso? Se não é assim, por que razão os ônibus
de passageiros não têm cintos de segurança, nem mesmo para o motorista? Será que
os usuários de transportes coletivos não merecem essa propalada segurança?
Falando
em interesses, há alguns dias vi uma entrevista em vídeo do saudoso cronista
Ibrahim Sued, na qual ele abordou o tema das famigeradas plaquetas, que
éramos obrigados a trocar em nossos carros todos os anos. Graças aos constantes
ataques jornalísticos do referido jornalista, essa obrigação absurda deixou de
existir.
Depois
de tudo, quer dizer, depois que as plaquetas foram abolidas, posso revelar o
porquê daquela obrigação: as plaquetas eram fornecidas por uma pequena indústria
de São Paulo, e somente por ela, indústria esta que ocupava o enorme
espaço de cinco por sete metros. Mais parecia uma oficina. Essa indústria
pertencia ao cunhado de um ministro da época, ou melhor dizendo, à irmã do
ministro!
Pouco
depois de ter baixado a portaria em questão, o mesmo prefeito baixa outra
porcaria, quero dizer, portaria: agora quem fumar nos restaurantes paga multa. E
o proprietário do restaurante também paga. Bonito. Gostei. Tomara que o sábio
prefeito tome outras medidas que venham a influenciar outros sábios governadores
e prefeitos.
Quer
dizer então, que agora os não fumantes, que são maioria, vão ficar livres da
poluição que os horrorosos fumantes lançam nos ambientes; não vão mais ser
fumantes passivos! Bem feito para os fumantes. Aviso a eles: não veja mais
televisão para não ficar com vontade de fumar. Não assista àqueles belos
anúncios de Marlboro, Hollywood, Free e outras delícias
mais.
E
aviso aos não fumantes que estão aplaudindo essa portaria: Não deixem que seus
filhos assistam à televisão, porque eles serão futuros
fumantes.
Tenho
ainda uma ideia melhor: Que tal se fechássemos as emissoras de televisão? Ou
ainda fecharmos as indústrias de tabaco? Pensando melhor, é melhor não. Como
sempre repete o comentarista Joelmir Betting, não se pode matar a vaca para
acabar com o carrapato. É ou não é?
Sugiro
que o querido prefeito faça outras proibições. Por
exemplo:
“Fica
proibido o tráfego de automóveis, ônibus e caminhões dentro da cidade”. Isso
para garantir os direitos da maioria da população, que são os pedestres, e para
esvaziar os hospitais e ambulatórios médicos da população atacada de bronquite e
asma. Não seria uma enorme economia para o governo, heim? Ou ainda, mais
interessante ainda: os veículos já poderiam sair multados da fábrica. Para
comprar um carro o usuário já levaria uma pesada multa na
carcunda.
Outra
boa sugestão: “Fica proibido entrar em restaurantes, teatros e cinemas com
telefone celular, esse castigo dos tempos modernos. O leitor gostou dessa? Não é
chato mesmo estar assistindo a uma bela peça num teatro, ou estar assistindo a
um bom filme no cinema e ouvir aquele barulhinho irritante do celular do vizinho
do lado? E o pior é que ele atende o telefone em voz alta, que é para mostrar a
todo o mundo que ele é o feliz proprietário de um celular. Não é uma
gracinha?
Já
que estou inspirado, vou dar mais uma sugestão: “Fica proibida a entrada de
crianças em restaurantes”. Essa já é um pouco arbitrária demais não é? Mas essa
já é mais branda: “É vedado às crianças correrem pelas dependências dos
restaurantes, gritando paiê, manhê, vó, vô”. Acho que esta última já mais
aceitável.
Os
prezados leitores podem pensar que eu estou irritado com essas proibições. Que
nada! Aprendi a conviver com tudo. Afinal, quem mandou nascer? Como já dizia o
famoso filósofo Vicente Matheus, quem sai na chuva é pra se queimar, é ou
não é? E para o mundo que eu quero descer!
Obs.:
O título desta crônica foi inspirado numa música do cantor e compositor Sílvio
Brito.
Edital
Edital
é um convite ou uma convocação. Deve ser feita por intermédio dos jornais mais
lidos ou por carta enviada aos interessados. Essa carta, como uma intimação, tem
que ter comprovante de recebimento. Deve ser ainda colocado em locais públicos.
O edital tem força de Lei. Uma vez publicado é considerado lido pelos
interessados.
Exemplo:
A
prefeitura de São Paulo convoca os devedores em atraso com o IPTU a comparecerem
à repartição competente dentro do prazo de 30 dias para negociação de seus
débitos. Depois desse prazo serão considerados devedores relapsos e seus débitos
serão cobrados via judicial.
São Paulo, 22 de janeiro de 1998
______________________
diretor da dívida ativa
Editorial
É o
artigo de fundo publicado por um jornal, escrito pelo redator chefe ou pelo
diretor de um jornal. Tem valor como opinião do
jornal, sobre o qual recai quaisquer ações judiciais
cabíveis.
Eventualmente
também pode exprimir a opinião de um canal de televisão ou de uma estação de
rádio.
Não
há necessidade de se dar um exemplo. Diariamente se lê em todos os jornais um
editorial, onde o autor (em nome do jornal) critica ou louva o governo ou
qualquer atitude deste.
Memorando
É
usado em empresas comerciais ou na administração pública, para comunicações
internas entre os diversos departamentos ou seções, ou ainda entre chefes e
subordinados, para notificar informações rotineiras. O memorando contém um
número que identifica a quantidade de memorandos expedidos, seguido de barra e
ano. Ex.: Memorando 134/97. Essa informação deve constar à esquerda, tendo a
seguir a data, por extenso ou abreviada na mesma linha, porém à direita:
14/08/97 ou São Paulo, 14 de agosto de 1997.
Depois:
Remetente:
na margem esquerda.
Destinatário:
na margem esquerda, abaixo do remetente.
Assunto:
na margem esquerda, abaixo do destinatário, o assunto sobre o qual se está
tratando.
Texto:
claro e resumido.
Fecho:
breve, à direita
Assinatura:
com identificação, na margem inferior, à direita.
Exemplo:
Curitiba,
14/08/97
Memorando
134/97
Do:
Diretor comercial
Ao:
Chefe dos transportes
Assunto:
Otimização dos transportes
Levamos
ao seu conhecimento que convocamos a diretoria para ouvir seus esclarecimentos a
respeito do assunto em pauta para a próxima segunda feira às oito e meia da
manhã.
atenciosamente
______________________
Carlos Monteiro
dir. Comercial
Ofício
Ofício
é uma carta utilizada entre os órgãos oficiais para correspondência interna ou
externa. Deve ser escrito em papel timbrado do órgão oficial. O ofício é muito
parecido ao memorando, só diferindo deste pela colocação do nome e cargo do
destinatário, que são colocados ao pé da página, à esquerda, depois da
assinatura do remetente.
Exemplo:
(TIMBRE
DO ÓRGÃO REMETENTE — BATALHÃO DE CONTROLE
ESPACIAL)
Curitiba, 13 de julho de 1998
Senhor
Capitão chefe do almoxarifado
Lembramos
a esse órgão que deverá estar preparado para, dentro de três meses, estarmos
alojando 300 recrutas que estão sendo convocados.
Devemos
estar preparados para fornecer a esses recrutas uniformes e todos os anexos
necessários para os treinamentos.
Grato
_________________________
Cel Juarez Chinaglia
comandante
Cap
Ernesto Benevides
Chefe
do almoxarifado
Relatório
Relatório
é o relato de uma ocorrência ou de uma experiência. Pode ser também um relato
rotineiro exigido pelas administrações de empresas, ou quaisquer outros órgãos,
de seus subordinados.
O
relatório deve ser imparcial, preciso, objetivo e claro, pois deverá servir de
fonte de informação aos superiores.
Deve
ser redigido em partes: introdução, texto (dividido em itens, se for
necessário), fecho, local e data, assinatura e, se houver,
anexos.
Exemplo
de relatório de vendas de um vendedor para seu chefe:
—
Relatório mensal de vendas.
Minha
quota mensal de vendas deixou de ser coberta no último mês de fevereiro, pelas
razões que enumero abaixo:
1 — O
mês de fevereiro, em minha região, sempre foi fraco de
vendas.
2 — O
fato de os agricultores da região não terem ainda comercializado a última safra
de trigo, colhida em setembro do ano passado.
3 —
Dado que dependemos diretamente da agricultura (soja e trigo), devemos aguardar
melhores preços internacionais, quando faremos melhores negócios. Isso deve
ocorrer a partir de maio.
Atenciosamente
Foz
do Iguaçu, 10 de junho de 1997
________________________
Aníbal Silvestre
Anexo:
recorte de jornal da cidade contendo informações a
respeito.
Telegrama
Quando
este autor ainda cursava o segundo grau em um colégio noturno, um professor de
Português cobrou dos alunos, numa prova, como redação, o seguinte: Passar um
telegrama de congratulações, pelo aniversário, a um parente
distante.
Todos
os alunos tiraram notas baixíssimas, menos um, que era funcionário dos Correios.
O telegrama dele foi o seguinte:
Joel
— Avenida Laranjeiras 51 — Caicó — Ce
Primo
Joel grande abraço seu aniversário pt Nicanor pt
Como
se vê, ele disse tudo em espaço reduzido, a um custo baixo, pois o telegrama é
cobrado pelo número de palavras.
Obs.:
Não se pontua o texto de um telegrama. O ponto deve ser substituído por pt e a vírgula por
vg.
CAPÍTULO
XIV
PONTUAÇÃO
Para
que se faça uma boa redação, é preciso que se conheça bem o uso da
pontuação.
O uso
da vírgula dentro da oração foi estudado em um capítulo anterior, mas aqui vamos
estudar todos os sinais de pontuação.
Ponto
final
( . )
— É usado em fim de frase ou fim de período.
Ex.:
Passe-me a manteiga.
Serve
também para abreviações: ex., obs., etc.
Dois
pontos ( :
) — Usa-se nos seguintes casos:
—
fazendo citações ou para marcar um monólogo. Ex.: Ela disse: “Não quero
conversa”.
—
enumerando ou separando itens. Ex.: São encontrados no lixo:
1 —
latas vazias
2 —
garrafas
3 —
jornais etc.
Ponto
e vírgula ( ;
) — Serve para separar elementos coordenados muito extensos. Substitui, neste
caso, a vírgula, quando o período é muito extenso.
Ex.:
Quando ele voltou da viagem estava muito cansado; mesmo assim ainda foi
trabalhar.
Ponto
de interrogação ( ?
) — No final das frases interrogativas.
Ex.:
O que você achou disso?
Ponto
de exclamação ( !
) — No final das frases exclamativas.
Ex.:
Que surpresa!
Reticências ( …
) — No final de frases, indicando interrupção de pensamento, e dando a entender
que haveria mais a dizer.
Ex.:
Eu acho que ainda era cedo para ela se casar, é difícil dizer…
Aspas
( “ “
) — Nos seguintes casos:
—
para se citar palavras estrangeiras ou gírias.
Ex.:
Era hora do “rush”.
Vou lhe
dar uma “dica”.
—
quando a citação não é de autoria de quem escreve.
Ex.:
“Quem com ferro fere com ferro será
ferido”.
—
quando se quer depreciar ou brincar com uma citação.
Ex.:
Aquele cachorro era uma “simpatia”. De dia latia
para o sol, de noite latia para a lua.
Obs.:
Atualmente, com o advento do computador, as citações que deveriam ficar entre
aspas podem ser escritas com letras diferenciadas.
Ex.:
Aquele cachorro era uma simpatia.
Travessão
( — ) — Serve para indicar início de fala
entre interlocutores nos diálogos, para dar ênfase a um termo ou ainda para
explicar quem está falando.
Ex.:
— Quem
falou isso? — perguntou a professora
irritada.
Ex.:
—
As
coisas boas da vida — felicidade, por exemplo
— são conquistadas.
Hífen
( - )
—
Serve para unir o verbo a seu pronome.
Ex.:
Passe-me o pão. Encontramo-nos no cinema.
—
Serve para unir palavras compostas.
Ex.:
Vice-reitor.
—
Serve também para separar sílabas no final da linha.
Asterisco ( *
) — Serve para chamar a atenção de que haverá uma explicação posterior, no fim
da página. Indica que há algo mais a dizer sobre o
assunto.
Ex.:
Quando Judas* entrou no
deserto…
*
Estamos falando de Judas, irmão de Tiago, e não do
Iscariotes.
Ponto
parágrafo ( .
) — Só difere do ponto final porque exige que se deixe o resto da linha em
branco e recomece o novo período deixando uma margem à
esquerda.
Apóstrofo ( ‘
) — Sinal gráfico que serve para indicar supressão de letra, numa contração, por
exemplo.
Ex.:
d’água, ‘tá.
Vírgula
(
, ) — Usa-se a vírgula:
—
para separar palavras da mesma classe gramatical.
Ex.:
O mercado estava bem sortido: tinha frutas,
verduras, cereais de todos os
tipos.
—
para isolar o vocativo.
Ex.:
Vamos, ó
Jesus, atenda minhas
preces.
—
para isolar o aposto.
Ex.:
Jack, o
estripador, fez setecentas
vítimas.
— em
datas.
Ex.:
Fortaleza, 28 de fevereiro de
1999.
— em
adjuntos adverbiais fora de colocação.
Ex.:
À noite, ele não consegue dormir. (A ordem
direta seria: Ele não consegue dormir à noite).
—
quando o verbo estiver suprimido.
Ex.:
O mestre vende ideias; o mágico, ilusões. (O verbo vender está
oculto).
—
separando orações, substituindo a conjunção e.
Ex.:
Joguei fora os sapatos, tomei-lhe a mão, entramos na
água.
—
isolando expressões explicativas.
Ex.:
Ela não era, como se
diz, nenhuma
Vênus.
Tenho dito
o que penso, isto
é, sempre que
posso.
CAPÍTULO
XV
VÍCIOS
DE LINGUAGEM
São
desvios das normas linguísticas.
1
— Barbarismo
São
desvios da norma, causados por desconhecimento ou, às vezes, por
descuido.
— da
grafia: beneficiente em
vez de beneficente.
— da
pronúncia: rúbrica (com
acento) em vez de rubrica.
— da
morfologia: interviu em vez de interveio.
— da
semântica (do sentido das palavras): desapercebido em vez de despercebido.
—
galicismo (do francês): abat-jour em vez de
abajur.
Mise-en-scène em vez de encenação.
—
anglicismo (do inglês): know-how em vez
de conhecimento.
Week-end
em vez de fim de
semana.
2
— Arcaísmo
É o
emprego de palavras arcaicas, antigas, que já caíram em
desuso.
—
antanho em vez de no passado.
Asinha em vez de depressa.
3
— Neologismo
Emprego
de palavras novas que ainda não foram incorporadas ao
sistema.
Ex.:
O documento já foi xerocado.
4
— Solecismo
São
erros de sintaxe:
— de
concordância: Houveram muitas faltas (em vez
de houve).
A gente fomos (em vez de a gente
foi).
— de
regência: A proposta implica em muitas despesas.
O
verbo implicar, no sentido de causar, acarretar, é transitivo direto. O certo é:
A proposta implica muitas despesas.
— de
colocação: Não tratava-se disso.
Obs.:
A partícula não atrai o pronome. O certo é:
Não se tratava disso.
Outro
exemplo:
A
compraria, se
tivesse dinheiro.
Não
se começa oração com pronome oblíquo. O certo é:
Comprá-la-ia, se
tivesse dinheiro.
5
— Anfibologia ou ambiguidade
Falha
da fala ou da escrita em que a frase admite mais de uma
interpretação.
Ex.:
Jogador e juiz se pegaram aos tapas por causa da sua conduta. (conduta de
quem?)
6
— Obscuridade
Frase
difícil de se entender por defeito de construção.
Ex.:
A casa estava cheia de baratas por causa do veneno que ela
comprou.
7
— Cacófato
É a
combinação de palavras que resulta dissonante.
Ex.:
Os jogadores receberam um prêmio por cada
um.
8
— Eco
Dissonância
produzida pela ocorrência de rima. Isso só pode ocorrer na
poesia.
Ex.:
A escada estava lavada em cada degrau da
entrada.
9
— Hiato
Efeito
dissonante produzido por uma sequência ininterrupta de
vogais.
Ex.:
Quer dizer que você coloca a coisa assim: ou eu o
ouço, ou sou despedido?
10
— Colisão
Dissonância
produzida pela ocorrência de consoantes iguais ou
semelhantes.
Ex.:
Tia Telma teve tifo três vezes.
11
— Pleonasmo
Repetição
desnecessária de uma informação.
Ex.:
O filme pornográfico só continha pornografia.
CAPÍTULO
XVI
DÚVIDAS,
CORREÇÕES E ESCLARECIMENTOS
Quando
se vai redigir alguma coisa, ou quando se fala, comete-se erros que, se
estudarmos um pouco, deixaremos de cometer. Quando você for escrever, tenha por
hábito consultar um dicionário sempre que tiver
dúvidas.
Comentaremos
aqui alguns erros comuns fáceis de se corrigir. Comecemos por erros de linguagem
e escrita.
ERRADO
CERTO
Pode
ponhar aí.
Pode pôr
aí.
Lâmpada
florescente Lâmpada fluorescente.
Duzentas
gramas
de presunto
Duzentos gramas de
presunto.
Degladiar Digladiar.
Bingo
beneficiente Bingo
beneficente.
Menas
vezes
Menos vezes
A
algum
tempo
Há algum
tempo.
Rúbrica
Rubrica.
Venda à prazo
Venda
a
prazo.
Para
mim
ver
Para eu
ver.
Pode
vim logo
Pode vir logo.
Interviu Interveio.
Paras-choques Parachoques.
Políticas-partidárias
Políticopartidárias.
Guardas-chuvas Guardachuvas.
Ovo
instalado Ovo
estrelado.
Ele
passou mau
Ele
passou mal.
Mau
encarado
Mal encarado.
Senão
estiver de acordo
Se
não estiver de acordo.
Porisso
mesmo
Por isso mesmo.
Há
apenas um se
não Há
apenas um senão.
Estou
afim de
vender
Estou a fim de
vender.
Pessoas
a fins Pessoas afins.
Aonde
estamos?
Onde estamos.
Haja visto Haja
vista.
Há
cerca
de
tudo
Acerca de
tudo.
Estava
à-toa na
vida
Estava à
toa na vida.
Vamos
tomar uma
champanhe?
Vamos tomar um
champanha?
O
rapaz ainda é de menor
O
rapaz é de menor idade.
O rapaz é menor de idade.
Chovia, de modos que
ficamos
Chovia, de modo que
ficamos.
Seja benvindo
Seja
bem-vindo.
Um mandato de segurança
Um mandado
de segurança.
É
proibido a venda de bebidas
É proibida a venda de bebidas.
De
que é que ele véve De
que é que ele vive.
Percas
e
danos
Perdas e danos.
Lucros
e percas Lucros
e perdas.
Eu
reprovei em
Português
Eu fui
reprovado em
Português.
Esclarecimentos
sobre os erros acima mencionados
—
Embora pareça estranho, ainda há muita gente que diz pode ponhar aí.
Não existe verbo ponhar. O
certo é pôr.
— Não
se engane. O certo é lâmpada fluorescente e não florescente.
—
Grama (peso) é palavra masculina. Existe grama,
palavra feminina, mas é aquela vegetação rasteira.
—
Quando se trata de benefício no sentido de ajuda, é beneficência.
Existe a palavra beneficiência, no sentido de aperfeiçoar um produto. Por
exemplo: beneficiência de arroz, que consiste em extrair a casca e
polir.
—
Menos, como mais, são advérbios, palavras invariáveis: não têm gênero ou número. Portanto diga-se: Este ano
viajei menos
vezes do que eu gostaria; nunca menas.
— O
emprego do a ou há pega muita gente desprevenida: a é uma preposição e há é a terceira pessoa do verbo haver. A regra é
simples: O a
preposição pode ser substituído por
para.
Quando se trata de tempo futuro ou distância emprega-se a preposição a. Ex.: Daqui a dez dias tenho que viajar. São Paulo fica a setecentos quilômetros.
Quando
se trata de tempo
decorrido, tempo passado, emprega-se
o há, do verbo
haver. Ex.: Isso ocorreu há muitos anos.
O há, neste caso,
pode ser substituído por faz.
OBS:
O verbo haver, no sentido de ter, ocorrer, só é
usado no singular: Havia muitas pessoas no
comício. Com a tempestade houve muitas
trovoadas.
Houveram
muitos aplausos, está errado!
—
Venda a prazo. Lembre-se de que o a não pode
levar crase antes de palavra masculina.
—
Diga: Empreste-me o livro para eu ler, e nunca: para mim
ler.
—
Infelizmente até atores de televisão empregam a palavra vim, ao invés do verbo vir. Não cometa
este erro.
— Os
dois paras-choques estavam com defeito. Errado. O certo é: Os
dois parachoques estavam com defeito. Numa palavra
composta, quando a primeira palavra é um verbo, não pode ser levada ao plural.
Assim também acontece com pararraios,
guardachuvas
etc.
— Só
há a expressão ovo estrelado. Ovo instalado ou estalado são expressões
inexistentes.
—
Mau —> é o antônimo (o contrário) de bom.
—
Mal —> é o antônimo de bem. Não se pode dizer mal gosto. O certo é mau gosto. Não se pode dizer também: João está mau de vida. O
certo: João está mal de
vida.
— Só
não irei ao jogo se não puder. — São palavras
separadas.
—
Irei ao jogo; só há um senão: tenho que ir a uma reunião antes. — Neste caso
senão é uma palavra só, um
substantivo.
—
Porisso: palavra que não existe: a expressão
certa é por isso.
—
Comprou rosas a fim de agradar a namorada. — São
palavras separadas, que querem dizer: com a
finalidade.
—
Marmelada, goiabada e pessegada são produtos afins. — neste caso afins significa produtos do mesmo
ramo; colegas de profissão; pessoas que se combinam.
— Onde —> usado quando o verbo indica permanência, estado. Ex.: Onde está
Miguel?
—
Aonde —>
usado quando o verbo indica movimento. Ex.: Eu
queria saber aonde
ele foi.
— Haja visto. É
expressão errada. O termo certo é haja vista, mesmo antes de palavra masculina. Ex.: Ele
não é muito competente, haja vista os erros que
ele comete.
—
Há cerca de (tempo decorrido). Ex.: Há cerca de seis meses eu já havia previsto que isso
iria acontecer.
—
Acerca de (a respeito de, sobre). Já discutimos
acerca de como se
comportar.
—
À toa = sem rumo. Ex. O mendigo andava à toa pelas
ruas.
—
À-toa = ordinário, desqualificado. Ex.: Nunca
conheci mulher mais à-toa.
—
Tolera-se o uso da palavra champanhe
(galicismo), porém é palavra masculina. Um
champanhe, é o certo, e nunca uma champanhe pois refere-se ao vinho do tipo champanhe. Mas a palavra em português
é champanha.
—
Mandado é uma ordem judicial: Mandado de segurança,
mandado de busca (deriva do verbo mandar).
—
Mandato é o tempo para o qual um político é
eleito para exercer sua função: O presidente foi eleito para um mandato de cinco anos.
— Em
avisos se vê com frequência erros como o citado: É
proibido
a venda de bebidas. Errado. O certo: É proibida a venda de
bebidas. Quando a oração tiver sujeito (a venda de bebidas), o verbo tem que
combinar em gênero e número com o sujeito. Quando o sujeito é indefinido (quando
depois de proibido vem um verbo), proibido fica no masculino: É proibido pisar na grama. É proibido proibir.
—
Agora, se a proibição é para várias coisas, dentre elas pelo menos uma no
masculino ou seguida de um verbo, então passa tudo para o masculino. Ex.:
São proibidos cantadas,
beijos e abraços.
—
Mais uma vez um erro incrível: Nós véve.
Pode acreditar que muita gente fala assim. O certo é nós vivemos.
—
Outro erro difícil de se acreditar é percas e
danos ou lucros e percas. Tenho visto
até advogados falando assim. O certo é perdas.
Não erre mais.
—
Erro muito comum entre os alunos, mesmo entre alunos da Universidade: Eu reprovei em
Português. O aluno não reprova nada. Quem reprova é o professor. O que pode
acontecer é de o aluno ser reprovado pelo professor.
— Não
existe a expressão ela é de menor. Ou se diz ela é de menor
idade, ou ela é menor de idade. Ou
simplesmente: Ela é
menor.
—
Ainda há algumas pessoas que falam de modos que.
Errado! A forma certa é de modo que.
Da mesma forma, são erradas as expressões
de maneiras que, de formas que. Essas
expressões são locuções invariáveis, não podem ir para o plural. Então, vamos
gravar as expressões certas: de modo que, de maneira que, de forma
que.
Outros
esclarecimentos
—
Por que —> termo usado em perguntas: Por que você
deixou de ir à festa?
—
Por que —> termo usado quando puder ser
substituído pela expressão por qual, pelo
qual (ou no plural): As
dificuldades por
que ele passou fez dele um homem calejado. (Por que, neste caso pode ser
substituído por pelas
quais).
— Por quê —> usado, como pergunta, no fim de uma frase:
Você não vai à festa por
quê?
—
Porque —> termo usado nas respostas: Não vou
porque não posso.
—
Porquê —>
termo usado como substantivo: Esse é o porquê da
questão.
—
Porquê —> termo usado como resposta no final
da frase: Ele deixou a namorada, mas eu sei porquê.
—
Abaixo de = menos elevado. Ex.: A garagem do
prédio fica abaixo do
térreo.
—
Abaixo = interjeição que quer dizer reprovar,
discordar. Ex.: Abaixo a
ditadura!
—
Embaixo = em ponto inferior. Ex.: Esse número
que o senhor procura, fica mais embaixo.
—
Embaixo de = debaixo de. Ex.: Coloque as roupas
mais pesadas embaixo de todas as mais
leves.
—
Debaixo de = sob (antônimo de sobre). Ex.: Debaixo do trem,
via-se vários acidentados.
—
Baixar = dar baixa, deduzir. Ex.: Dê baixa, no
estoque, das mercadorias que foram vendidas hoje, ou Baixe no estoque...
— Baixar = reduzir.
Ex.: Os preços do café baixaram.
— Abaixar = fazer movimento
para baixo. Ex.: Ele se abaixou para
falar com a criança.
—
Bem-vindo = boas-vindas. Ex.: Seja bem-vindo à minha casa. A palavra benvindo só existe para nomes próprios. Ex.: Fui à
casa de Benvindo.
Quando
usar letras maiúsculas
1
— No início das frases.
Ex.:
Quando o inverno chegar eu vou para uma cidade mais
quente.
2
— Nos nomes próprios.
Ex.:
Lucas, Pedro, Paulo, Antonio, Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca. Campinas, São
Joaquim da Barra, Deus, Marte, Júpiter.
Obs.:
Às vezes um nome próprio é usado para exprimir uma espécie de pássaro, uma
planta ou qualquer outra coisa. Neste caso usa-se letra
minúscula.
Ex.:
joaninha, maria-vai-com-as-outras, joão de barro etc.
3
— Nos pontos cardeais, quando dão nome a regiões
Ex.:
Era um filme do velho Oeste.
Oriente e Ocidente não se
entendem.
Os bairros da zona Leste.
Obs.:
Quando esses nomes de pontos cardeais designam simplesmente limite ou direção,
são escritos com letras minúsculas.
Ex.:
Essa cidade fica a leste de São Paulo.
A
ferrovia vai de leste a oeste.
4
— Nas disciplinas escolares
Ex.:
Matemática, Desenho, Física, Geografia, História: Hoje eu perdi a aula de Geografia.
Obs.:
Quando a palavra exprime uma ideia comum, começa com letra
minúscula.
Ex.:
A arquitetura do prédio não foi bem
planejada.
5
— Nos títulos de livros, filmes, peças teatrais, empresas, jornais e
revistas.
Ex.:
O Dia do Chacal, Folha de São Paulo, Manchete, Veja,
Petrobrás, Texaco, Indústria de Papel Alto Luxo
Ltda.
Obs.:
Observe-se que a preposição não se escreve com letra
maiúscula.
6
— Nos nomes que indicam autoridades ou altos cargos
Ex.:
Prefeito, Vereador, Embaixador, Governador, Deputado
Federal, Delegado, Juiz, Bispo etc.: O
Juiz Ramalho presidiu a
sessão.
Obs.:
Se os nomes forem empregados em sentido geral, sem designar determinada pessoa,
são usados com minúscula.
Ex.:
As eleições para presidente, senadores e deputados federais serão em
outubro.
O
Papa reuniu bispos e cardeais.
Obs.:
Papa só existe um, portanto sempre se escreve
iniciando com maiúscula. Porém cardeais e bispos a Igreja há
muitos.
7
— Em
pronomes e expressões de tratamento
Ex.:
Sr., V., Excia., Exmo, V.
Santidade.
8
— Nos nomes de fatos históricos ou eventos importantes
Ex.:
Festival do Livro, Bienal de Artes Plásticas,
Independência do Brasil, Feira de Informática etc.: A Feira de
Informática de Las Vegas será em setembro.
Obs.:
Os nomes de festas
populares se escreve com minúscula: carnaval,
boi bumbá, farra do boi.
9
— Em nomes que indicam atos solenes de autoridades
Ex.:
O Acórdão do Tribunal de Contas
dizia...
O
Decreto 231 declara
que...
Obs.:
Quando esses nomes não se referem a algo determinado, são escritos com letra
minúscula.
Ex.:
Os Estados Unidos são o país que tem maior número de
leis.
10
— Nos nomes de artes ou ciências: Direito, Medicina, Arquitetura, Economia,
Psicologia, Metafísica, Pintura, Escultura.
Ex.:
Ele é professor de Direito.
Obs.:
A exemplos anteriores, quando esses nomes não se referem ao nome de uma arte ou ciência , escrevem-se com
letra minúscula.
Ex.:
A economia do
pais não vai nada bem.
Como
escrever os numerais
— Os
numerais cardinais são escritos por extenso até nove. Depois disso usamos
algarismos.
Ex.:
Havia cinco livros na
estante.
O jantar
estava programado para 45
pessoas.
O país já
está com 150.000.000
de habitantes.
Obs.:
A exceção está na redação de uma ata, que exige
todos os números escritos por extenso.
— Os
algarismos romanos são usados para enumerar reis, papas, séculos, capítulos,
eventos.
Ex.:
O capítulo XXI foi mal
redigido.
O
Rei João Carlos II vem ao Brasil.
O
século XX já
terminou.
Grafia
das palavras compostas
Com a
reforma ortográfica de 01/01/2009 o estudo do hífen adquiriu novo conceito. Veja
no CAPÍTULO XVII – O QUE MUDOU COM A REFORMA
ORTOGRÁFICA DE 01/01/2009
CAPÍTULO
XVII
O
QUE MUDOU COM A REFORMA ORTOGRÁFICA DE 01/01/2009
Mudanças
no alfabeto
O
alfabeto passa a ter 26 letras. Voltam a fazer parte de nosso alfabeto as letras k, w e y. — Na verdade essas letras nunca foram suprimidas:
sempre foram usadas em abreviações, como km. (quilômetro), kg. (quilograma), w.
(watt). Também nas palavras estrangeiras essas letras nunca foram suprimidas:
New York, por exemplo.
O
alfabeto completo passa a ser:
A
B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z
Trema
Não
se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela
deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui.
Antes
(errado) — Agora (certo)
agüentar
—
aguentar
argüir
—
arguir
bilíngüe
— bilíngue
cinqüenta —
cinquenta
delinqüente
—
delinquente
eloqüente
— eloquente
tranqüilo
—
tranquilo
OBS:
É claro que o trema permanece nas
palavras estrangeiras e em suas derivadas.
Exemplos:
Müller, mülleriano, Citroën etc.
Mudanças
nas regras de acentuação
1.
Foi suprimido o acento dos ditongos abertos éi e
ói das palavras paroxítonas (palavras que têm
acento tônico na penúltima sílaba).
Antes
(errado)
— Agora (certo)
alcalóide
— alcaloide
alcatéia
— alcateia
apóia
—
apoia
apóio
—
apoio
asteróide
— asteroide
colméia
—
colmeia
debilóide
—
debiloide
epopéia —
epopeia
estréia
—
estreia
estréio
—
estreio
geléia
—
geleia
heróico
— heroico
idéia
— ideia
jóia
— joia
odisséia
— odisseia
paranóia
— paranoia
paranóico —
paranoico
platéia
—
plateia
tramóia
—
tramoia
OBS:
essa regra é somente se aplica nas palavras paroxítonas. Continuam a ser
acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu,
éus, ói, óis. Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus.
2.
Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando
vierem depois de um ditongo.
Antes
(errado)
— Agora (certo)
baiúca
— baiuca
bocaiúva
—
bocaiuva
feiúra
— feiura
Atenção:
se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos de s), o
acento permanece.
Exemplos:
tuiuiú, tuiuiús, Piauí.
3.
Foi suprimido o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s).
Antes
(errado)
— Agora (certo)
abençôo —
abençoo
crêem
—
creem
dêem
— deem
dôo
—
doo
enjôo —
enjoo
vôo —
voo
4.
Foi suprimido o acento que diferenciava pára de para,
péla(s) de pela(s), pêlo(s) de pelo(s), pólo(s) de polo(s) e pêra de pera.
Antes
(errado) Agora
(certo)
Pára —
para
Pólo —
polo
Pêlo —
pelo
OBS:
1
— Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do
verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3a pessoa do singular. Pode é
a forma do presente do indicativo, na 3a pessoa do singular.
Exemplo:
Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.
2
— Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição.
Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.
3
— Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e
vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir,
intervir, advir etc.). Exemplos: têm, vêm, mantêm,
detêm.
4
— É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras
forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Veja
este exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?
5.
Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui,
(eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir.
6. Há
uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como
aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir etc. Esses
verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do
presente do subjuntivo e também do imperativo.
Veja:
a)
se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas
formas devem ser acentuadas.
Exemplos:
—
verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues,
enxáguem.
—
verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas,
delínquam.
Uso
do hífen
Algumas
regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo Acordo de 01/01/2009. Mas,
trata-se ainda de matéria controvertida em muitos aspectos. Apresentamos um
resumo das regras que orientam o uso do hífen com os prefixos mais comuns, e
também as novas orientações estabelecidas pelo Acordo.
As
observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por
prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos, como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, circum, co,
contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro,
micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi,
sobre, sub, super, supra, tele, ultra, vice etc.
1.
Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h.
Exemplos:
anti-higiênico
anti-histórico
co-herdeiro
macro-história
mini-hotel
proto-história
sobre-humano
super-homem
ultra-humano
Exceção:
subumano (nesse caso, a palavra humano perde o
h).
2.
Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que
se inicia o segundo elemento.
Exemplos:
aeroespacial
agroindustrial
anteontem
antiaéreo
antieducativo
autoaprendizagem
autoescola
autoestrada
autoinstrução
coautor
coedição
extraescolar
infraestrutura
plurianual
semiaberto
semianalfabeto
semiesférico
semiopaco
Exceção:
o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se
inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar,
coocupante etc.
3.
Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa
por consoante diferente de r ou s. Exemplos:
anteprojeto
antipedagógico
autopeça
autoproteção
coprodução
geopolítica
microcomputador
pseudoprofessor
semicírculo
semideus
seminovo
ultramoderno
OBS:
com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen.
Exemplos: vice-rei, vice-presidente etc.
4.
Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa
por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras. Exemplos:
antirrábico
antirracismo
antirreligioso
antirrugas
antissocial
biorritmo
contrarregra
contrassenso
cosseno
infrassom
microssistema
minissaia
multissecular
neorrealismo
neossimbolista
semirreta
ultrarresistente.
ultrassom
5.
Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar
pela mesma vogal.
Exemplos:
anti-ibérico
anti-imperialista
anti-inflacionário
anti-inflamatório
auto-observação
contra-almirante
contra-atacar
contra-ataque
micro-ondas
micro-ônibus
semi-internato
semi-interno
6.
Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento
começar pela mesma consoante.
Exemplos:
hiper-requintado
inter-racial
inter-regional
sub-bibliotecário
super-racista
super-reacionário
super-resistente
super-romântico
Atenção:
—
Nos demais casos não se usa o hífen.
Exemplos:
hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção.
—
Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r:
sub-região, sub-raça etc.
—
Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por
m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.
7.
Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento
começar por vogal. Exemplos:
hiperacidez
hiperativo
interescolar
interestadual
interestelar
interestudantil
superamigo
superaquecimento
supereconômico
superexigente
superinteressante
superotimismo
8.
Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o
hífen. Exemplos:
além-mar
além-túmulo
aquém-mar
ex-aluno
ex-diretor
ex-hospedeiro
ex-prefeito
ex-presidente
pós-graduação
pré-história
pré-vestibular
pró-europeu
recém-casado
recém-nascido
sem-terra
9.
Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu e mirim.
Exemplos: Moji-guaçu, Moji-mirim, capim-açu.
10.
Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que casionalmente se
combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares.
Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.
11.
Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição.
Exemplos:
girassol
madressilva
pontapé
12.
Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou
combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha
seguinte. Exemplos:
Na
cidade, conta-
-se
que ele foi viajar.
O
diretor recebeu os ex-
-alunos.
Resumo
Emprego
do hífen com prefixos
Regra
básica
Sempre
se usa o hífen diante de h: anti-higiênico, super-homem.
Outros
casos
1.
Prefixo terminado em vogal:
—
Sem hífen diante de vogal diferente: autoescola, antiaéreo.
—
Sem hífen diante de consoante diferente de r e s: anteprojeto, semicírculo.
—
Sem hífen diante de r e s. Dobram-se essas letras: antirracismo, antissocial,
ultrassom.
—
Com hífen diante de mesma vogal: contra-ataque, micro-ondas.
2.
Prefixo terminado em consoante:
•
Com hífen diante de mesma consoante: inter-regional, sub-bibliotecário.
• Sem
hífen diante de consoante diferente: intermunicipal, supersônico.
•
Sem hífen diante de vogal: interestadual, superinteressante.
Observações
1.
Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça etc. Palavras iniciadas por
h perdem essa letra e juntam-se sem hífen:
subumano, subumanidade.
2.
Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n
e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.
3. O
prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se
inicia por o: coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante
etc.
4.
Com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen: vice-rei, vice-almirante etc.
5.
Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição,
como girassol, madressilva, pontapé, paraquedista etc.
6.
Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o
hífen: ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-casado, pós-graduação,
pré-vestibular, pró-europeu.
Ressalva:
Esta reforma ortográfica talvez seja retificada posteriormente, pois parece
incompleta. Caso venha a sofrer alguma alteração, o autor se compromete a fazer as retificações
que forem necessárias.
FIM

Xanadu2.Com